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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


O alambamento na tradição Bakongo

Publicado en 11 Octubre 2009, 06:29am

Etiquetas: #Usos e costumes da Damba

Estudos de casos de alembamentos realizados em famílias oriundas da Damba e de Maquela do Zombo fixadas em Luanda a partir de 1980

O presente artigo, que tem como tema o Alembamento na Tradição Bakongo, é resultado de um estudo sociológico realizado ao longo de um ano que serviu como tema de dissertação de fim de curso na área de Sociologia na Faculdade de Letras e Ciências Sociais.

Pretendemos com esta publicação, primeiramente, levar ao conhecimento do leitor determinados aspectos reais ligados a este ritual que não é exclusivo dos Bakongo, mas que é também praticado, de uma maneira ou de outra, por todos povos de Angola bem como em toda região Bantu (como nos explica Pe. ALTUNA). De seguida queremos com isso despertar a sociedade angolana fazendo-a recordar-se de uma das muitas raízes culturais que existem neste país. Em terceiro lugar, analisar as possíveis influências de factores como o passar do “tempo” e a mudança de “espaço” (localização geográfica) neste ritual.

Como se sabe, nenhuma sociedade se encontra desprovida de hábitos, de usos e costumes, de conhecimentos, ritos e tradições que lhes são peculiares. Por essa razão, estes elementos culturais que variam no tempo e no espaço exercem profundas influências sobre os indivíduos e regulam não só os modos de união conjugal, mas também os requisitos e as normas de casamento (indissociáveis dos saberes e/ou dos mitos que fazem parte da vida de cada povo). Por exemplo, em algumas sociedades (como em muitos países ocidentais), o acto de oferecer um anel com uma pedra de brilhante significa as intenções matrimoniais de quem faz a dádiva (prática que também já vem sendo utilizada em substituição do alembamento por algumas famílias angolanas). Já noutras sociedades (como acontece em muitas regiões da África) as intenções matrimoniais não consistem meramente na oferta de um anel, pelo contrário, prescrevem uma série de requisitos materiais e simbólicos “que estão ligados aos saberes dos indivíduos e grupos” daquela sociedade.

Por isso, neste grupo e em quase toda África, como afirma RadcliffeBrown “um casamento engloba o pagamento de uma prestação do noivo ou pelos seus parentes ao pai ou ao representante da noiva” [Radcliffe-Brown & Forde 1982: 66], pois o pagamento da prestação em bens (dados pelo noivo aos parentes da noiva) constitui a parte essencial para o estabelecimento da legalidade do matrimónio. Em Angola, devido à diversidade cultural, cada comunidade ou grupo etnolinguístico possui as suas próprias estratégias matrimoniais. E mesmo entre povos do mesmo grupo podemos encontrar algumas diferenças, por isso, nos apegámos apenas a dois municípios da província do Uige: Damba e Maquela do Zombo, sem esquecer de mencionar os estudos que foram feitos junto dos Bakongo provenientes destas áreas que vivem em Luanda há mais de vinte anos.

O alembamento pode ser entendido como uma forma tradicional de união conjugal existente nalgumas regiões de África, principalmente entre os povos Bantu. Este refere-se a um conjunto de preparativos e entregas que a família do noivo faz à da noiva, com o intento de legitimar o casamento e estabelecer novos laços de parentesco (também chamados laços de afinidade ou aliança). Consiste na entrega de certas quantias em dinheiro, roupas, calçados, bebidas, animais e determinados objectos.

Porquê o alembamento na tradição Bakongo?

A escolha deste tema devese principalmente por duas razões. Primeiro, pela vontade de compreender este ritual que para muitos parece ser estranho, até mesmo os jovens descendestes do grupo Bakongo. Em segundo, porque é um tema que suscita muitas dúvidas

e levanta muitos debates por parte daquelas pessoas que só ouvem falar ou daquelas que presenciaram, mas por alguma razão o não entenderam correctamente. Por meio de algumas entrevistas, os mais velhos nos contaram que o alembamento começou há muitos e muitos anos, antes da chegada dos colonizadores, alguns mais ousados atrevem-se a dizer que este ritual existiu desde sempre. Disseram ainda que surgiu da necessidade de se valorizar a mulher por ser ela a procriadora dos filhos, e a sua família que a educa até que esta sáia de casa para ir viver com o seu marido.

Um mais velho natural do Kibokolo (Maquela do Zombo) de 75 anos de idade, conta que na sua época não eram os jovens quem escolhiam as noivas, mas sim a sua família. Assim, o pai de um rapaz escolhia uma jovem de boa família para ser mulher do seu filho e segundo os parentes de ambos, o pai do rapaz levava um garrafão de maruvo ao pai da rapariga dizendo: “eu venho entregar este garrafão de maruvo, para terem conhecimento de que a vossa filha será a futura mulher do meu filho e mais ninguém pode ocupá-la”.

O alembamento era feito por meio da entrega de alguns garrafões de maruvo, de outras bebidas caseiras e mais alguns artigos simbólicos.

Com a chegada dos portugueses, com o colonialismo, a urbanização e a mistura de diversas culturas (quer dos portugueses como as que já existiam) as coisas começaram a mudar de rumo.

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