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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Onde está Eloy Aires?

Publicado por Muana Damba activado 19 Septiembre 2013, 03:48am

Etiquetas: #Coisas e gentes da Damba

 

 

Por Isabel João

 

   

A revolta dos familiares dirige-se sobretudo à dnic que há nove meses não diz nada

 


A última vez que foi visto foi no dia 2 de Janeiro de 2013, na ilha de Luanda. A partir daí a ausência de
notícias só trouxe angústias. A família está agastada com o desaparecimento do jovem, de 25 anos, e
com a falta de explicações sobre o caso. A Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) apenas diz
que está a investigar.



A revolta dos familiares de Eloy Aires Cudidia Laurindo dirige-se sobretudo contra a DNIC que, há nove
meses, não diz nada sobre o desaparecimento do jovem. “Não é normal o que está a acontecer. Como é que as pessoas desaparecem assim? Será que o nosso familiar foi engolido pela terra? A polícia não diz nada, a resposta é sempre a mesma, para esperarmos porque estão a investigar. Já não sabemos o que fazer”, queixa-se um familiar.

 

Amílcar Laurindo, irmão da vítima, recorda que começaram por ter o companhia dos familiares da esposa, que também não sabem dizer o apoio do efectivo da Polícia Nacional, o que deixou de acontecer. “No princípio, a polícia estava a colaborar com a família, mas depois de algum tempo, não sabemos porquê, perderam o interesse no caso. Quando chegamos à DNIC a única resposta que nos dão é que estão a investigar e que não têm informações, para termos calma. É sempre a mesma resposta”.

A família, segundo o jovem, estranha o facto de o caso ter passado do departamento de captura e buscas para o departamento de crimes organizados, sem que os familiares tenham sido informados
dessa mudança.


airesa   O desaparecido Eloy Aires Kudidia é neto do patriarca mundamba Nolo Kudidia na Regedoria do Zongo

 

Segundo Amílcar Laurindo, no dia em que o irmão desapareceu sem deixar rasto estava na praia na companhia dos familiares da esposa, que também não sabem dizer o que de concreto aconteceu, insistindo em contar uma história com muitas incongruências.

“Dizem que depois do primeiro mergulho, já não o viram mais. Mas o pessoal do restaurante deu-nos outra informação, dizendo que o meu irmão estava sentado numa mesa sozinho e os três estavam numa outra. Depois apareceram outros dois jovens na mesa onde estavam os três, o meu irmão disse a um trabalhador do restaurante que estava a pagar a conta porque os dois jovens que se juntaram aos cunhados não prestavam. Passámos a informação à polícia mas nada foi feito, nem procuraram saber junto dos três quem eram aqueles dois jovens”.

 

Discrepâncias

 

Doutro lado que leva a família a desconfiar que alguma coisa está mal nesta história é o facto de os
jovens que estavam com ele dizerem que o Eloy trajava um calçãode praia, supostamente adquirido
no local. “Perguntámos onde estava a roupa dele e não conseguem mostrar-nos a roupa e no restaurante disseram-nos que ele não usava calção de praia”, relata a irmã do jovem desaparecido, acrescentando que deram conta desta discrepância aos investigadores do caso, que tem o número de processo 150/13.

De acordo ainda com Amílcar Laurindo, a família tomou conhecimento do desaparecimento de Eloy Aires por volta da meia-noite do dia 2 de Janeiro de 2013, enquanto que no registo policial está escrito que ele desapareceu às 17h00. “Então o vosso amigo desaparece e só avisam a família depois de várias horas? Não se compreende, é um absurdo. Quando ligaram para dizer que o meu irmão estava desaparecido, eles todos já estavam em casa, porque é que não avisaram antes? Eles dizem que o meu irmão tomou banho, mas o pessoal do restaurante diz que não. O que se passou de concreto?”, questiona a mulher.

A família desconfia que os cunhados de Eloy são os principais suspeitos do desaparecimento por terem
dito que as chaves do carro estavam amarradas ao calção do desaparecido. “Foi muito estranho porque, no mesmo dia, fomos ver e não encontrámos o carro. Como é que carro saiu do lugar se as chaves estavam com o Eloy?”, indaga novamente a jovem.

Eloy Aires desapareceu no dia 2 de Janeiro deste ano, na ilha de Luanda, quando estava na companhia de familiares da esposa. Formado pela Universidade Independente de Angola, o jovem é engenheiro de construção civil na empresa “Pro Arq”.

Na lista de pessoas que desaparecerem sem deixar rasto constam ainda os nomes da jornalista guineense e professora universitária Milocas Pereira e de Alves Kamulingue e Isaías Cassuele. Milocas Pereira desapareceu em Junho de 2012. Segundo informações apuradas pelo Novo Jornal, não há registo de que a jornalista tenha saído de Angola e no seu  país de origem, a Guiné-Bissau, a família não tem qualquer notícia sobre o seu paradeiro.

Na mesma situação encontra-se o caso dos dois jovens manifestantes que desapareceram em Março
do ano passado. A polícia diz estar a investigar o caso, mas a verdade é que até hoje ninguém sabe explicar o que aconteceu com Alves Kamulingue e Isaías Cassuele.

O Novo Jornal tentou contactar o director da DNIC, Eugénio Alexandre, mas os nossos esforços foram em vão.                                        

 

 

                                                                                                N.J

 

 

 

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