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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


O HUMANISMO DOS HOMENS NÃO SE MEDE COM ACTOS DE GUERRA.

Publicado por Muana Damba activado 9 Julio 2011, 02:27am

Etiquetas: #Coisas e gentes da Damba

 

 

Por Dr Camilo Afonso " Nanizau"

 

O Batalhão de Caçadores 141, com passagem marcante no antigo da Damba, celebra neste ano de 2011 o seu ano jubilar. E, na celebração dos 50 anos, recordo alguns dos seus integrantes e pessoas minhas amigas, como é o caso do Dr. Albertino de --mais conhecido na altura da Vila da Damba, como Alferes Albertino, que pela sua jovialidade e maneira de ser e de estar com as gentes da Damba contagiou grande parte dos seus oficiais e subalternos. Hoje, é muito relembrado por algumas famílias da nossa Damba, que ele soube apoiar e ajudar, mesmo depois de ter saído da Damba. Em Luanda, onde passou a residir e a trabalhar, foi muitas vezes contactado pelos Dambenses. Recordações da Família Rómulo Francisco, da Família Samuel Ambrósio, da Família Miguel Laurentino, da Família Manuel Tungo, a Família Magalhães, da Família Kiame, da Família Costa Makamo, no Kinssanga , da Família Panzo Sovinga, da Família Soba Kabiba…Apenas para citar estas, porque a lista é longa!

E porque não falar do meu irmão mais velho, Fortunato Sovinga Landa, a quem ele ajudou a obter o seu primeiro emprego no JASTA, em Luanda, e hoje é Comandante nas linhas Aéreas de Angola, TAAG.

 

O nosso reconhecimento por este apoio prestado na altura devida.

 

Como não recordar também o Dr. Sanches o nosso médico, incansável em atender todos os que o procuravam no hospital e mesmo em sua casa (1) para tratamentos.

 

E o Artur Mendes, hoje reencontrado com a Damba a partir do Blogue Muanadamba, que tantos documentos sobre a história da Damba tem vasculhado nos Arquivos Militares e Civis de Portugal, visando tornar mais conhecida essa bela Vila da Damba e o seu passado histórico, com os olhos postos no desenvolvimento do seu futuro.. A vila que ficou conhecida nos actos. A Vila que ficou conhecida nos manuais escolares do período colonial pelos actos de resistência praticados pelos seus filhos, tem muita história e os factos são para serem contados com realidade e justeza.

 

Concelho Administrativo

 

Apesar de terem sido enviados para Angola pelo regime ditatorial de Salazar, para combaterem os famosos “Turras” ou “Terroristas”, os forjadores de Angola independente, no seio desses jovens Portugueses, estavam imbuídos de Valores Humanistas, que caracterizam qualquer ser humano, fruto da educação recebida em família que souberam educá-los no reconhecimento da pessoa humana. A situação vivida na altura não se compadecia com actos de complacência porque a intensidade das acções guerreiras não permitia isto. Mas a boa semente estava plantada nos corações de muitos destes militares que estiveram na Damba.

 

Factos marcantes se deram nessa altura nas populações do Concelho da Damba.

 

Muitas populações e famílias inteiras foram recolhidas nas matas pelo Batalhão e distribuídas entre os Bairros de Kiteka, Quinssanga, e Sanzala-Artistas foram auxiliados pelos Missionários Capuchinhos da Missão Católica da Damba, sobretudo na pessoa do seu superior de feliz memória , Padre Camilo Peraro. Todos contribuíram na justa medida para moralização das populações aflitas pela situação da guerra que se vivia na região.

 

O humanismo das pessoas não se mede com acções de guerra, mas com acções que visam descobrir em cada ser humano um ser igual a nós, o nosso próximo. O sofrimento do ser humano deve ser entendido e contemplado com acções que o ajudem a recuperar o sentido da vida e o revigoramento moralmente, na certeza de um amanhã melhor e mais feliz. Foi com este espírito humanista que O Batalhão Caçadores 141, que hoje comemora o seu jubileu, apoiou e deu nova vida à jovem paralítica Helena Tutu, filha do Sr. Pedro Afonso Tutu, servente dos Serviços de Saúde, na altura no Hospital da Damba, e que muito trabalhou na residência do médico militar. Num acto comovente e de muito sentido humano , as populações da Damba assistiram à entrega duma bicicleta adaptável à sua condição física, pelos Oficiais Superiores deste Batalhão. Acto que comovente, porque a jovem Helena Tutu, apesar da sua condição física, quis sempre estar presente no meio das demais jovens da sua idade. O seu apego à aprendizagem foi muito marcante, o que obrigava o seu pai Afonso Tutu a levá-la no dorso todos os dias de casa para a escola e vice versa. Esta foi uma situação vivida por todos e que teve pronta resposta da Companhia 142 ( o BC. 141), terminando assim a dura caminhada do pai incansável Afonso Tutu, que só queria ver a sua filha única estudar, tal como as outras meninas da sua geração. A missão foi cumprida . E Helena conseguiu concluir a formação primária.

 

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                Helena Tutu em tricicleta, oferta do Batalhão de caçadores 141.

 


A Sra. Helena Tutu passo por todas as vicissitudes da guerra do nosso país , mas quem tem fé em Deus sabe sempre colher bons frutos. Depois de completar a formação primária , Helena aprendeu a costurar com as Irmãs de Misericórdia da Missão da Damba, uma formação e profissão que lhe possibilitaram fazer face às contingências da vida . Na graça de Deus , e sem olhar para o seu estado físico , conseguiu ter um lindo casal de filhos, sendo que o seu primogénito se consagrou à vida religiosa e e hoje Padre Pedro Afonso dos Santos. É a Madalena dos Santos, já casada , que se ocupa da mãe, auxiliando-a nas pequenas lides, dada a sua condição e a idade que não perdoa.

 

Hoje, Helena Tutu pode dizer, como Maria. “ A minha alma glorifica ao Senhor, que fez em mim maravilhas, Santo é o meu Nome”.

 

Este é o testemunho que o nosso “soba” Muanadamba, Artur Mendes, quis que eu fizesse no reconhecimento desta nobre acção. Humanística praticada nas terras de Namputu e Nakunzi, hoje Ndamba(1), pelo seu Btalhão de Caçadores 141. Os frutos estão à vista. É mesmo de agradecer Deus e aos praticantes. Bem Hajam! Souberam escolher o trigo do joio no momento certo. Era também preciso proteger e salvar vidas. Os resultados da guerra nunca foram gratificantes, mas os dos homens, estes sim, se podem medir pela sua amplitude e justeza.

 

Quero, finalmente, desejar a todos os integrantes do Batalhão 141, festas felizes do vosso ano Jubilar . Espero que um dia voltaremos a estar juntos na bela e inesquecível Vila da Damba, e possamos ajudá-la no seu desenvolvimento progresso e futuros.

 

 


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