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Portal da Damba e da História do Kongo

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O Nome como traço das origens (do Reino do Congo)

Publicado por Muana Damba activado 27 Noviembre 2012, 03:05am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

 

Por Patrício Cipriano Mampuya Batsikama


 

Batsikama

 

 

Quando um umbùndu pergunta: «onduku yove?» (como te chamas?) estaria a perguntar-se de seu nome de nascimento (na compreensão actual). A questão traduz-se literalmente por foi-te imposto que nome? «Ondûku», do verbo nduluka, significa dar o nome ou impôr o nome a alguém. Em Nyaneka, acontece a mesma coisa. Aliás, neste grupo etno-linguístico, o nome corrente que uma pessoa leva diz-se constantemente enyina, elinya, elinha ou onduku (ondûku yelye: qual é o teu nome?), mas o primeiro, enyina ou elinya, explicita a sua ascendência, dependendo da forma como é colocada a questão.


Em Nyaneka dar o nome é «lûka enyina», em umbûndu é «lûka» ou «ndúlùka». Em Kikôngo, temos «kulûka» que, também, significa dar nome de alguém ao recém-nascido ou, simplesmente, a uma pessoa.


«Lúkulula» é a variante umbûndu. «Enyina» marca o tempo, a época, o grau de parentesco e a geração nos Nyaneka. «Nkûmbu» kikôngo, além de significar tudo isso, pode vir a ser o sobrenome, a alcunha, a assinatura ou ainda o título. Quando apetece a um Nyaneka identificar-se perante outras pessoas e, muitas vezes, nas regiões distantes, o termo concreto utilizado é «litûmbula187 enyina», isto é, «dizer o seu próprio nome, a sua ascendência,a sua origem.» umbûndu «onduku» deriva de nduluka, luka (dar o nome).

Ora, o título em umbûndu é «otchitúkulo» que deriva de túkula (de túka): nomear a um cargo; elinya ou enyina Nyaneka vem de yînya ou lin(h)a, isto é, ter relação com; e «nkûmbu» Kôngo vem de kûmba: dar a conhecer de todos, ser conhecido universalmente, em todos os sítios. Mas, o nome é o bilhete de identidade para o indivíduo que em todos os sítios em que se pode encontrar será reconhecido como cidadão. No entanto, em Nyaneka, identificar-se perante os outros diz-se «litumbula». é de notar que a raiz deste termo está presente em umbûndu, Kikôngo, Côkwe e Kimbûndu.


Umbûndu tem tumila para empregar. A mesma raiz com tuma (tumila = tumba): designar alguém, ordenar alguém a fazer algo, ou dizer algo; também, em Nyaneka, «litumbula» é, em princípio, a resposta a uma pergunta, a uma obrigação que lhe foi imposta ou concedida anteriormente. Eis
porque litumbula, em Nyaneka, significa «ser instigado a fazer algo», cuja variante umbûndu reduz-se a tuMA: indicar alguém as linhas a seguir; ou tuMISA: instigar a fazer. Em kikôngo, temos tuMA, forma comprimida de tuMBA: ordenar, designar alguém, tuM(B)ISA: excitar, instigar; tuM(B)uNuNA: notificar em resposta. também tuMBA: fazer ordenação, promover, instalar ou vestir alguém de um emprego, da dignidade, coroar, elixir, etc. Morfologicamente, tumila teria dado origem a tumba consoante a tradição da metamorfose dos fonemas.


Como podemos julgar de uma forma simples, o nome na sociedade angolana é princípio de um indivíduo, explicando quem é o indivíduo. Servir-lhe-á de bilhete de identidade em todos sítios a fim de certificar a
sua cidadania.

 

Vimos antes que Nyaneka tem lina, enyina ou elinya como nome a fim de designar a sua ascendência. utilizam, também, tukulo, se bem que é um termo vizinho dos umbûndu: ocitukulo. Nesta correspondência retemos etuku (umbûndu), onthuku (Nyaneka) como não apenas apelação de alguém, mas também causa, fonte, sua ascendência. Outros sinónimos são ekumbi, ehumbi, ekhumbi ligados ao Sol, país-de-grande-calores (?). Kimbûndu e Kikôngo têm tuka que significa: vir, originar de, tirar a sua origem de, etc. é curioso ver Nyaneka lina ou elinya (enyina, elinya, etc) que deriva de «yina» ou «lina» (linha). Esta palavra não só significa «ter relação com», como também a mesma pronúncia significa cozinhar, calcinar, que é sinó- nimo de pisa. Este último, como vimos em umbûndu, pisa ovala designa
fazer ou cozer ou calcinar o casamento. De facto, «ethuku» e «ekumbi» não só significam origem, ascendência (nome), mas também 1) o calor ou luz que o sol trouxe durante o dia, como a nostalgia ou a recordação, enquanto a noite todos estão reunidos à volta do fogo; 2) simplesmente, o sol.


A respeito de Kimbûndù, falamos de tuMBA, termo ligado 1) «às origens do povo»; 2) à actividade durante a estação seca; 3) plantar, semear, etc., que é sinónimo de PIXI (mesma raiz que pisa umbûndu) e de Kubânga que significa «estação seca». Ora, como vimos, o termo pisa quer dizer189 não somente origem, mas também cozer. Kubanga (nome de estação seca em Kimbûndu) vem do verbo kubangêsa: começar, em kimbûndu, mas também calcinhar. As mesmas palavras em kikôngo (tûmba, Kubânga190), como já vimos, estão ligadas não só ao nome, mas também à origem, princípio relacionado ao calor, ao sol, ao fogo, a fogueira, etc.

 

 

Extrato do livro: " As origens do Reino do Kongo " editado por:

 

 Mayamba Editora

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