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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Os Zombos na Tradição, na Colónia e na Independência (43)

Publicado por Muana Damba activado 13 Marzo 2012, 05:50am

Etiquetas: #Fragmentos históricos do Uíge.

 

Por Dr José Carlos de Oliveira.


 

 

Aqui temos descrito o ambiente político, social e económico que o Batalhão de Caçadores 88 teve de enfrentar quando substituiu, a 4 de Setembro de 1961, a 5ª Companhia de Caçadores Indígenas que, por falta de viaturas suficientes, requisitou à população civil camiões e partiu com destino incerto, segundo informação do seu capitão, que só sabia que iam passar pela Damba. Foi nesta viagem que, ao quilómetro 35, antes da Damba, à passagem de uma frondosa mata, soaram tiros de kanhangulo. A Companhia respondeu e, sensivelmente, como já se referiu, metade dos soldados deixou de ripostar pois as suas armas Enfields, encravaram ao primeiro tiro, porque as munições que lhes tinham sido distribuídas eram para as carabinas Mausers. Só um Alferes ficou ligeiramente ferido numa orelha, presume‑se que o ataque fosse simbólico porquanto quando o comandante da coluna mandou cessar‑fogo, não viram nem ouviram, qualquer sinal do inimigo. Até Dezembro de 1961, a 5ª Companhia de Caça-dores Indígenas esteve adstrita ao Batalhão de Caçadores 92, (de que não há história no Arquivo Histórico Militar, porque a sua pasta se encontrava na altura da consulta (2005) pura e simplesmente vazia) sem nunca entrar em combate.
 
 
 
Zona de acção do Batalhão de Caçadores 98 – 1961‑1962
 
Este batalhão de caçadores recebeu ordem para embarcar para Angola a 14 de Abril de 1961. A exiguidade de tempo que dispunha para se apresentar a embarque, não permitiu que muito do seu pessoal se despedisse dos seus familiares. O navio que os transportou a Angola foi o Niassa que, a 22 de Abril levantou ferro15 de Lisboa.
 
O pessoal só foi vacinado a bordo dada a exiguidade de tempo para embarcar. De mencionar foi a dificuldade de adaptação do pessoal às condições de acomodação nos porões no navio que não permitia a respiração de muitos homens vendo‑se obrigados a pernoitar na coberta. A 2 de Maio o navio aportou em Luanda e o batalhão foi alojado no liceu feminino. A 13 de Maio, reforçado por dois pelotões da 81ª Companhia de Caçadores Especiais, marcha para o norte de Angola. No dia 19 de Maio, e já a caminho do Negage, tinham removido cerca de trezentas árvores e tapado algumas valas. Entretanto, iam tomando contacto, por diversas vezes, com as hostes dos guerrilheiros da UPA, tendo havido feridos de ambos os lados. Apesar da coluna ir apoiada por caterpillars que, por vezes, iam sobre as Dyamonds, a marcha foi muito lenta. Entre o Bungo e a pequena vila comercial de 31 de Janeiro (80 quilómetros) levaram dois dias. À aproximação da vila da Damba, começaram a aparecer aldeias com bandeiras brancas apesar de, a partir daí, os obstáculos serem maiores. Quando chegaram a altas horas da noite, à Damba, já esta vila tinha sofrido quatro ataques. Um pelotão do regimento de infantaria de Luanda ocupava a administração do concelho.
 
Fazemos aqui uma pausa, para referir, em pormenor, o ataque de 1 de Julho de 1961 e que se processou justamente da mesma forma como há 45 anos atrás (se pensarmos bem não é muito tempo, existiam velhos ‘Chefes Costumeiros’, e outros notáveis que se lembravam desses acontecimentos). O relato da história do Batalhão de Caçadores 88 coincide com a entrevista que nos foi concedida, há dias (Março de 2007), por um militar do pelotão do Regimento de Infantaria de Luanda e que estava na altura na Administração do Concelho, no topo norte. De registar que os guerrilheiros, apesar de saberem da presença do batalhão decidiram fazer o ataque do mesmo modo. As respostas ao seu tiroteio de kanhangulos e algumas espingardas foram feitas dos parapeitos das janelas. O assalto deu‑se com nevoeiro cerrado e ao alvorecer, chegando os guerrilheiros aproximar‑se cerca de 10 metros das primeiras viaturas. Entretanto, outro grupo desfechou uma incursão vinda do lado sul.
 
 
 
“(…) Porque o terreno era muito coberto e o farto cacimbo ainda concentrado na baixa, que se situa a seguir ao largo, tornava a perseguição cega e pouco lucrativa. Foi uma acção surpresa após duas horas de lutas para no dia seguinte se estudar o terreno e iniciar os ataques às sanzalas da estrada do Lucunga, nomeadamente às da Quiperenda e Quianica, onde o inimigo se encontrava há largos meses instalado e de onde fazia base para os seus repetidos ataques à povoação da Damba (…).” 16
 
 
Das ditas vata desfechavam os guerrilheiros da UPA os seus ataques à Damba, persuadidos que estavam da incapacidade de resposta dos sitiados da vila. Pelas 10H00 da manhã do dia 4 de Junho de 1961 e já levantado o cacimbo preparou‑se a 99ª e a 98ª Companhias do Batalhão 88 e avançaram pela estrada, que liga a vila da Damba à povoação do Lukunga, não sem terem que se defrontar com profundas valas e frondosas árvores que obstruíam a estrada. Após alguns tiros, as ditas companhias entraram nasvata Kianica e Kiperenda, onde encontraram instalado um hospital de campanha, no qual não faltava inclusivamente remédios, como por exemplo, penicilina. Os celeiros de amendoim e farinha de mandioca estavam repletos, procedeu‑se então à destruição das instalações e dos celeiros.
 

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