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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Sexta-Feira Sangrenta, 20 anos passados.

Publicado por Muana Damba activado 23 Enero 2013, 10:07am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

 

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Hoje completa-se 20 anos da Sexta-feira Sangenta, o dia que angolanos do grupo linguístico Kikongo, foram assassinados por razões xenófobas. Com efeito, na manhã do dia 23 de Janeiro de 1993, os bairros da Petrangol, Mabor e Palanca e outros habitados maioritàriamente por bakongos, foram atacados por parte de habitantes de Luanda. O Governo de Angola teria reconhecido oficialmente 57 mortos, mas as organizações civís bakongo apontaram mais de mil vítimas e acusaram jornalistas angolanos serem responsávies da chacina.

 

Geralmente estes ataques foram tidos como sendo ocasionados por motivos étnicos, na realidade, tratou-se de conflito pré-eleitoral. Os bakongo foram acusados pela imprensa oficial de ter apoiado o partido do Galo negro. Depois da fuga do Jonas Savimbi, nos fins de Novembro de 1992 para o Huambo, este reorganiza o comando da sua ala militar e no espaço de poucos meses depois das primeiras eleições em Angola, ocupa as cidades do Uige, Mbanza Kongo, Ndalatando, Soyo, Caxito e mais tarde, depois de uma batalha de 55 dias, a segunda cidade de Angola, Huambo, obrigando o governo estar na defensiva. Daí nasce a campanha mediática contra o Zaire de Mobutu, acusado de ter enviado tropas para auxiliar o braço armado da UNITA. No entanto, quando as Ex- FALA's ocupavam militarmente uma das cidades, a Rádio Nacional de Angola, noticiava que, cito, "tropas zairenses e da UNITA, ocuparam a tal cidade", etc. Alguns jornalistas de Jornal de Angola imprudentes, assinam artigos que criticavam os supostos zairenses (na realidade, angolanos bakongo), com caricaturas, denegrindo-os de ser responsáveis da miséria do povo angolano.

 

Em meados de Janeiro de 1993, todos orgãos de comunicação Social de Angola, citam fontes militares que foram capturados no campo de batalha, tropas zairenses, o que constituia prova suficiente da implicação de Mobutu no sucesso de tropas da UNITA no terreno. E prometeram apresentâ-las numa conferência da imprensa. Na preparação desta, um jornalista corajoso questiona sobre as provas que os militares estrangeiros africanos capturados fossem zairenses, a resposta foi simples, falavam lingala e o jornalista insiste de saber se, nas forças armadas angolanas e da UNITA, não havia militares que falavam lingala, sendo angolanos na realidade. A reunião com imprensa foi anulada "in-extremis", por ordens superiores. Soube-se mais tarde, que os supostos soldados zairenses, na realidade tratava-se de angolanos bakongo que falavam lingala, ligados ao partido no poder, recrutados para este efeito.

 

A campanha de difamação contra Mobutu e os zairenses era tão forte que obrigou o então general da UNITA, Demosthenes Chilingutila, desmentir na rádio portuguesa TSF, qualquer implicação das tropas do Zaire ao lado das suas tropas e afirmou ainda que próprio presidente do Zaire tinha problemas graves no seu pais que precisava ajuda da UNITA.

 

No dia 22 de Janeiro de 1993, um editorial da Rádio Nacional de Angola revela que os Zairenses infiltrados no seio da população angolana, preparavam um plano para assassinar o presidente da República, José Eduardo dos Santos. Foi esta razão que no mesmo dia e o a seguir, populações de Luanda munidas de armas de fogos assaltam, violam e matam com toda impunidade, os bakongos da capital do país.

 

Dias depois, os bakongo, impotentes e frustrados, reunem-se algures em Luanda, redigem o famoso Manifesto da Sexta feira Sangrenta, um memorandum dirigido ao governo de Angola, ao parlamento e às embaixadas acreditadas em Angola. Este documento (será reeditado neste espaço nos próximo dias), os activistas bakongo relatam com pormenor o que se passou nestes dias. O Falecido deputado do partido PDP-ANA, Nfulumpinga Landu Víctor, toma conhecimento do manisfesto e interpela a Assembleia para condenar os massacres e levar à justiça os autores.

 

Manisfesto da Sexta - feira Sangrenta é um documento oficial arquivado no Parlamento angolano, que o presente portal foi exumar, com intuito de render a devida homenagem aos bakongo angolanos assassinados por causa da intolerância.

 

Pedimos aos nossos visitantes de ler o manifesto com muito discernamento, tomando em conta que o tempo que vivemos não é mesmo de há 20 anos, pois relata com detalhes a discriminação dos bakongos de Angola naquele tempo.

 

 

                                                                                                             Muana Damba

 

A seguir: Manifesto da Sexta-Feira Sangrenta 1.

 

 

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