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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Nzambi ya Mpungu...Não sei...Vou procurar...

Publicado por Muana Damba activado 5 Junio 2013, 12:08pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

 

Por Dr José Carlos de Oliveira

 

 

Jose Carlos de Oliveira l

 

 

Trata-se de uma das expressões que utilizamos quando saudamos alguém. Porêm, na língua Kongo, existe entre outras a expressão: luxikamene que traduzida para português resulta em "Como tens passado?", todavia esta frase no kikongo idiomático é muito profunda, equivale a dizer "como passaste a noite, como chegaste até aqui, enfim como é que tem sido a tua vida e a dos teus", portanto a pessoa a quem nos estamos a dirigir percebe através do espaço de tempo que mediou entre a última vez que nos encontramos até este momento, se estamos inteirados do que lhe diz respeito, logo, a frase "acordaste bem" é muito profunda.

 

O Espirito da "Lenga Lenga": "Lenga-Lenga" era uma expressão usada em diversas tribos de Angola, muito conhecida por esse mato fora e não só. Era conhecida por se tratar (para quem não conhecia a profundidade do termo) por uma conversa que nunca mais tinha fim.


Explicando-me melhor, era e é, uma espécie de sessões continuas do parlamento da Assembleia da República. Os tribunos expressavam-se  (e  alguns ainda se expressam bem), mas só falam! não querem dizer nada...

Imaginemos uma viatura parada por falta de combustível em “terras do fim do mundo”. Os seus ocupantes, quase sempre resolvem meter-se ao caminho até chegarem à povoação mais próxima que, por vezes, se encontra a horas e horas de distância . Durante o percurso fala-se de tudo, como estratégia para chegar ao destino sem se dar por isso.

É com este espírito que iniciaremos a nossa “lenga lenga” conversando acerca da filosofia Negro-Africana. Os povos Kongo  serão o motivo de introdução, como filósofos, diplomatas e exímios contrabandistas (leia-se que, de vez em quando, escapam aos impostos). Serão o pretexto para a abordagem de diversos temas que irão surgindo ao longo do caminho, afinal a nossa Vida coletiva.


A Vida pode ser considerada uma "lenga lenga" no dizer de alguns povos de Angola. A "lenga lenga" é a manifestação da Palavra. Ela é o principio da energia vital interior, é com ela que participamos da Vida.


A Palavra é o instrumento da exteriorização do pensamento do homem. Necessita de um suporte conceptual, neste caso  a  lei da participação de (Lucien Levy Bruhl). Ela explica que NÓS somos constituídos pelos que já partiram, pelos presentes e pelos que hão de vir. E por isso vamos falando, falando, realizando assim  a Participação Vital.

As crenças de ontem e de hoje dos Povos Kongo

 

Quando se apresentam fontes tão credíveis como as seguintes, apetece-nos, por exemplo, dizer: porque é que os Kongo (como consta do documento inserido pag.170) apelidavam os brancos vindos do mar christão que traduziam por Muncuici, ou seja Munkissi?Tal como na pag.117 De Deus é Zambi Ampungu?

 

CRISTÃO MUCUICI, OBRA 30,02 1805

Enfim, os desígnios de Deus são insondáveis.

 

 
Princípio conceptual que rege o tema

Zeitgeist  pronúncia: tzait.gaisst) é um termo alemão cuja tradução significa espírito de época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

 Deus-e-um-so.-1-jpg.jpg

Antes do mais peço a vossa benevolência para abordar o termo ACREDITAR duma forma coloquial. Todos conhecemos, o termo  mas como defini-lo?
Pois bem, desculpem a redundância da expressão contabilística: para ACREDITAR, é absolutamente necessário levar A Crédito, sem pedir nada em troca, senão estamos a jogar aos dados com os Santos. Ou melhor, os crentes quando pedem, não fazem um negócio com Deus.

 

É sob a tutela de 2 pensamentos científicos da autoria do filósofo, antropólogo e sociólogo francês, Lucien  Lévy-Brühl (1857-1939)   que me proponho conduzir este tema. O Antropólogo e psicanalista Artur Ramos  citou-o assim:

 frontespicio-dicionario-Congues-1805.jpg

1º Pensamento Lei da pré lógica

 

“ (…) É essa persistência da mentalidade pré-lógica que vem a explicar todos os factos de survival fetichista entre os negros bahianos de nossos dias. Em outro logar, procurei demonstrar que as praticas do curandeirismo, nos meios incultos do Brasil, revelavam a persistência desta mentalidade pré-lógica, ou como diz Bleuler, do “pensamento indisciplinado e autistico”. O “paganismo contemporâneo”, o folk-lore das sociedades adiantadas, evidenciam a persistencia destes elementos pre-logicos que podem coexistir ao lado dos pensamentos lógicos…”

 

“…O pensamento logico não pode pretender suplantar inteiramente a mentalidade pré-lógica. Os responsáveis pela cultura e progresso sociais devem atentar bem nesse problema (…) ”

 

  Pensamento : Lei da participação

 

Aqui temos uma achega, bem forte, para compreender o pensamento religioso e político KONGO  e tudo mais que acerca deles tenho vindo a escrever. Esta  lei da participação vai entroncar no conceito da pré lógica mencionado acima e a que Artur Ramos      novamente  chama a atenção.

 

“ (…) A ligação das representações, no primitivo, foge, assim, às leis da logica formal.  Há nela, relações místicas que implicam uma participação entre sêres e objectos entreligados nas representações coletivas. Lévy-Bruhl deu o nome de lei da participação ao “principio próprio da mentalidade primitiva que rege as ligações e as pré ligações destas representações”. Só com muita dificuldade apreende a nossa mentalidade a significação desta lei, e, por esse motivo, torna-se difícil enunciá-la sob forma abstrata. (…)” 

 

A revista OBERVATEUR de 13 a 19 Setembro de 2012 insere um artigo muito interessante da autoria de Gilles Anquetil “Tobie or not Tobie” (paginas 90 a 91) em  entrevista a  Tobie Nathan, Nathan professor de Psicologia Clinica e Patologia. Fundador da Etnopsiquiatria. 
Na entrevista, a certa altura diz: “naturalmente, era neste mundo que o médico e o curandeiro, judeu ou árabe, coabitavam no tratamento ao doente. Minha avó dava-me, à vez, ambos os medicamentos tradicionais e as poções. A distinção entre o racional e o irracional não existe. Tive conhecimento disso muito mais tarde.

 

Continua...

                                                                                      Fonte:http://estudosafricanos.com/

 


 


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