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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Mau tratamento do lixo preocupa ambientalistas

Publicado por Muana Damba activado 30 Diciembre 2011, 05:38am

Etiquetas: #Notícias do Uíge

 

Por Nicodemos Paulo

É necessário criar instrumentos jurídicos que levem as pequenas unidades fabris a custearem o tratamento dos resíduos sólidos

Fotografia: Mota Ambrósio

 


O engenheiro ambientalista Eugénio Garcia afirmou ontem ao Jornal de Angola que é inadequada a forma como o lixo recolhido na cidade do Uíge é tratado, constituindo um atentado ao ambiente e à saúde pública.


Eugénio Garcia disse que a falta de um aterro sanitário e de uma incineradora na cidade inviabiliza a realização de um trabalho moderno e eficaz. Eugénio Garcia disse que “até os resíduos hospitalares são queimados ou expostos às águas pluviais sem o mínimo de cuidados ambientais a fim de evitar que afectem os lençóis freáticos da região”.


Apesar do apoio dado pelo governo provincial à Vitac, empresa responsável pela recolha do lixo na cidade, consubstanciado em meios técnicos para auxiliar os trabalhos de recolha e tratamento dos resíduos tóxicos, o que trouxe melhorias significativas nas acções de limpeza na cidade e arredores, o especialista afirmou que existem ainda muitas insuficiências que devem ser superadas.


Eugénio Garcia referiu que o tratamento de resíduos exige aplicação de técnicas e métodos que permitem a recolha selectiva dos resíduos tóxicos e não tóxicos até à fase de reciclagem, mas sem afectar os ecossistemas. “Isso não acontece no nosso seio e é preciso reconhecer o trabalho desenvolvido pelas empresas contratadas para o efeito, mas é urgente inverter o quadro, sob pena de causarmos danos irreversíveis ao ambiente”, afirmou.


O especialista em engenharia ambiental defendeu maior educação ambiental às populações dos meios urbanos e aos funcionários das empresas que lidam com o saneamento do meio. Eugénio Garcia disse que o governo provincial deve fomentar o surgimento de empresas especializadas no ramo, com competências técnicas e científicas comprovadas.



Comportamento da população


Para inverter o quadro, continuou, as empresas de recolha de resíduos tóxicos devem equipar-se com meios mais adequados às quantidades e tipo de lixo produzidos na região, assim como criar instrumentos jurídicos que levem as pequenas unidades fabris e hotéis a custearem o tratamento dos detritos. “É necessário que o governo construa verdadeiros aterros sanitários onde são reciclados ou incinerados os resíduos”, apelou.


Baltazar Adão, funcionário da Vitac, lamentou o comportamento de muitos citadinos, pelo facto destes não obedecerem aos horários estipulados para a recolha do lixo na cidade. “Eles não colaboram. Nós devíamos recolher o lixo das 18h00 às 22h00, mas a população enche os baldes e contentores a qualquer hora do dia, obrigando-nos a começar a trabalhar a partir das 6h00 só terminamos às 15h00”, disse.


Laurindo Pinto, outro funcionário da referida empresa, disse que um dos cuidados básicos de saúde pública é manter a cidade limpa, “mas não somos valorizados pela sociedade, auferimos os salários mais baixos e no nosso dia-a-dia suportamos insultos dos transeuntes, facto que contribui para o fraco desempenho de muitos  colegas”.


O depósito de lixo no centro da cidade é feito em baldes plásticos fabricados para o efeito e na periferia são utilizados contentores de metal. “A população não facilita o nosso trabalho, despejam o lixo no chão e muitas vezes colocam fogo nos contentores, tornando complicada a nossa tarefa”, lamentou Daniel Domingos, motorista do camião de recolha e transporte dos resíduos sólidos.


Pedro Caxala, funcionário público, afirma que apesar das dificuldades, a prestação dos serviços de saneamento básico da cidade é aceitável. “A cidade não é grande e com a colaboração dos seus inquilinos, mais meios e homens, é possível mantê-la sempre limpa e asseada”, disse o munícipe.

 

 

                                                                                                        J.A

 




 

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