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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Revolta de Mbuta em São Salvador (23)

Publicado por Muana Damba activado 29 Octubre 2012, 13:06pm

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

MBUTA 23


…” No dai 7 de Junho, por portadores de correspondência da missão da B.M.S. da Mabaia para S. Salvador, apreendida por contravenção da legislação postal, fui informado de que tinha chegado ao Bembe o comboio que para ali tinha sido enviado do Ambrizete, conduzindo víveres e munições, juntamente com o reforço de 15 praças que constituíra a escolta do mesmo comboio e, bem assim, que as hostilidades tinham terminado ou, pelo menos, estavam interrompidas.


Tendo já reconhecido a esse tempo que o reabastecimento do Bembe pela coluna era imprescindível pela falta de carregadores em número suficiente e tendo ali mudado a situação, o que me era confirmado dias depois, assentei em uma modificação que as circunstâncias impunham e de que dei conhecimento ao Exº. Governador e ao quartel-general, juntamente com o relatório das operações efectuadas entre Lué e S. Salvador. Esta modificação ainda se tornou mais necessária em virtude do grande número de carregadores que havia a irradiar do serviço da coluna, por para ela não servirem, e pela fuga de um considerável número dos que a Songololo mandei, constituindo um comboio de reabastecimento. Por todas estas razões telegrafei, ou melhor, redigi um telegrama que deveria ser transportado até Songololo pelo comboio que ali ia ser enviado, daí transportado para Noqui, donde seria expedido por via Banana e cabo para Luanda; segundo este telegrama o Ambrizete continuaria a abastecer o Bembe até ordem em contrário; ao quartel-general pedia para enviar, com destino ao Bembe, 30 cunhetes com 600 cartuchos 11 mm H. e 30 tiros de peça para o posto da Quivuenga.

 

Rm2485 174


Na ocasião da minha chegada a S. Salvado fui informado de que os rebeldes se encontravam em grande número reunidos nos povos do Vembo e Lunguego, tendo sido repelido o assalto que um destacamento, do comando do tenente Camacho, dera ao Vembo, dias antes da minha chegada a S. Salvador, assalto que ficara morto e em poder dos rebeldes um soldado com o seu armamento e munições. Assim, determinei que uma força de dois pelotões e uma secção (tenentes Borges e Matos e o 1.º sargento Rodrigues) com uma peça de 7c (1.º sargento Isidoro), se dirigissem a Lunguego donde deveria seguir para o Vembo, castigando ambos estes povos; e, para impedir que os do Vembo fossem reforçar os do Lunguego, a escolta do comboio que ao mesmo tempo partira para Sangalolo, iria acampar ostensivamente em Pondaina, de forma a prender a situação dos rebeldes do Nembo e a poder, em caso de necessidade, obstar à sua reunião por um simples movimento de avanço. Ambas as forças partiram de S. Salvador às 10 horas do dia 8 de Junho; o destacamento do comando do tenente Matos tomaria primeiramente o caminho de Maquela, que abandonaria a pequena distância de S. Salvador, procurando aproximar-se do Lungueje sem ser visto.


Em 13 de Junho regressou a S. Salvador o destacamento que tinha sido incumbido de bater o Lunguego e o Vembo, tendo destruído depois de viva resistência aqueles povos. O ataque do 1.º realizou-se no dia 10 de Junho sendo reduzido a cinzas a Banza do príncipe Garcia Nosso, o soba maior da região de Lunguege, incendiando-se 39 das suas habitações, conservando-se uma onde estava arrecadado bastantes cargas de isoladores de porcelana para a linha telegráfica de Noqui a Maquela e S. Salvador, que mais tarde foram removidos para o posto de Quissangue, com 18 habitações; no dia 12 foi atacado o povo do Vembo, sendo queimadas as suas 55 cubatas. Este destacamento teve um soldado ferido, o n.º 113/113 da 2º.ª comp.ª, José Fabião.


O comboio que se dirigia a Songololo foi atacado em quase todo o seu percurso, até mesmo junto da fronteira, especialmente na mata do Lolo, onde contrariamente às minhas instruções, que lhe mandei que a contornasse, se internou o tenente Camacho. Do acampamento na fronteira fugiram 44 carregadores e desertaram 3 soldados da 20.ª comp.ª e 1 d 18.ª…


Continua


AHML       

 

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