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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Os Zombos na Tradição, na Colónia e na Independência (34)

Publicado por Muana Damba activado 8 Febrero 2012, 04:57am

Etiquetas: #Fragmentos históricos do Uíge.

 

Por Dr José Carlos de Oliveira.


 


Apresentamos seguidamente uma carta que, pela sua oportunidade, merece destaque. Foi‑nos endereçada pelos ‘Chefes Costumeiros’ a que se refere o último telegrama. Estamos naturalmente a referir‑nos a determinados zombo, os já referidos nsondody nzila6 que melhor conheciam as nzila (caminhos de pé posto) percorridos, no mínimo, semanalmente para conduzirem populações que, vindas sobretudo do interior do norte de Angola, poderiam cair em emboscadas preparadas pelas companhias operacionais portuguesas, destacadas na área, que começavam a ter razoáveis conhecimentos da ‘guerra de guerrilha’, que a UPA começava a praticar.
 
Explicitemos um pouco melhor: a carta demonstra de forma inequívoca a importância dos Chefes Costumeiros, durante os anos de guerra, entre as populações que se mantiveram nos arredores de Maquela do Zombo (num raio de 40 quilómetros aproximadamente a partir da vila), na fronteira, em ‘aldeias recuperadas pela acção da psico‑social militar portuguesa’. Assim, o mfumu a vata continuava a representar uma espécie de rei, no sentido da linhagem, embora subordinado ao soba que regia os assuntos em qualquer das aldeias que lhe tivessem adstritas.
 
O mfumu é que conhecia os meandros da vata, indicando e seleccionando ideias que apresentava ao soba. Se, por exemplo, o soba recebesse das autoridades portuguesas ordem para executar determinada tarefa, reunia‑se com mfumu a vata e expunha‑lhe a “agenda do dia”, ou seja, o luta ntangu. Este, por sua vez, em forma de aviso, contava aos aldeãos e, especialmente ao nsondody nzila, se havia ou não algo de novo a tratar. Estas comunicações ainda se dão ao alvorecer ou ao deitar de cada dia. Portanto, nunca deixou de haver uma profunda e eficiente relação entre os responsáveis das vata. A este assunto será dada a devida relevância na secção “5ª Companhia de Caçadores Indígenas versus Batalhão de caçadores 88”.
 
Os interessados sobre o tema populações de fronteira em tempo de guerra, deverão consultar, por comparação, documentação sobre o assunto como, por exemplo, “O Salto para França”.
 
A carta vem endereçada de Leopoldville, hoje Kinshasa. O remetente é Bunga Paul (Paulo) chamando a atenção que é o pai () e a curiosidade maior é que, antes de assinar, escreve: A Bem da Nação.
 
Há necessidade aqui de um esclarecimento acerca de quem eram os ‘Chefes Costumeiros’: tratavam‑se de alguns mfumu a nsanda (chefes das matrilinhagens) e até sobas, a que as autoridades administrativas portuguesas da região, distribuíam cargos, como por exemplo, o de regedor e que inclusivamente se vestiam de forma apropriada à moda das autoridades coloniais, de que é exemplo, o regedor Nankinsi, que a administração de Maquela do Zombo contrapunha ao poder do mfumu a nsanda de Banza Pette, ficando este deveras prejudicado no seu poder real tradicional.
 
 

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