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Portal da Damba e da História do Kongo

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Kimbanguistas lamentam comportamento dos seus fiéis em Maquela do Zombo

Publicado por Muana Damba activado 15 Marzo 2012, 22:46pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

 

 

O Colégio Nacional da Igreja Kimbanguista caracterizou de irresponsáveis e alheios ao comportamento do verdadeiro kimbanguista os actos de vandalismo que resultaram na morte de dois fiéis e o ferimento de tantos outros, pertencentes a um grupo de elementos que tentaram subverter a ordem e a tranquilidade públicas no município de Maquela do Zombo, província do Uije.

 

Sango Mayomona, membro do gabinete do encarregado de Angola, Sua Grandeza Kissolokele Kiangani Paul, disse a O PAÍS que os factos ocorridos em Maquela do Zombo, em que o referido grupo tentou invadir uma unidade policial para libertar dois integrantes do grupo detidos pela Policia Nacional acusados de cárcere privado, são lamentáveis e mancham o bom nome da igreja Kimbanguista.

 

Para Sango Alberto, é incompreensível e até inconcebível que fiéis duma igreja se munam de objectos contundentes e resolvam invadir uma unidade da Policia Nacional. E como não podia deixar de ser, esclareceu, “as autoridades policiais fizeram alguns disparos em legitima defesa, do que resultou a morte de dois insurgentes e alguns feridos”. Sango Alberto afirmou que o ocorrido em Maquela do Zombo e que tem se repetido em outros pontos do país, tal como aconteceu recentemente em Mbanza Congo, deve servir de ponto de partida para se distinguir os verdadeiros kimbanguistas, cujo comportamento se caracteriza por acções pacificas, respeito pelas autoridades instituídas e atitudes irrepreensíveis.

 

Segundo Sango Alberto, o referido grupo, pertencente à ala reformista da Igreja Kimbanguista, era comandado por Mateus Gonçalves Bento, conhecido por Mabiza, o elemento que dirigiu em Fevereiro de 2004 cerca de uma centena de invasores que tentaram ocupar a sede da igreja localizada no bairro Palanca, em Luanda. “Nós declinamos, apesar de todos atendermos pelo nome de Kimbanguistas, a responsabilidade destes actos da ala reformista dirigida pelo reverendo José António Teca”, afirmou Sango Alberto que encoraja as autoridades policiais a punir severamente os mentores dos referidos actos.

 

A Igreja kimbanguista enfrenta, há cerca de dez anos, uma crise que opõe o actual chefe espiritual, Kiangani Simão Kimbangu e os seus irmãos, de entre eles o engarregado de Angola Kissolekele Kiangani Paul.

 

Várias tentativas para se ultrapassar o diferendo que divide os kimbanguistas já foram ensaiadas, mas sem sucesso. Em 2007, um grupo de pastores de várias denominações religiosas coordenados pelo reverendo Luís Nguimbi, do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA), deslocouse a Nkamba, Republica Democrática do Congo, sede espiritual, mas sem êxitos.

De acordo Sango Alberto a ausência do encarregado de Angola, Kissolokele Kiangani, repatriado em 2004 para sua terra natal, República Democrática do Congo, tem inviabilizado vários projectos que a igreja tem em carteira, tais como o arranque das obras da Universidade Kimbanguista, do instituto Politécnico e tantos outros.

 

A Igreja Kimbanguista, foi fundada a 6 de Abril de 1921, na localidade de Nkamba, República Democrática do Congo, por Simon Kimbango e está implantada em mais de 30 países.

 

Quem foi Simão Kimbangu?

Nascido em Nkamba, Baixo Zaire, Kimbangu possuía dons carismáticos, porém não teve educação formal além das instruções catequistas pela Sociedade Britânica Missionária Baptista (British Baptist Missionary Society BMS), que o levou ao baptismo em 1915. No meio do colonialismo de dimensões próximas ao genocídio, ele vivenciou o chamado de Deus ao ministério da cura e da pregação.

 

Os missionários da BMS rejeitaram a solicitação de Kimbangu para tornar-se um catequista e, além disso, rejeitaram ceder um lugar legítimo ao seu ministério dentro da igreja missionária, pois consideravam-no sem escolaridade. A experiência espiritual decisiva de Kimbangu impeliu-o para o ministério público fora da missão (1921), tendo a sua saída ligação explícita com a rejeição que sofreu dos missionários.

 

A actividade religiosa de Kimbangu, que se caracterizou por fenómenos fortemente carismáticos (foram relatados casos de ressurreição), durou de Março a Setembro de 1921, principalmente em Nkamba, considerada pelos seus fiéis como a “Nova Jerusalém”.

 

A sua pregação enfatizava a inutilidade das medidas de protecção tradicionais africanas (resultando na queima dos “amuletos”), a intervenção directa de Deus em nome dos africanos (questionando a mediação e autoridade dos missionários, ao mesmo tempo rejeitando a violência africana), e o prognóstico do fim da dominação colonial branca (resultando na auto-consciência negra).

 

O Kimbanguismo tornou-se um movimento cristão fortemente enraizado no Congo Belga.

Sociologicamente, o profeta e a sua igreja ofereceram um novo modelo de autoridade social; religiosamente, Kimbangu expressou o amor de Deus através da mediação de símbolos africanos; e psicoculturalmente ele deu início a uma formidável narrativa sobre o lugar especial das pessoas negras no mundo de Deus.

 

 

                                                                                                                    O pais.

 


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