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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Uma nova vida numa Angola nova.

Publicado por Nkemo Sabay activado 9 Julio 2010, 14:35pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

                                                  Grande Hotel do Uige renovado.

 
  Em tempos idos, a cidade de Luanda, como capital, era, sem dúvida, o “carrefour” de todos os “provincianos” que eram obrigados a deixar as terras de origem, onde tinham possibilidades para reunir as mínimas condições que lhes possibilitavam viver e sobrevir. Aliás, estas possibilidades lhes eram negadas em virtude da instabilidade que era constante, porque as armas falavam muito mais alto do que o resto. Como consequência, Luanda passava a ser uma cidade muito “sobrecarregada” e muito desorganizada, enquanto o interior ficava com as terras desertas, abandonadas, desoladas, ao mesmo tempo que serviam de campos de batalhas. O desequilíbrio era total.
O cenário era muito triste e o futuro permanecia incerto. Incerto porque o êxodo complicava a vida de muitos que, uma vez chegados à capital, ficavam sem emprego, sem escola, sem lavras, sem família, sem saúde, sem ânimo, etc. A vida dos nossos compatriotas passava a ser um autêntico calvário, pois o confronto com as novas realidades provocava um “choque” que desorientava tudo. Foi isto que se viu durante muito tempo.
Agora, oito anos depois da (re)conquista da paz, algo vai mudando e acredita-se que o drama de ontem vai fazendo parte de um passado por esquecer. Isto porque o interior continua a saborear os resultados práticos da paz, na medida em que vão clamando, com justiça, pelas melhorias das condições. Mas, em abono da verdade, não se pode negar que no interior algo está a ser feito para que o quadro mude, cada vez mais, para o melhor: o povo quer água, luz, estradas, escolas, postos de saúde, informação e outros bens de primeira necessidade que confirmem que valeu a pena o povo angolano empenhar-se para que a paz voltasse a sorrir, dando uma outra disposição a todos os filhos de Angola, independentemente das suas áreas de residência e do seu credo político e religioso, ainda mais que, nesta nova era, uma das apostas é encurtar a distância entre a capital e o interior e unir todo o povo angolano, convidando-o a adaptar-se às regras da democracia.
Evidentemente, muitos destes desejos deixaram de ser meros sonhos porque já fazem parte da vida dos “provincianos”: o interior está a recuperar a vida em si, a alegria de viver e os passos rumo ao progresso, desenvolvimento, consolidação da paz e da democracia. Significa isto que uma boa parte dos seus sonhos já foi realizada, estando à espera da concretização de outras metas. Na medida em que a estabilidade se vai instalando no espaço que, ontem, era palco de grandes batalhas, seria também justo pensar ou incentivar muitos dos compatriotas que deixaram as terras de origem para regressar à proveniência, pois a nova era que o país vive exige também nova vida. Oito anos depois da paz, a busca de oportunidades não tem apenas em Luanda o lugar ideal, pois as províncias estão a ganhar um novo dinamismo, estão a desenhar um quadro diferente e estão a alimentar sonhos que em tempos idos eram impossíveis.
Pelo menos, a minha última visita ao Uíge, na altura dos festejos do 93º aniversário da fundação da cidade, foi uma boa ocasião para confirmar esta nova realidade, pois todo o filho da terra deu conta que a “cidade do bago vermelho” e a província em geral já têm nova história para contar e escrever, na medida em que há sinais que apontam para uma viragem positiva. Os que deixaram a terra do café há bastante ficaram comovidos com o que viram desta vez: na cidade, as estradas estão a ser asfaltadas, a energia é abastecida durante 24 horas, as lojas onde se pode comprar tudo estão sempre bem apetrechadas, o combustível deixou de ser problema com a abertura de mais bombas, a rede hoteleira conta com mais unidades, novas escolas foram construídas, novos postos de saúde foram inaugurados, novas casas foram erguidas, a cibernética já faz parte da cultura de todos, o povo já apresenta um rosto alegre, etc.
Mesmo assim, espera-se ainda por outras iniciativas de grande calibre que vão projectar a terra do café. Numa palavra, a cidade está a crescer. E quem mais ganha com isso é a juventude que não perdeu a esperança num futuro auspicioso, que dependia sobretudo da situação político-militar que, felizmente veio a conhecer uma estabilidade. Por isso, razões tinham os uigenses para festejar com muita alegria o 93º aniversário da fundação da sua cidade. Entretanto, esta viragem positiva da província deve ser encarada num sentido mais amplo, pois é apenas um paradigma das mudanças que estão na ordem dia por todo o país. Neste sentido, o interior está a ser um belo espaço para passeios, divertimentos, trabalho, estudo, etc.
Acredite-se que o que se vive no Uíge é, exactamente, o que se vive quase em todas as províncias. E isso fez me lembrar o “bom susto” que tive quando visitei a bela cidade do Huambo em Novembro do ano passado. Depois daquele contacto, nunca me cansei em exaltar o “brilho” do Planalto Central. Porém, agora, sendo eu testemunha ocular dos “saltos” que a minha terra está a dar, não recuo nem sequer um milímetro para desafiar os naturais e amigos do Huambo, gritando sem cessar: “Em tempo de paz, o meu Uíge também já está a subir…

 

                                                                                                       Matumona Muanamosi.

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