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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Restaurantes de luxo de Luanda. Pratos típicos angolanos? Não, obrigado

Publicado por Muana Damba activado 3 Diciembre 2012, 05:45am

Etiquetas: #Notícias do país

 

Por Gaspar Faustino

 

O cozinheiro auxiliar do restaurante Bahia, Valdo Eduardo, considera que há sérios problemas nos restaurantes, por não estarem incluídos nos seus menus os pratos típicos angolanos. “No Bahia, não há muito a fazer porque o proprietário do espaço é português e recomenda-nos comidas portuguesas, brasileiras e inglesas.


"Só temos de cumprir as ordens”, nota o auxiliar de cozinha, de nacionalidade brasileira, mostrando-se triste por essas e outras situações que se registam, a nível da cozinha angolana. O cozinheiro realça que, apesar de todas as precariedades existentes no país, há muito o que destacar de positivo em Angola.

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Além das inúmeras manifestações culturais, a culinária angolana é bastante rica e “deve ser promovida”.

“A culinária angolana recebe grande influência da culinária portuguesa e também de Moçambique. É marcada também pela mistura de métodos da cozinha brasileira e africana e que foram levados para outros pontos do globo, como o famoso calulu, levado para o Brasil pelos escravos africanos e que hoje faz furor em muitas mesas do mundo, com destaque para o próprio Brasil, que é a Moqueca.


“A culinária angolana é constituída basicamente por pratos elaborados à base de carnes e peixes. Estes pratos ganham sabor e requinte, combinados com ingredientes seleccionados.A gastronomia angolana não faz uso de molhos sofisticados ou de combinações requintadas. A combinação é feita com ingredientes comuns e simples, mas que combinados corretamente dão um sabor especial aculinária angolana”, diz mais à frente o nosso interlocutor.


O auxiliar de cozinha aproveitou a ocasião para falar um pouco sobre o que já aprendeu da nossa culinária e da sua forma de confeccionar. Para ele, o funje é o prato de eleição dos angolanos, que é apreciado por grande parte dos países africanos.


Trata-se de um prato bastante semelhante à polenta, confeccionado no seu país de origem, e que tem a mesma proveniência e os mesmos ingredientes: a farinha de mandioca ou o milho.

 

“Pode ter várias combinações, como a quizaca, que é nada mais do que folhas do pé de mandioca maceradas, que são cozidas ou temperadas. Pode ser servida também com peixe ensopado ou peixe seco cozido”, explica. A muamba não escapou ao olhar clínico do brasileiro, que a qualificou como um prato saboroso e simples de confeccionar, e que é preparado com galinha rija, peixe ou carne, juntamente com quiabos e óleo de palma, uma especiaria que é sempre utilizada na preparação de comida angolana.


“É muito consumido também em Angola o feijão feito com óleo de palma, além de muitos outros pratos,
como o mufete, que, na sua maioria, tem como ingrediente principal a salada, batata-doce e o peixe gre-
lhado, acompanhado de um molho especial”, atira.

 

Oferta limita opções dos angolanos

 

Comer fora de casa tornou-se um hábito entre os citadinos, mas a oferta de comidas típicas angolanas
nos dias de hoje é limitada, o que proporciona poucas escolhas aos clientes. Grande parte dos luanden-
ses tem no funje com os seus acompanhantes uma comida de eleição, havendo mesmo quem não escolha a hora para comer.


“Não tenho problemas quanto a comer o nosso funje. Seja de manhã, ou à noite, sempre que estiver à disposição eu como, sem qualquer problema”, disse-nos Hélder Pacavira, que afirmou desconhecer as razões que estão na base da ausência dos pratos típicos de grande parte dos restaurantes luandenses de primeira classe.


“Se calhar, é o facto de os angola-nos que frequentam esses locais não solicitarem os nossos pratos, talvez por preconceito”, diz o jovem trabalhador. A maioria dos clientes encontra sérias dificuldades para saborear um prato da terra devido à escassez de iguarias nacionais nas casas de restauração em Luanda.


“É difícil encontrar calulu de carne seca ou mufete nos restaurantes, o que me obriga a comer a mesma
coisa de segunda a sexta”, começou por contar Emídio Manuel“, funcionário público, salientando que “não há nada melhor do que poder comer um bom quitute da terra sempre que apetecer.


Apreciadora dos pratos nacionais, Zenilda João elege os condimentos tradicionais como os da sua prefe-
rência para uma comida mais saborosa e saudável. Ela explicou que se sente limitada e não tem outra
opção senão recorrer ao restaurante mais próximo do local de trabalho, na hora do almoço.


Vezes há em que a senhora opta preferencialmente por uma sandes quando não existe alternativa: “En-
contro a mesma comida de segunda a sexta. Há dias em que opto por uma sandes, só para variar”, reconheceu. 


À mercê dos chefes

 

Os funcionários públicos e privados recorrem aos restaurantes nos dias úteis para evitarem percorrer desnecessariamente a distância entre a residência e o local de serviço, assim como o congestionamento no trânsito. Mas acabam por ficar à mercê das escolhas diárias dos chefes dos restaurantes. Isso mesmo acontece com Rosa Manuel Prado, que almoça diariamente num restaurante próximo do seu lo-
cal de trabalho, devido à dificuldade que encontra em ir para casa à hora do almoço.

 

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Questionada sobre o seu prato preferido, indicou os típicos de Angola, elegendo o feijão de óleo de palma e a carne seca como os da sua preferência. “Com excepção dos fins-de-semana não se encontra esse tipo de comida nos restaurantes que frequento”, nota.


Professora de profissão, a mulher frisou serem poucos os restaurantes que servem os pratos nacionais.
“Não sei se devido à sua especificidade, muitos chefes de cozinha optam por fazer comidas menos pesa-
das”, admite. Segundo ela, existem comidas angolanas que devem ser confeccionadas em panelas pró-
prias para que sejam mais apuradas e muitos chefes de cozinha não têm esse conhecimento.


Por norma, Rosa opta por uma comi- da europeia, mas sempre que pode não dispensa um prato angolano que, ao contrário do centro da cidade, só se encontra disponível em alguns restaurantes da periferia. “Infelizmente, quando vou ao centro fico com dificuldades de escolha, porque os restaurantes nunca têm comidas angolanas no seu menu, é mesmo uma raridade”, garantiu a senhora, realçando que prefere os pratos nacionais confeccionados ao domicílio, por serem mais caprichados.

 

Mais dispendioso

 

Ao longo da Avenida Mortala Mohamed, na Ilha de Luanda, estão dispostos vários restaurantes, cada um com uma particularidade no cardápio, mas a maioria não oferece comida típica de Angola. Com excepção do Jango Veleiro que, segundo o gerente Diogo António, oferece iguarias da terra nos fins-de-semana, os restaurantes Tamariz, Coconuts, Bordão e Miami Beach optam única e exclusivamente por culinárias ocidentais.


“Os sócios são portugueses, por isso, a culinária foge do tradicional”, informou Jandira Serrote, gerente do Tamariz, revelando que “a clientela é maioritariamente composta por pessoas que vêm de fora do país e que nunca solicitam pratos típicos angolanos”.


“Os nossos clientes já conhecem o menu, por isso, ninguém reclama pelas comidas típicas”, defendeu a gestora, justificando que “as comidas típicas são muito mais aprimoradas, o que, por sua vez, é mais dispendioso”. Niwton Gonçalves, uns dos responsáveis do restaurante Gafanhoto, explicou que raramente e sob sugestão do chefe servem comida típica angolana, alegando que os pratos são
confeccionados com base na culinária europeia, sobretudo a francesa.


O próprio garantiu que a espe- cialidade da casa é o leitão, que é o prato mais solicitado pelos
clientes de terça a domingo, dias em que as portas estão abertas. Grande parte dos nossos entre-
vistados lamentou a forma como os restaurantes secundarizam os pratos típicos nacionais, ociden talizando o que é nosso. Outros falam mesmo num certo complexo por parte dos angolanos, uma vez que deveriam ser eles a obrigar os restaurantes a colocarem nos seus menus os pratos típicos da terra.
“A verdade é que o culpado é o próprio angolano que se deixa influenciar demasiado pelo ocidente, esquecendo a sua identidade. Angola é rica e tem variados pratos típicos, contudo ainda não devidamente explorados. Não quero dizer com isso que a culinária ocidental não seja bem-vinda, pelo contrário.


Mas, aos estrangeiros, deveria ser dado a provar também o que é nosso, antes mesmo de lhe colocarem à frente a comida do seu país de origem, ou de outros países que nada têm a ver connosco”, afirmou Marinela Agnelo, que se diz, não só apreciadora de um bom funje, à boa maneira angolana, mas
uma cozinheira de mão cheia.

 

 

                                                                                                 Fontes: Novo jornal

 


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