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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Recordando o tio Pepe (Pedro) Faria

Publicado por Muana Damba activado 17 Marzo 2012, 02:33am

Etiquetas: #Coisas e gentes da Damba

 

Por Koluki (*)

 

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Se ‘Kongo Blues’ ainda carecia de um significado mais substantivo para mim, (re)encontrei-o hoje, num certo momento marcado por uma daquelas emoções para as quais a intraduzivel palavra “saudade” não parece ser suficientemente satisfatória, prestando-se-lhe(s) melhor a palavra “blues”... .

 

TiPepeCar-Kids2.jpg

 

Ultrapassado aquele momento, por caminhos ínvios, fui parar a este site que me transportou, tal como o tio Pepe no seu carro, todos os anos durante um certo periodo, a Damba: esse lugar que guarda o melhor de mim – não nasci la' (na verdade nunca conheci a terra onde nasci acidentalmente, a Gabela), mas não me consigo rever tão completamente noutra descrição/identificação que não a de “Muana Damba”...

 

AvoISA-afrostyleswithedge-1-.JPG

 

Foi a primeira vez que a ela “regressei” depois do que parece ser uma eternidade (na verdade, essa eternidade comeca no inicio de 1980 quando, nos primeiros meses da gravidez do meu filho, fui à Damba visitar a minha avó - a minha mãe e a minha tia encontravam-se então a viver, respectivamente, em Portugal e França -, comunicar-lhe do meu estado e pedir-lhe os seus conselhos e aprovação)...

 

Descrever, entao, a torrente de emocoes que vivi nas cerca de duas horas em que literalmente imergi nas suas paginas e’, igualmente, algo que ultrapassa as minhas capacidades, pelo que, mais uma vez, so’ uma palavra me assiste: “blues”... E nao uns blues quaisquer: exactamente Kongo Blues!

 

TiPepe-Champs2.jpg 


Claro que a imersao vai continuar nos proximos tempos, mas por agora deixo aqui alguns registos do que por la’ encontrei.

 

 

Começando por este extracto deste texto de José Neves Ferreira:

"Viva o tempo que viver nunca me esquecerei das manhãs do frio Cacimbo quando nevoeiro envolve, como um manto diáfano, as gentes que passam na rua, as casas, as árvores,parecendo que tudo está mergulhado num sonho; nem do sabor de uma moambada de ginguba,comida numa reunião de amigos, nem do feijão da Damba, que era apreciado em toda a parte, ou das mobílias da Damba (e também do Camatambo) que se podiam encontrar tanto em casas de Luanda como em longínquos postos administrativos; ou ainda do “Cristo da Damba”, esculpido por um artista que morava no Bairro da Missão, e se vendia a bom preço nas lojas de artesanato;como também das largas paisagens formadas por cadeias de morros e colinas que admirava nas viagens para a Lemboa ou das amplas planícies e chanas do itinerário que, por Chimancongo, se alcançavam as Fazendas, e das quais sentia emanar uma inefável sensação de liberdade, quando contempladas de cima do tejadilho da carrinha."

TiPepe-Champs3.jpg

... que me fez ir buscar ao fundo da gaveta este poema, escrito há já alguns anos e que me parece inacabado (não consigo encontrar a sua versão original, que me parece diferir algo desta - digamos, então, que é ainda um "projecto de poema"): Ver a seguinte ligação link.

TiPepe-Champs4.jpg

Mas, continuando com as memórias de Neves Ferreira:

"Mas do que tenho ainda mais saudades é das gentes da terra, com quem convivi. Desde os meus companheiros de escola, com as nossas fugidas para mergulhos na represa da Granja da Administração – o nosso mundo mágico de encantar qualquer miúdo --, até as gentes que encontrava nos caminhos e picadas onde andei e deambulei. Recordo o nosso Alfaiate Paulo, o Soba Manuel Kituma, o João Ajudante de carrinha, o Técnico do Combate à Tripanossomíase Manuel Tungo, o Enfermeiro Francisco Rómulo o Funcionário Administrativo Laurentino, o Manuel Bengue, o Pedro Faria, suas irmãs (meus colegas de escola) e os seus Pais, bem como tantos e tantos outros. Outrossim, dos Padres e Madres da Missão Católica da Damba, com a sua acção de entrega total ao serviço de toda a gente – a verdadeira mensagem de Jesus, o Cristo – e nomeadamente o paradigmático Padre Rafael a quem tinha uma grande amizade…"



De onde destaco especialmente esta passagem:


“Pedro Faria, suas irmãs ( meus colegas de escola ) e os seus Pais.»

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O Pedro Faria é o meu tio-padrinho Pepe (a que me refiro no inicio e que ainda há dias aqui recordei) e as suas irmãs são a minha mãe e a minha falecida tia, sendo os seus pais, òbviamente, os meus avôs maternos (fotos acima).

Exceptuando o tio Pepe (a quem dedico uma foto-reportagem especial no fim deste post), todos eles podem ser vistos tambem na foto abaixo (que ja’ ha’ algum tempo aqui postei), onde tambem se pode ver o Dr. Morais Martins, cuja obra sobre o seu trabalho na Damba e’ amplamente reproduzida no site e da qual destaco este extracto.

Baptizado
O dia do batismo do Pedro Faria, em presença administrador da Damba Dr. Morais Martins e do Padre Camilo.

"Depois… a evocaçãao dos cheiros e ambiencias (... cacimbo, nevoeiro, terra molhada, as lavras, a ginguba acabada de arrancar, o colher e o descascar do feijao, fumo de forno a madeira, moamba de ginguba e de galo... enfim, a magia encantatoria... os sabores, odores & sonho da Damba... ) e uma serie de nomes familiares, como Kiame, Rescova, Romulo, Mbuta, Benge, Vemba… "


E o Bispo Don Afonso Teca. Melhor do que eu alguma vez aqui o poderia fazer, a sua autobiografia, publicada em livro antes do seu trágico falecimento num acidente aereo, diz o quanto o ligava a minha familia: nele ele incluiu uma foto dos meus avos maternos, a quem tratava por pai e mae, tendo a eles dedicado algumas palavras, rendendo-lhes assim a sua homenagem pessoal.



Mas, infelizmente, tendo percorrido ansiosamente as galerias de fotos e vídeos da Damba lá expostos, em nenhuma delas consegui ver (ou reconhecer) a nossa casa… Ficava em frente a Igreja da Missao Catolica – desta sim encontram-se algumas imagens…



Enfim, depois de todas as emoçõees que hoje vivi, a par do "blues", (re)descobri tambem o verdadeiro significado da palavra "afectos"...
(*) Nome literário da poetisa e escritora Ana Paula Santana, Natural (acidentalmente) de Gabela, originária da Damba, cuja a biografia pode ser consultada na seguinte ligação:link
                         

 

 

 


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