Overblog
Edit post Seguir este blog Administration + Create my blog

Portal da Damba e da História do Kongo

Portal da Damba e da História do Kongo

Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Revolta de Mbuta em São Salvador (25)

Publicado por Muana Damba activado 6 Noviembre 2012, 01:23am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 


…” A coluna do comandante do Governador tinha seguinte composição: / 8 oficiais, 11 graduados europeus, 184 cabos e soldados, 5 corneteiros, 649 auxiliares e 526 carregadores. Na sua marcha de maquela até S. Salvador, teve apenas uma baixa e essa causada por desastre; foi vitima o soldado n.º 249 da 18.ª Comp., Alberto, do destacamento do capitão Monteiro foi ferido o soldado 127 /127 Gonsa Fragoso.


Era indispensável dar aos povos rebeldes um castigo severíssimo que fizesse de exemplo e perdurasse na tradição. Por isso foi resolvido aniquilar completamente quantas lavras se pudessem destruir a fim de render pela fome o gentio que, por outra forma, pode impunemente conservar-se arredado da acção da autoridade. Além desta havia uma outra razão: era preciso proporcionar alimentação aos carregadores e auxiliares que, a serem alimentados pelos poucos recursos dos serviços de subsistência, os consumiriam em muito pouco dias. Para este fim, em 5 de Julho às 9 horas, partiu de S. Salvador uma força de dois pelotões (Almeida e Magalhães) acompanhados por todos os auxiliares e carregadores disponíveis, no efectivo total de 1300 homens, com destino às lavras do Vembo que deveriam desaparecer completamente; durante cinco dias foi arrancada e destruída, metodicamente, toda a mandioca que não era possível transportar para S. Salvador e calculei, na ocasião do regresso, em 10 de Julho, que a mandioca trazida para S. Salvador pesasse de 25 a 30 toneladas, no mínimo; quanto à que foi destruída calculei-a em 800 toneladas, por mais elevado que tal número pareça, sendo minha convicção de que este número muito inferior ao verdadeiro.


Rm2485 174

No dia 18 de Julho pôs-se a coluna em marcha, para o Luvo. O seu objectivo era: castigar os povos rebeldes do Lunguego, Soko, Volunga e Zulumengo; montar postos de LOLO e LUVO para garantir as comunicações de S. Salvador; reabastecer a coluna por forma a habilitá-la a prosseguir as operações para o lado de Madimba. Donde se seguiria através da Canda e se montariam os postos da Canda, Cuimba e Tanda, assegurando a ocupação da Canda, importantíssimo núcleo da revolta que dispõe de grande quantidade de armamento e, garantindo as comunicações Maquela-S. Salvador. Mais tarde viriam de Luanda as 23.ª e 24.ª Companhias e com elas se procederia à ocupação da circunscrição civil de Noqui e ao estabelecimento da comunicação da Mainda, pela acção a exercer pelo posto do Luso nessa direcção.


Partiu a coluna no dia 12, às 14 horas, alcançando o povo da Pondaina, o único fiel, às 15,50 e bivacando às 17,50; em 13 às 8,50 era a coluna atacada na mata de Culo, combate que durou até às 9,50 e no qual tivemos cinco auxiliares feridos; a coluna dirigiu-se seguidamente para o morro no qual se daria um grande alto curativo de feridos, sendo nesta ocasião morto por um tiro, dado do capim, á distância máxima de dez metros, um carregador. Do morro onde acampou foi avistado um povo, o do Conde Mianfingui, entre duas matas e para ali foram feitos três tiros de granada com balas, depois do que os pelotões Oliveira e lamelas para ali avançaram com um grupo de auxiliares, incendiando o povo, sem terem encontrado resistência. Mais tarde soubesse que o soba, que estava em cima duma palmeira observando as manobras da coluna, foi morto por um estilhaço de granada. Recomeçou a marcha às 12,45, marcha extremamente penosa porque o gentio, a 200 ou 300 metros na frente dos elementos mais avançados da coluna e sempre perfeitamente ocultado, ia largando fogo ao capim, fogo que ainda por um momento causou um certo pânico entre os carregadores que conduziam as munições que acompanhavam a peça e; pouco depois, cortava a cauda do comboio; para fugir ao fogo, abrigou-se a coluna em uma lavra, a 1.ª de Lunguege e ali esperaram que o fogo passasse para sotavento do caminho a seguir. Enquanto a coluna se encontrava refugiada na lavra começou a correr entre auxiliares a notícia de que o gentio nos esperava na quitanda, retirando o inimigo aos primeiros tiros para um povo próximo, o povo do Coxe; a coluna dirigiu-se então para esse povo, donde o gentio retirou, após alguma resistência, para uma ravina profundamente encaixada e densamente arborizada, no fundo do qual corre o rio Lunguege; ali foi perseguido peal guarda avançada e, tendo sido reconhecida a importância desta para desalojar o inimigo, foi mandada retirar para se poder utilizar o fogo de artilharia, depois do que a avançaram para o rio dois pelotões (Rosa e Oliveira) , que ainda foram reforçado pelo pelotão lamelas: O inimigo achava-se muito bem abrigado pelos espessos troncos de mufaneiras em que praticara entalhes que lhe serviam de cavaletes, de forma que o tiro era de extrema eficácia…”


Continua

AHM – L                                     

 

                                                                                         Pesquisa: Artur Mendes

 

 


Archivos

Ultimos Posts