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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


História da Damba- Episódios Soltos (7)

Publicado por Muana Damba activado 16 Febrero 2012, 11:43am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

 

A REVOLTA MBUTA 2

AREA DA DAMBA

Em 5 de Março de 1911(a), o capitão mor da Damba mandava um soldado ao Bembe com correspondência oficial, regressando este pouco tempo depois, acompanhado pelo indígena Pembolo (Pembele(?), da povoação de Quinde, região de Sangue, dizendo que este indígena lhe comunicara que se encontrava no seu povo, ferido e sem poder andar; um soldado que dizia ter sido atacado por oito indígenas armados da povoação de Lenvo, de Madimba, que sobre ele dispararam sem o atingir, agredindo-o depois a pauladas e com catana, tendo-o deixado como morto, e acrescentava que os indígenas em questão diziam que não consentiriam que pelas suas terras passassem soldados nem brancos. <no mesmo dia e um pouco antes tinham-se apresentado um outro soldado que em 28 de Fevereiro partira da Damba com correspondência para o Bembe, declarando que a mesma correspond>ência lhe fora roubada pelo gentio do povo do “Bango”, Madimba, depois de que atacaram a tiro, estando este soldado ferido em três dedos da mão esquerda e tendo-se-lhe alojado um
zagalote no lado esquerdo do pescoço, próximo da omoplata.


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Acrescia que, havia dias, na linha divisória Bembe Damba eram avistados grupos de indígenas que gritavam que nas suas terras não passariam brancos, nem soldados, nem mesmo indígenas da Damba, enquanto estes consentissem em pagar imposto de cubata, dizendo-se que tinham sido vitimados os homens do sobado do sangue, que se tinham aventurado a ir ali.

De momento o gentio da Damba conserva-se tranquilo mas nem por isso estes factos deixavam de influenciar os seus actos porque iam demorando-se no pagamento do imposto de cubata e mostravam cada vez maior relutância no fornecimento de carregadores, sendo, até, necessário recorrer à força para obter os dois precisos para transportar o soldado ferido, de Quinde pra Damba.

Havia ainda mais uma manifestação grave do corte de comunicações com o litoral: é que ainda não tinham regressado 80 carregadores que tinham ido a Ambrizete com um comerciante, nem dali regressara ainda um soldado que costumava fazer o trajecto de ida e volta em onze dias tendo já decorrido dezoito depois que partira.

O capitão-mor fazia estas comunicações no dia 6 de Março e logo no dia imediato os factos tomavam um aspecto bem mais grave. Assim foi empregou todo esse dia e o começo da noite em diligências para obter carregadores para evacuar para Maquela o soldado ferido, sendo necessário na madrugada de 8, e por indicação do próprio soba, cercar o povo de Sangue para obter carregadores , sendo nessa ocasião preso um indígena, de nome Mulelambuta, tio de Poétone, que exercia grande influência junto do soba e que havia um mês que saíra do povo, sabendo-se ou dizendo-se que andava em “fundando” nos vários povos para que estes sacudissem as autoridades portuguesas.

Na tarde de 9 o soba foi à capitania dizer ao capitão-mor para os brancos não terem medo quando, no dia imediato, vissem passar muita gente junto do forte, porque essa gente ali passaria para um funeral. Respondeu-lhe o capitão-mor que os brancos nunca tinham medo, especialmente quando, como era o caso da Damba, tinham abundância de munições.

A gente no dia 10 passou junto do forte não causou nenhuma estranheza pelo seu número, sendo frequente passarem por ali grupos muito mais numerosos, não contando o grupo em questão mais de vinte pessoas de ambos os sexos.

Ao anoitecer de 11 de Março foi a capitão-mor avisado de que o soba do Sangua abandonara, com a sua gente, o povo depois de uma questão com o soldado que servia de intérprete, a quem parece que o soba pretendera envenenar; o capitão mandou que do soba da Quilanda fossem emissários no encalço do soba do Sangue, para que este voltasse ao seu povo, garantindo-lhe que nenhum mal lhe aconteceria, regressado o cabo que fora portador desta ordem e comunicando que encontrara também abandonados os povos de Matuta, não sendo ainda conhecido o paradeiro do soba e povo do Sangue, que os emissários do soba de Quilanda continuariam procurando em 12. Neste dia o capitão-mor mandou que de Manassande também fossem no encalço do soba do Sangue, partindo como emissários, em 13, o “fumo” de Manassande e um irão do soba do Sangue. À tarde regressaram os emissários
de Manassande com os do soba de Quilanda, dizendo que não tinham encontrado aquele mas que tinham sabido que ele ia fixar-se para os lados de Quibocolo.

Ao anoitecer de 13, apresentou-se na Damba um corneteiro indígena, vindo de Maquela, que afirmava ter encontrado abandonados todos os povos do trajecto Quibocólo – Damba por Quimadiade.

Continua…
 

 

 

                                                                       Texto enviado por Artur Méndes.

 


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