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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


História da Damba- Episódios Soltos (6)

Publicado por Muana Damba activado 13 Febrero 2012, 12:42pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

HISTÓRIA DA DAMBA (Episódios Soltos)

A REVOLTA DE MBUTA -- 1

..” Serviço da República – Coluna de Operações ao Pombo e Sosso nº 1

Cópia – “Está conforme – Secretaria Militar do Governo do Distrito do Congo, em Cabinda, 17 de Setembro de 1914. Assinada: Chefe da Secretaria.

“Maquela do Zombo, 2 de Fevereiro de 1914 Ilmo. Exmo. Sr. Governador do Distrito do Congo Major V. de Lacerda, comandante nomeado da mesma coluna.

 

– É tão anormal a situação destas regiões que não posso deixar de, deixar sobre as ocorrências que se estão dando, informar V.Ecia, pois que dia a dia se vão agravando os sintomas deste mal que, se se alastrar por Maquela, não é fácil prever ao que pode levar-nos.

 

– Deposto o Rei do Congo por um famigerado Buta, conseguiu assenhora-se da situação impondo por tal forma o terror que hoje é ele quem põe e despõe de tudo, chegando, segundo me informaram, a passar ás Irmãs que retiraram de S. Salvador, salvos condutos! É inacreditável, e a que tal ponto isto chegou, que há uns 15 dias, seguiu para ali um alferes com 30 praças a pedido do encarregado do posto, força que “consta” ter chegado sem novidades, posto que oficialmente nada consta, e isto soube-se por intermédio da Missão do Quibocolo!

 

– Buta, conserva em todos os caminhos e povos gente sua que impõe terror, não permitindo o trânsito chegando a queimar os povos do Caio, de que é chefe o soba Álvaro Tangue, e de que os povos fugiram em direcção da região entre-os-rios Fulege e Luango, e Buta conhecedor disso veio queimar os povos e capturar gente! Que os povos perseguidos passaram o rio Luango, para a Circunscrição de Maquela e que já foram ameaçados de extermínio pelo referido Buta. Em vista disto o Administrador da Circunscrição, pediu força ao comando Militar que embora já tenha muito pouco ( 30 praças), visto rer ido para Salvador 30 ( que pertencem á coluna) dispensei uma pequena força de umas 12 praças, sob o comando dum sargento que deve hoje seguir afim de proteger os povos ameaçados e quiçá repelir algum ataque, regressando imediatamente.

 

– Em vista do exposto e da dificuldade que há em manter a coluna na Damba, onde nada justifica tal estadia, resolvi que, uma vez assumido o comando da coluna, a concentração do pouco que resta, seja em Maquela, onde fica pronta a socorrer, digo socorrer, quaisquer povos ameaçados ou atacados
pelo Buta, e ainda por ser mais económico para o estado a sua estadia aqui, onde há casas de comercio para fornecerem os géneros para alimentação, poupando-se assim os carregadores que tão grande despesa fazem e tantas complicações estão dando à coluna como também à boa administração civil da região que luta já com dificuldades imensas para angariar os carregadores necessários.

 

– Por outro lado a concentração da força em Maquela está indicada, não só pelo exposto como por ser daqui por Camatambo o caminho mais curto para a continuação das operações futuras, ter melhores aquartelamentos, haver médico na localidade e não serem os três dias que separam Maquela da Damba como a dificultar transportes ou socorros aos novos postos do Sosso e Lutongo, visto ser bom o caminho, e porque o percurso por Camatambo está indicado também, como medida de policia e de
política e talvez haja repressões afazer naquela região, que, embora tenha pago já algum imposto de cubata, não se apresentou hoje o soba.

 

– Mais tenho a informar V.Ecia. de que com surpresa minha, tive conhecimento de que o Sr. Tenente – coronel Ferreira dos Santos, seguiu para o Sosso a montar um posto, sabendo que eu vinha em caminho para assumir o comando, isto segundo informações que colhi do tenente Sr Ribeiro de Almeida, que para aí seguiu doente. Tenciono seguir amanhã para a Damba.

 

– Desejava pedir a V.Excia. digo, melhor V.Exª de tudo que há, mas os caminhos estão cordos em toda a região de S. salvador, de forma que não há escoteiros que por mais bem pagos se atrevam a ir até lá e assim a concentração de forças pode bem ter que exercer a sua acção no sentido de S .Salvador ,
partindo numa direcção SE-NW, a passar nos povos que é chefe o referido Buta e actuar assim de comum acordo com as forças que “dizem” ter chegado já a S. Salvador, isto se conseguir ter comunicações com o capitão Batista Cardoso, actual Capitão-Mor.

 

– Fui informado pelo comercio daqui que se acha descontente com o facto do Sr. Tenente Ferreira dos Santos, não ter até hoje uma única factura de rancho, ameaçando de não fornecer rancho algum a não ser a 3 meses de pagamento. Não sei o que deu causa a tal falta, mas deste facto farei ciente o actual comandante da coluna, pois que do seu proceder só podem advir complicações no meu futuro comando, pois que há facturas que têm quase um ano sem serem liquidadas…

Saúde e Fraternidade (a) Victor de Lacerda, Major.

AHM – aquivo Histórico Militar de Lisboa.

 

 

                                                                        Em colaboração com Artur Méndes

 

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