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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


A administradora da Damba, acolheu-nos sem máscaras protocolares!

Publicado por Muana Damba activado 1 Febrero 2013, 09:25am

Etiquetas: #Coisas e gentes da Damba

 

 

Por Miguel Kiame

 

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No Kinsakala, começam a despontar obras cuja referência deve merecer menção. Trata-se da casa do José Koxe, filho da minha prima Laurinda. Força, Zé. Do lado oposto está a surgir outra obra, numa propriedade da família Koko Mwanga. A construção, pelo que constatei é do Brazão. A pouco e pouco, as coisas começam a ganhar forma. Está-se a desenhar o futuro para a Damba. A todos a minha incondicional solidariedade e, sobretudo, o meu respeito e admiração.


Este ano, mais do que uma data festiva, o natal foi para mim uma ocasião de recolhimento e reencontro pessoal. Por isso, a ideia de passa-lo na Fazenda, deixou-me no coração um trilho de ansiedade, pelas mais diversas razões: primeira vez na Fazenda, primeira vez sozinho sem a família, primeira vez sem o frenesi específico da efeméride, enfim, estava a viver uma experiência ímpar e sui generis.



Dirigi-me a Fazenda depois de um dia árduo de trabalho de reposição de algumas funcionalidades domésticas na residência-mor, no Kinzenze. Isto é normal para uma casa cujo nível de ociosidade anual ronda os 80%. Por volta das 17.00 horas estava a entrar no acampamento saudado pelo latir ruidoso dos cães, bafejado pelo aroma das flores silvestres, aroma este entorpecido pelo odor animalesco exalado do curral que se situa a escassos metros do centro de acampamento. No centro destes elementos circunstanciais, estava o meu amigo Rui que não conseguia disfarçar o seu olhar ainda carregado com visos de desespero, face ao adiantado da hora. Chegara, pois, com três horas de atraso.

O aparato logístico estava montado, o cabrito acabado de ser degolado. O bacalhau já vinha demolhado pelo que dispensava de preparação prévia. A batata rena era local. A fruta idem, com abacaxis a rondar os 30 cm de diâmetro na sua zona central, uma doçura deleitante e suculenta.

De modo paulatino, o azul inverosímil do céu foi dando lugar ao espectro crepuscular, subitamente interrompido por densas nuvens negras que precipitaram a noite, anunciando uma pancada de água. O silêncio da noite, era, amiúde, cortado pelo ribombar das trovoadas precedidas de relâmpagos que pareciam acender as lamparinas da minha memória, evocando cenas de meninice envolvendo raios fulminantes e letais. A estridência das trovoadas em nada se diferenciava da sonoridade musical emitida pelos grosseiros altifalantes das farras das gerações de kuduru, em Luanda. Fez uma ventania bastante forte que nos obrigou a ter que nos acoitarmos no interior da residência. Felizmente, o temporal desapareceu de rompante tal como havia aparecido. Então, foi unânime a ideia de retomarmos a primeira forma, regressar ao pátio da casa, agora sob a protecção reluzente e cintilante de uma infinidade de constelações. Noite de natal, noite prateada, noite de luar, estrelas, silêncio…Noite virgem,
livre de consumismos e gritarias monocórdicas e kuduristas, por isso, pura na simplicidade das gentes do mato, rica no convívio com a natureza, longe da TV, longe dos celulares, das TI, mas perto de nós mesmos. Um natal diferente em tudo e com o alvoroço de um misto de sentimentos nostálgicos e a alegria de uma vivência sem artificialismos. Estava desligado do mundo e a mercê da vitalidade da natureza, percorrida por vários rios e vicejada por uma flora preservada e copiosa, dos pássaros e outros animais e, fundamentalmente, da candura de espírito dos meus colaboradores da Fazenda.

O espaço de tempo que mediou entre o acto de dormir e o acordar foi um hiato quase imperceptível. Acordei com o vozeirão dos bovinos e mal coloquei o nariz fora, fui amavelmente agraciado com um garrafão de malavo acabado de extrair do bordão. A delícia do malavo fez-me dispensar os chás, cafés e leites para o pequeno-almoço. Um dia, vou-me dar ao trabalho de analisar e especificar as característivas “malávicas” (do malavo), como acontece com os vinhos, porque também há o malavo encorpado, frutado com depósito que lembra grãos de arroz e com um fim de boca que deixa o apreciador num autêntico estado de êxtase. Existem, igualmente, as zonas malávicas de reputada notoriedade, como as castas do Lundu, do Mabasi ma Kinsakala, do Mbanza Kinzau e do Misinje - Nkama Ntambu, só para citar algumas. Cada uma delas notabilizou-se pelas características do solo, do tipo de
bordões, do nível de maturação dos bordões e da destreza dos “ngemi”, isto é, os artesãos tiradores do malavo. Diversamente, existem as mistelas, tal como o vinho de má qualidade.

Na zona que circunda a vila da Damba essas mistelas assumem o nome de “ndipita”, isto é, malavo intragável devido a sua má qualidade ou ainda “nsemvu”, vale dizer, malavo em fase de prematuração, impróprio para consumo de quem se preza ser bom apreciador.


Maria Kavungu

                                 Administradora Municipal da Damba, Maria Fernanda Kavungu.

 

Um dos momentos altos da nossa estadia na Damba (eu e o Tony) foi, sem sombra de dúvidas, a recepção que gentilmente nos foi brindada pela Administradora Municipal, na sua residência oficial. Foi um encontro despido de máscaras protocolares mas com todos os ingredientes para ser qualificado, pela composição do seu cardápio, de “fungi de sábado”, preparado a nossa medida e gosto. Em atalho de foice, foram aflorados os mais variados assuntos e propostas as mais castiças formas de cooperação para se emprestar à municipalidade os nossos modestos contributos. Assim sendo, aventou-se a realização de um encontro de quadros da Damba, a curtíssimo prazo, em que todos serão chamados para esboçar as suas ideias para o melhoramento do município. Foi ainda proposta a criação de um web site oficial da Vila, sob os auspícios da Administração mas sob a tutela técnica e tecnológica dos mindamba entendidos nessa matéria. Estou, neste preciso momento, a recordar-me do nosso “Sebastião Kupessa "Muana Damba" ( na imagem, em baixo) que tem experiências interessantes neste domínio. Tratar-se-á de uma espécie de Press release “Comunicados de imprensa, para anúncios, lançamento de informações de interesse público dambense. Será, igualmente, um espaço para apresentarmos as nossas sugestões e pontos de vista sobre o desenvolvimento do município e para debitarmos os nossos argumentos sobre os contributos para o desenvolvimento cultural, económico e social da Damba e alimentar de informações visando a compilação da história da Damba. É um projecto de grande dimensão e envolve a participação de informáticos, historiadores, amantes das várias áreas do saber, como jornalistas, economistas com os seus estudos de impacto e apresentação de parcerias nos mais variados polos de desenvolvimento, et, etc.

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Como se pode depreender, existe espaço para todos, cada um a seu nível, e de acordo com a sua área de eleição: comerciantes, industriais, estudantes, professores, enfermeiros, médicos, candongueiros, empresários, funcionários públicos, desportistas, zungueiros, desempregados, membros de governo, generais, soldados, enfim, só não participa quem não quer ajudar no desenvolvimento da terra.

A Administradora mostrou-se ternamente receptível e disponível para atender as preocupações dos munícipes, em especial dos residentes fora do perímetro municipal e que pretendem terrenos para os mais variados propósitos.

Finalmente, levantemos os pressupostos técnicos e tecnológicos para a montagem do web site ou portal, coloquemos as nossas dúvidas, esclareçamos os aspectos técnicos, corrijamos os erros de que enfermam as nossas proposições, enfim, assumamos as nossas responsabilidades e mãos à obra.

Mais uma vez, obrigado.

 

 

 


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