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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Makêla ma Zômbo (Maquela do Zombo) significaria Montanha de tio do Ñtôtela

Publicado por Muana Damba activado 9 Septiembre 2013, 00:33am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

 

Por Patrício Cipriano Mampuya Batsikama


 

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Assim reza a história do antigo reino do Kôngo, depois da morte do Ñtôtel’a Kôngo, Nsaku Ne Vûnda Mani Kabûnga passava por Rei interino (Romano Dicomano, Lorenzo da Lucca; Bernardo da Gallo; Cavazzi, De Munck, Cuvelier, etc.). Nós, historiadores, sabemos detalhadamente que esta autoridade residia numa das montanhas do Mbata nas suas antigas dimensões territoriais (Lopez; Pigafetta, 1591); ou ainda era residente de Nsôyo, como foi o caso na época de Ñzîng’a Nkuwu Dom João I. Aliás, Nsoyo dya nsi, ou ainda Mbata dya nsi são dois termos sinónimos: significam: “o teto de uma casa”: Lûmbu.

  

Contudo, partindo desta trama semântica que a etimologia nos fornece, podemos lançar as seguintes hipóteses:

 
(a) Maquela do Zombo seria a tradução literal de Makêla ma Zômbo, que significaria: Montanha do tio do Ñtôtela. Neste aspecto, milhares de fontes (arquivos: cartas, relatórios de viagem, relação, etc.) confirmam que foi a “Montanha de Nsaku Ne Vûnda” que, aliás, chegou a coroar pseudo-Rei nas guerras civis no Kôngo (séculos XVII/XVIII): Kôngo dya Lêmba. Tratava-se de uma “montanha errante” tendo em conta as guerras que se verificaram.

 
(b) Ma Ñkêla dya Zômbo: Autoridade da Montanha-da-Aliança do tio-educador do Ñtôtela. Os historiadores sabem, a partir de testemunhos, que o Ñtôtela devia total obediência ao [Ma] Zômbo, que tinha o nome de Ne Nsaku Lawu (Cuvelier, 1934: 27). Por um lado, foi Ma Zômbo Nsaku Lawu que sacudia as loucuras do Ñtôtela. Por outro, a “montanha” era a expressão para indicar a concentração das populações: “nkêla”, significava “Montanha-da-Aliança”, tal como aliás é o caso de Mbânz’a Kôngo (onde existiam doze nascentes: institucionalização da Amizade dos fundadores do Kôngo).

 

Em 4 de Abril de 1491 o Mani Nsoyo é baptizado; os portugueses caminharam até Mbânz’a Kôngo para administrar outros baptismos ao Ñtôtela daquela época: Ñzîng’a Nkuwu. Mas antes de tudo, foi baptizado o “Mais-velho do Kôngo”, Nsaku Ne Vûnda: foi o Mani Mbâta – que era Ma Zômbo – baptizado sob nome de Dom Jorge Nsaku Lawu Ma Zômbo Mani Mbata (Cuvelier, 1946: 81). Aliás, este Ma Zômbo, depois de ordenar que Ñzîng’a Nkûwu fosse baptizado, pronunciou as palavras de bênção e recomendações muito bem precisas. Eis o que este Ma Zômbo disse: “Prestem atenção ao sonho que eu tive: Deus acordou-nos um grande favor, pois saibam que esta noite vi no sonho uma Senhora bonita (ñkênge, acho eu) que ordenou-me de vos dizer que somos invencíveis. Eu senti-me demasiado corajoso e capaz de lutar contra cem homens”. E ao rei, o Sacerdote diz: “Faças de sorte que o seu reino torna-se cristã. O vosso poder será aumentado” (Cuvelier, 1946: 81).

Importa salientar, também, que este Dom Jorge Nsaku Ne Vunda Mani Mbata Ma Zômbo passou a ser responsável da construção das igrejas católicas a nível local e tudo que era relacionado a nova religião reconhecida pelo Vaticano através de Portugal (Lopes/Pigafetta, 1963:284).

 

Eu refuto a data de 3 de abril de 1491... embora mencionado por autores mais autorizada. O baptismo é celebrado, no mesmo dia que se diz uma missa. Os católicos realizam a missa no Domingo. Ora, o dia 3 de Abril de 1491 é um certo SABADO. O Domingo é no dia 4 de Abril de 1491. Acho que esta data já foi rectificada por alguns historiadores de terrenos. Ora, o dia 3 de Maio é uma Segunda-feira. Das relações existente, em Mbânz'a Kôngo havia um grande MERCADO no dia 3 de Maio. Ou seja, era o NSONA, dia de receber as audiências... e era importante, que seja baptizado o reino neste dia santo (para os Kôngo). Eu posso concordar consio com esta data (mencionado também por vários autores autorizados para falar do Kongo)... Os africanistas dizem que foi exactamente um mês depois do baptismo de Mani Nsoyo. Mês - o que chamamos hoje NGONDA - tem a ideia de uma separação institucional (28 dias: 4 dias x 7 mbûku). Tudo está aberto para novas pesquisas

 

Ora, se consideramos o simbolismo kôngo, percebemos que o baptismo do rei terá acontecido no dia 2 de Maio..., que é um Domingo, também. neste dia foi inaugurada igreja onde o reino foi baptizado. Se assim for (dia 2 de Maio 1491), seria interessante perceber que se terá passado (por coincidência?) exactamente um mês kongo (28 dias)

 

 


                                                                                     Fonte: Grupo KONGO / facebook

 

 


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