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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Revolta de Mbuta em São Salvador (9)

Publicado por Muana Damba activado 10 Septiembre 2012, 02:10am

Etiquetas: #Notícias do Uíge

 

MBUTA 9

…” Às 16,30 uma trovoada espantosa caía sobre a coluna, acompanhada duma chuva torrencial; os caminhos tornaram-se verdadeiros rios; a peça caiu por uma ribanceira ferindo gravemente um carregador. A coluna pretendia atingir o rio Kienga; o comandante marchava então na guarda avançada e não se tinha apercebido da desordem que por efeito do temporal reinava na coluna; a cerração completa fizera perder a ligação entre aguarda avançada e atesta do grosso; o comboio andava disperso pelo mato e, em vista de tudo isto o Governador mandou fazer alto e acampar a coluna, mandando tocar a reunião. Meia hora depois do toque de reunião a guarda avançada apresentava-se no acampamento. O bivaque foi, como sempre, em quadrado; não foi possível acender fogo nem tratar de qualquer refeição, nem armar uma barraca debaixo do temporal que rugiu furioso até às 4 horas da madrugada. Do inimigo, felizmente, não houve notícias, porque a maior parte do comboio não conseguira reunir à coluna e só no imediato, manhã cedo, o soldado indígena nº 202 da 20ª companhia,
que nunca abandonara os carregadores transviados, os conduziu até o local do acampamento não faltando uma única carga.

Reconhecida a impossibilidade de marchar no dia 21, porque todos estavam semimortos de fadiga, encharcados até à medula dos ossos, foi resolvido deslocar apena o acampamento para uma altura próxima da margem do rio. O resto d’esse dia foi pousar e secar a roupa. Pra os praças indígenas da 20º companhia limitava-se esta aos tristes farrapos que traziam cobrindo incompletamente as carnes; recordemos, ao citar este episódio, que as praças da 20ª companhia não tinham uma única tenda abrigo …………. (aspas do autor relator)

No dia 22 foi a marcha iniciada às 7 horas, atingindo a coluna às 11,10 um alto, junto e ao norte da mata de Lolo, d’onde esta mata é dominada. O pelotão da guarda avançada desceu a encosta até se aproximar 300 metros da orla da mata; a peça foi metida em bateria e fez dois tiros sobre o povo Lolo. Foi grande o efeito d’estes tiros porque daí a pouco ouviram-se tiros do gentio, muito para o S. e E; para os lados do Semo e proximidades da confluência Lolo-Lunguege. Atravessada a mata sem resistência, a coluna acampou na posição do actual posto do Lolo às 14 horas.

No dia 23, a marcha, iniciada às 7 horas, fez-se sem incidentes até ao rio Lukela que foi atingido às 10,30; quando o pelotão da guarda avançada, se tinha internado já na pequena mata. Houve um momento de confusão porque, cerrados com a vegetação, havia muitos buracos, onde caíram muitas praças e alguns oficiais. É digna de especial registo a forma por que o tenente Ribeiro d’Almeida conseguiu dominar prontamente o seu pelotão, justamente no momento em que a confusão atingia o auge, executando fogo por descargas; como o fogo inimigo não cessasse foi dada ordem ao tenente Ribeiro d’Almeida para retirar a fim de permitir o emprego da peça, que entrou em bateria a 200 metros da orla da mata e daí fez dois tiros de lanterneta e um de granada com balas; de novo avançou o pelotão da guarda avançada logo seguido pelo primeiro pelotão da guarda avançada logo seguido pelo primeiro pelotão do grosso tenente Camacho) sendo este avanço executado à carga, pondo-se o gentio
em fuga, em duas direções: para leste, para onde fugiu a maior parte, internando-se na mata da Kinvemba que liga com a de lukela, e para Oeste, para um morro próximo do povo de Quinzau, sendo estes, que se viam, alvejados pelo fogo da peça a 2000 metros.

A coluna passou sem mais incidentes sobre os restos da antiga ponte, verificando então que o ataque sobre a frente partira de uma trincheira-abrigo que, mais tarde foi ainda ampliada pelo gentio, como foi observado em outra ocasião que a coluna ali passou.

A coluna bivacou, depois da passagem da mata do rio Lukela, na formação habitual, em quadrado. Pelas 15,30, quando se almoçava, foi o quadrado atacado simultaneamente pelas faces sul, leste e oeste, sendo mais vivo o ataque executado contra face leste onde se encontrava o 1º pelotão, cujo bivaque distava de uns 100 metros da orla de uma mata…

Continua

                                                                                                  AHM-LISBOA

 

 

                                                                                       Texto enviado por Artur Mendes

 

 

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