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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Pequena nota sobre a Ordem de Cristo no Reino do Kongo

Publicado por Muana Damba activado 10 Mayo 2014, 01:38am

Etiquetas: #Fragmentos históricos do Uíge.

 

Por Dr. José Carlos de Oliveira

 

Jose Carlos de Oliveira l

 

 

Nove cavaleiros, todos veteranos da Primeira Cruzada e liderados por Hughes de Payens, logo após a queda de Jerusalém, reuniram-se secretamente para reafirmarem a sua adesão ao Reino Cristão fundando a ordem dos Cavaleiros de Cristo fundamentada nos votos de castidade, pobreza e obe-diência. Sacrificaram as suas vidas a estes princípios, sob a égide de garantia do Reino de Cristo e até à sua morte dedicaram-se à protecção dos peregrinos. Vamos encontrá-los, tempos depois, sob a denominação de “Cavaleiros do Templo de Salomão”, ou simplesmente de “Cavaleiros Templários” que cresceu de forma impressionante tanto política como economicamente. Este poder devia-se a estarem directamente subordinados à autoridade do papa. Nenhum rei ou nação poderia tolher-lhes o passo. Porém, Filipe o Belo, monarca francês, tecia a sua malha infiltrando na Ordem vários espiões. Começava a metamorfose dos templários numa estranha sexta-feira dia 13 de Outubro de 1307. Foi o fim de Jacques de Molay e cerca de mais cinco mil Templários, quase todos os existentes em França.

 

Restou uma pequena célula em Portugal com a anterior denominação de Ordem de Cristo, tendo como seu grão-mestre o Infante D. Henrique, desempenhando papel fundamental na epopeia dos Descobrimentos. Após a aniquilação dos Templários na maior parte da Europa, a ordem continuou em Portugal, com a denominação de “Ordem de Cristo” (da qual o Infante D. Henrique foi Grão-Mestre) resultando no poder discricionário do Infante, muito por via dos bens incalculáveis dos templários terem revertido directa ou indirectamente a favor da bem organizada “multinacional “que foi a obra dos Descobrimentos. Assim se pode, eventualmente compreender a viabilidade estratégica e económica da impressionante empresa. Mas não seria tudo. Os tentáculos do poder de Inglaterra, há mais de cem anos instalados em Portugal contavam com a protecção de Robert Bruce Stuart (Roberto I Rei da Escócia). Esta aliança retirou todas as possibilidades de intromissão da Inquisição ao projecto da Ordem de Cristo, gozando assim de liberdade suficiente para continuar suas actividades. Os seus membros organizavam-se em fraternidades maçónicas. Em 1314 Robert Bruce e Johan Marcus Larmenio, fundavam “Loja dos Maçons Livres e Aceitos do Rito Escocês”.55

 

Paulo Dias de Novais, primeiro Governador de Angola era neto de Bartolomeu Dias, pai de António Dias de Novais Cavaleiro da ordem de Cristo56, confrontou-se muitas vezes com o poder dos jesuítas na celebre politica das minas que nada puderam contra Paulo Dias “apesar” deste ser cristão novo.

 

Breve nota sobre a “velha” Política das minas

 

“A doação da capitania de Angola foi efectuada por Carta de Doação, dada em Almeirim a seis de Setembro de 1571, sendo muito semelhante às donatárias do Brasil. Compunha-se a doação do rei a Paulo Dias de Novais, de duas partes distintas. Uma, compreendida entre os rios Dande e Quanza limites do reino de Angola – doada somente em vida, revertendo para a Coroa após o seu falecimento57, a outra, doada para sempre, constava de 35 léguas de costa para sul da margem esquerda do Quanza, estendendo-se tal como no Brasil para o interior tanto quanto possível… Dela sobressai à primeira vista, o seu elevado objectivo: o povoamento com condiçaõ que dentro de seis annos que começarão do dia que deste Reynno partir ponha na dita terra e capitania cem moradores cõ suas molheres e filhos e que etre alguns lauradores cõ as suas sementes e plantas q deste Reynno e da ilha de Santome se podere leuar…”58

 

Esboço da Carta de Doação, de Carlos Alberto Garcia59.

Estão aqui bem visíveis as fronteiras que limitavam a acção do primeiro governador geral de Angola. O reino do Kongo era uma questão que só dizia respeito ao Vaticano. A Coroa facilitava a exploração do reino de N’gola durante a sua vida, ou seja, teria o seu uso fruto enquanto vivesse. Quanto ao reino da Matamba (Benguela) Pois bem, lutasse por ele .

 

Passaram-se entretanto quatrocentos anos (1575/1975) e a questão dos limites dos direitos dos reinos, por coincidência, continuaram sensivelmente os mesmos. Os Bakongo (UPA) a reivindicar o que estivesse a norte do rio Dande (pretendendo até anexar o rio Bengo) o MPLA a instalar-se no reino de Ngola (apoderou-se das três partes) e a UNITA reivindicava o espaço do reino de Benguela.

 

“Esta politica destinada à exploração das minas de metais preciosos que porventura jazessem no continente africano foi, certamente dirigida por um cérebro frio, metódico e calculista, muito naturalmente de Martin da Câmara, que ocupava na corte o elevado cargo de escrivão e senhor de poderes discricionários… a «política das minas», pela sua importância e complexidade, foi característica de um determinado grupo que outro não era senão a Companhia de Jesus…tenha-se em devida conta que foi um jesuíta quem falou no ouro da serra de fura foram inacianos também que, uma vez chegados a Angola, ajudaram poderosamente a manter o mito da prata de Cambambe”60. “Se quisermos ter em atenção o forte predomínio dos irmãos Câmaras, confessor de D. Sebastião um, escrivão da puridade outro, nãos nos será difícil admitir ser Martim Gonçalves da Câmara – presidente da mesa da consciência, antigo reitor da Universidade de Coimbra, sacerdote e Doutor em Teologia, o mentor e o mais representativo cultor da chamada «política das minas». Foram os irmãos Camaras os condutores da política nacionalista…61

 

De posse destes relevantes dados já se pode ter uma ideia dos objectivos a perseguir pelas autoridades portuguesas aquando do início da colonização integrada na ocupação efectiva (1876-1925) e o seu objectivo económico, politico e cultural, para a relação de poderes em que forçosamente intervieram, especialmente kongos, portugueses, ingleses, alemães, franceses e belgas. Para uma melhor compreensão deste assunto, é de primacial importância conhecer figuras chave de exploradores da estirpe de Stanley, Brazza, Livingstone, especialmente o colonialista Harry Johnston. A sua reputação levou a rainha Victória a nomeá-lo líder da questão “Bacia Convencional do Zaire”. Foram estes colonialistas africanos com que os políticos portugueses dos finais do século XIX tiveram de se haver. Na segunda parte deste artigo darei pormenores que, por terem relevância, fará todo o sentido uma breve descrição dos mesmos, para compreensão do fenómeno que foi o desenvolvimento das acções diplomáticas, militares e administrativas no teatro de operações de S. Salvador actual Banza Kongo a partir dos últimos 25 anos do século XIX e dos primeiros vinte cinco anos do século vinte.

 

 

 

 

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