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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


O Mito do Kolly M'vila. Um exempro para a diáspora angolana.

Publicado por Nkemo Sabay activado 2 Abril 2010, 10:39am

Etiquetas: #Entrevistas

kolly M'vila pertence a jet-set angolana e é muito famoso.Muitos desconhecem a origem da sua fortuna.Muana Damba publica a entrevista feita há alguns meses pelo jornalista Waldeney Oliveira do Jornal "O País".


A incrível história do menino que nasceu no mato e hoje vende automóveis de luxo para a alta sociedade angolana. Homem das mil profissões, ele foi o primeiro patrocinador dos pioneiros do hip hop em Angola, os SSP

É difícil definir António Pinde Villa, mais conhecido por “Kolly-Villa”. Por um lado é uma pessoa exibicionista e algo excêntrica. Por outro é um homem simpático e carismático. Natural de Cuílo Futa, província do Uíge, Kolly acarreta desde cedo uma louca paixão por carros exóticos. Pioneiro em Angola, das jantes de platina “BlinBlin”, foi o primeiro africano a ir ao PimpMy Ride (programa norte-americano de televisão, produzido pela MTV apresentado pelo rapper Xzibit, que consiste em restaurar automóveis e modificá-los com os mais diversos adereços e tecnologias). Homem das “mil e uma profissões”, Kolly é o “businessman” que comercializa os automóveis de luxo para a alta sociedade, é fornecedor de roupas do estilo rapper aos cantores angolanos e recentemente apostou na venda de roupa para as pessoas mais fortes.

FAMOSO E CARISMÁTICO

Mas a sua vida nem sempre foi uma história cor-de-rosa. Tal como sucede nos contos de fadas, também a meninice de Kolly Villa foi bastante dura. Em 1966, os seus pais fugiram para o Congo Democrático, após a sua aldeia ter sofrido um ataque militar. O bebé Kolly foi deixado aos cuidados da avó Luísa, tendo de partilhar o peito com a sua tia Longa (também recém-nascida na altura) e só chegando a conhecer os seus pais aos 13 anos de idade. O jovem Kolly fez o ensino preparatório na sua terra natal, da qual só saiu em 1981 para cumprir o serviço militar, juntamente com o seu irmão Yanik (o conceituado rapper dos Afroman).

Em plena “recruta” Kolly Villa sofreu um novo acidente que mudou a sua vida. A sua base militar (de Aldeia Viçosa) foi atacada e o “mancebo” foi alvejado com um tiro na perna esquerda. Face à gravidade do ferimento Kolly teve de ser evacuado para Cuba de modo a ser submetido a uma cirurgia. Em 1982, regressou a Angola e decidiu tentar a sorte em Luanda como “quitandeiro” no extinto mercado do “Tira- -Biquini”. Nessa altura ele comercializava apenas “pedra de isqueiro” e rádio (uma marca antiga vulgarmente conhecida como “conhó”). Kolly demonstrava ter alguma habilidade para o negócio e um espírito de poupança. “Eu guardava todo o meu dinheiro num garrafão. Não tinha muitos motivos para o gastar porque os mais velhos é que me forneciam os produtos”, frisou.

Após o encerramento do “Tira-Biquini”, foi transferido para o “Cala-Boca” e, posteriormente, para o Roque Santeiro. Para Kolly essa foi a “gota-de-água”. Na noite da transferência, resolveu deixar de vender em mercados. “Parti o garrafão de cinco litros e comecei a contar e a engomar as notas.Usei ferro de carvão e engomei, nota por nota, pois não havia luz eléctrica na Petrangol. Este processo levou-me quatro horas”, recorda divertido. No final tinha conseguido poupar 30 mil 

 

Homem das mil e uma profissões Kolly é um empresário que comercializa os automóveis de luxo para a alta sociedade. É fornecedor de roupas do estilo rapper aos cantores angolanos e apostou na venda de roupa para as pessoas mais fortes. ele foi o primeiro patrocinador do mais conceituado grupo de hip hop em Angola (os SSP, na foto à esquerda) e actualmente está a apadrinhar o próximo disco do rapper Yanik – por sinal é seu irmão.

 

Foi nessa altura que a tragédia voltou a bater à sua porta. Kolly perdeu a sua segunda filha (tem oito). Ainda jovem e morador da Petrangol, bairro onde se situava o antigo ex-mercado do “Tira-Biquini”, Kolly decide ter casa própria. “Logo após ter deixado de vender nos mercados, comprei um quintal na Petrangol e a minha primeira viatura, um Lada Niva. Pouco tempo depois, a minha filha faleceu por doença, pelo que os meus amigos me acusaram de feiticeiro” relembra. “Existem coisas que o povo não consegue entender. Para se conseguir algo de valor é necessário que nos esforcemos. Se tenho, o que possuo hoje; é porque lutei e consegui conquistar o meu espaço com muito sacrifício e trabalho”, declara.Hoje Kolly é um exemplo vivo do empresário bem sucedido. Longe vão as dificuldades de infância. Famoso, carismático e sempre disposto a apoiar a juventude, Kolly-Villa foi o primeiro patrocinador do mais conceituado grupo de hip hop em Angola (os S.S.P) e patrocinou ainda os vídeos dos cantores Lutchana, os VIP, os Kalibrados e outros. Actualmente está a apadrinhar o próximo disco do rapper Yanik.

NA PRIMEIRA PESSOA
Tem oito filhos, cinco automóveis e várias casas. É aqui que gosta de viver e passar férias. Não prima pela modéstia. Diz não ter rivais à altura em Luanda. Ninguém está aos seus pés.
Quem é Kolly Villa (KV)?
Alguém que passou por momentos muitos difíceis na vida, sofreu e cresceu com tudo isso. Considero-me uma pessoa super simpática. Muito solidária com os miúdos de rua.
Qual é a sua proveniência?
Venho do mato. Nasci na zona do Cuílo Futa, província do Uíge.
Qual foi o primeiro carro de KollyVilla?
Foi um Lada-Niva, comprei-o na Bélgica. Posteriormente comprei um Peugeot.
De onde surgiu o seu “amor” pelos automóveis?
Desde criança sempre gostei de carros exóticos, mas infelizmente na altura não havia muitos no mercado. Com o avanço da tecnologia surgiu o “blin blin” norte-americano. Sou o pioneiro deste produto em Angola.
Dos carros que já teve, qual é o que mais o marcou?
Já tive vários carros e muitos marcaram-me. Tudo o que é meu, é bom. Faço questão de artilhar os meus carros nos Estados Unidos, antes de trazê- -los a Angola. Faço-o com gosto, nem que tenha de esperar três ou mais meses. Mas têm que ficar conforme eu quero.
Qual é o mais automóvel que já comprou?
O Audi Q7.
Quem são os seus potenciais concorrentes em Luanda?
Não tenho concorrentes à minha altura em Luanda. Ninguém está a meus pés.
De onde é que provêm os automóveis que comercializa?
Os meus automóveis provêm dos Estados Unidos. Já não vou à Europa há mais de dez anos.
Já teve algum acidente com alguns dos seus carros exóticos?
Já. Foi com um Toyota MR 2, que trazia o sistema de alarme “engine start”. Na altura eu ainda era namorado da minha esposa, deixei o carro estacionado numa descida. Saía da casa da minha sogra, já meio ensonado, apertei o comando e o carro desceu o Kinaxixi em direcção à embaixada portuguesa partindo outros seis carros
Já foi enganado?
Já. Comprei um Hummer nos Estados Unidos. Deixei a responsabilidade e o dinheiro com um amigo que garantiu que ia enviar o automóvel para Angola. Enquanto esperava pelo carro recebi um fax proveniente da Pensilvânia informando-me que o automóvel estava retido e os direitos estavam por pagar.
Já foi assaltado?
Sim. Perdi 90 mil dólares.
Conte-nos essa história do roubo de 90 mil dólares?
Risos. Foi debaixo do meu prédio. Saía do banco, fui interpelado por quatro moços de mota “rápida”. Eles pediram-me o saco de dinheiro com pistolas apontadas à minha cabeça. Levaram-me todo o dinheiro e até hoje a policia ainda não o recuperou
Quais são os automóveis que tem no momento?
Tenho duas viaturas X6, da BMW (último modelo); um Hummer H2 de 2009 (último modelo); um Cherokee amarelo, e uma Van, da Kia, que apoia os meus filhos. Ou seja, no total tenho cinco automóveis.
E quantas residências tem?
Tenho muitas casas. A actual é na rua Amílcar Cabral.
Carro dos sonhos?
Rolls-Royce Phantom
Carro que nunca compraria?
Hummer H1. Não compro, acho-o feio.
Figura angolana
Camarada Presidente José Eduardo dos Santos
País para viver?
Angola, província do Uíge
Local para férias?
Angola, província do Lubango
Cantor angolano?
Paulo Flores

Cantor internacional?
Koffi Olomide
Estilo de música?
Soul Music e R&B
Qual é o segredo para tanta popularidade e carinho do público?
Em Luanda, tu tens que ser simpático com todo o mundo. Pior ainda se tiveres um carro de referência. Risos
Conselho para os mais novos?
Tenho estado muito preocupado com o futuro de Angola, principalmente com a juventude de hoje. Por isso eu aconselho-os: párem com o consumo exagerado de álcool, e concentrem-se mais nos estudos. Aproveitem a oportunidade que o Ministério da Juventude vos tem oferecido. O programa é promissor e muito aliciante para os jovens.
Waldeney Oliveira                                                        opais.net
 
 

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