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Portal da Damba e da História do Kongo

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Os anos de paz na província do Uíge.

Publicado por Nkemo Sabay activado 27 Septiembre 2010, 12:21pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

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         O Grande Hotel e prédio Imbondeiro na cidade do Uige.

 

Por MATUMONA MUANAMOSI.

 

Nunca a cidade do Uíge revelou um rosto tão bonito como agora. Era preciso esperar oito anos de paz para que a capital da província mudasse, substancialmente, ante a satisfação quase total dos seus filhos, habitantes e visitas que não conseguem desligar-se, com facilidade, desta acolhedora região, tradicionalmente conhecida como "terra do bago vermelho". De facto, já lá foi o tempo em que o café era a fonte principal de rendimentos para muitos, tempo em que esta cultura era tida como o grande símbolo da zona. O café era, de facto, reconhecido como a "riqueza do povo", pois era acessível a qualquer cidadão que, mesmo rudimentarmente, conseguia organizar e gerir os produtos, em grande ou pequena quantidade, que serviam para o bem-estar.
E assim, a vida ia andando, e o uigense vivia feliz! Todavia, a maldita guerra estrangulou tudo e fez recuar muitos planos que visavam o progresso e a promoção social, até das famílias "esquecidas". Mesmo assim, hoje, a província do Uíge continua a ostentar o título da "terra do café", quando outras culturas de referência vão sendo cuidadas para o sustento da economia doméstica ou local: banana, mandioca, ananás, feijão, batata são, entre outros, produtos que diariamente sustentam o povo desta parcela do território angolano.
Porém, nestes dias, a grande novidade que se pode registar em evidência não é apenas a aposta no relançamento do cultivo do café, apesar das movimentações visíveis que visam a concretização deste bendito sonho de voltar aos velhos tempos do bago vermelho. A nota de maior saliência é a estrada bem reabilitada da cidade capital, que com isso apresenta uma cara nova, pelo que completamente diferente da dos anos anteriores. Em várias edições passadas deste mesmo matutino, e neste mesmo espaço, falou-se tanto do estado lastimável em que se encontrava a cidade do Uíge em termos de estradas.
Quando, por exemplo, a viagem Luanda/Uíge ou Negage/Uíge era feita com muito conforto, porque as estradas destes percursos já tinham sido reabilitadas há bastante, claro que o mesmo não acontecia com o "tapete" da cidade capital, que só provocava vergonha aos seus governantes, em primeiro lugar, e aos próprios filhos da terra, em segundo. O povo gritava, lamentava; os turistas pior ainda, e sentia-se a necessidade de derrubar esta “onda de lamentações”, com trabalhos sérios e produtivos, trabalhos estes que podiam ser o "motor" das grandes mudanças que eram mesmo necessárias registar. Os dirigentes locais prometeram, sensibilizaram as populações para serem pacientes e optimistas...
Os resultados não apareceram de imediato, e Uíge passou até a ser chamada "cidade de buracos e de poeira". Era um grande incómodo para quem quer que fosse, pois notava-se a falta de algo que deveria ser feito ou refeito para que Uíge voltasse a brilhar.
Depois de tanto trabalho, os operários chineses, que também vão dando outra imagem à cidade, conseguiram, finalmente, apresentar os frutos do seu empenho. Hoje, Uíge apresenta-se como uma "cidade de asfalto", pois o "tapete" já está estendido quase por toda a cidade. As viaturas circulam normalmente e o povo está a apreciar, religiosamente, o novo rosto da sua terra. Mas, o mesmo povo parece estar ainda pronto para reclamar por outros empreendimentos que sejam também benéficos para a terra: água potável, luz, assistência médica e medicamentosa, e outras iniciativas pontuais devem registar melhorias, pois a paz veio mesmo para melhorar a vida do povo, em todos os sentidos.
Por isso, a reabilitação das estradas não pode ser a única obra que possa dignificar e marcar o projecto da urbanização do Uíge. O povo, com muita razão, quer e precisa de mais, para que sinta mais os benefícios da viragem positiva que o país está a registar, depois da guerra que, durante muito tempo, "torturou" os angolanos, em especial os uigenses, que viveram, directamente, na carne e no espírito, os efeitos nocivos do conflito armado, que fez atrasar o país na sua corrida para o progresso e desenvolvimento. Ainda bem que hoje, os uigenses deram mais um passo neste sentido. Mas a sua satisfação não é ainda total, pois esperam por outras "surpresas" para confirmar que a era da paz é tempo para apostas sérias. E tudo para o bem do povo. Mas o melhor é que todo o país sinta os efeitos positivos de uma época sem guerra nem outro qualquer conflito. 

 

                                                                                                                                      J.A

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