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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Habitantes à espera da reposição da ponte do Lulovo

Publicado por Muana Damba activado 6 Junio 2013, 10:01am

Etiquetas: #Notícias do Uíge

 

Por José Bula e Valter Gomes


       Fotografia: José Bule| Dimuca

 

A estrada que liga a comuna do Dimuca ao Negage e a Cangola tem a velha ponte de betão sobre o rio Lulovo destruída, o que dificulta a circulação de pessoas e bens. A obra foi inaugurada em 1969 mas as tropas da UNITA destruíram-na durante a guerra e até agora continua em escombros.

 

A ponte danificada inviabiliza o progresso de uma terra que já foi sede de circunscrição e da qual dependia a cidade do Negage.


Com cerca de 40 metros de comprimento e 12 de largura, a ponte está localizada 21 quilómetros a sul da sede comunal do Dimuca.


Para minimizar a situação, a população do Dimuca reforçou o que resta da ponte de betão com troncos de árvores e a travessia é feita com mil cuidados. “Com a destruição da ponte tudo ficou difícil, os habitantes do Dimuca viram-se impedidos de escoar os produtos agrícolas.


O mau estado da ponte condiciona a circulação normal de viaturas na via Dimuca-Cangola-Malange”, disse o administrador comunal. Bernardo Manuel Cauessa disse que, depois de reabilitada a ponte, a livre circulação de pessoas e bens vai contribuir para o desenvolvimento acelerado da comuna, visto que a ponte faz a ligação de duas regiões potencialmente agrícolas e com recursos que podem assegurar o bem-estar social das populações do Uíge e de Malange.


O administrador disse que também é preciso melhorar a estrada de terra batida que liga a sede municipal do Negage à comuna do Dimuca, com 40 quilómetros.  “Se no tempo seco as nuvens de poeira impedem a circulação normal de viaturas, na época chuvosa a lama tem sido o principal obstáculo, sobretudo para os automobilistas”, disse o administrador da comuna.


O coordenador da Associação das Autoridades Tradicionais do Dimuca, António Manuel Caculo, disse ao Jornal de Angola que a ponte está a fazer muita falta na medida em que facilitava a circulação de pessoas e bens, sem sobressaltos.


António Caculo realçou que alguns habitantes fazem as lavras do outro lado da comuna, por isso colocaram por cima dos pilares da ponte destruída alguns troncos de árvores.


“Nesta altura a população aguarda ansiosamente pela reposição da ponte, porque logo que isso aconteça os habitantes vão estar em condições de aumentar a produção de alimentos e os níveis de comercialização”, disse.


O soba grande da comuna assegurou que, os habitantes da região se sentem isolados pelo facto da localidade depender apenas de uma única entrada e saída, quando no passado tinham outras alternativas.


A população do Dimuca é maioritariamente camponesa. Cultivam a mandioca, ginguba, feijão, milho, arroz, batata, café, abacate, inhame, cana-de-açúcar, hortícolas e outros produtos em grande escala.
“Mas o facto de não haver na travessia do rio Lulovo uma estrutura que facilite a circulação de viaturas, muitos produtos acabam por se estragar”, lamentou.


Com a destruição da ponte, António Caculo disse que a população se vê- agora obrigada a dar uma grande volta a pé para atingir o município de Cangola, numa distância de 70 quilómetros. “E, se quisermos ir à província de Malange marchamos 100 quilómetros a pé, passando pela localidade de Quindinga por ser a única via alternativa para lá chegarmos”, disse.

Governador no Dimuca

Paulo Pombolo, governador provincial do Uíge, deslocou-se ao Dimuca para ver de perto as dificuldades que a população enfrenta e definir as prioridades com vista à sua rápida resolução.


“Estamos preocupados com os vários problemas que afectam a nossa população. Queremos encontrar soluções que possam garantir o desenvolvimento da província. Por isso entendemos efectuar visitas aos diversos municípios e comunas para vermos e ouvirmos de perto as dificuldades que afectam as pessoas”, disse.


Na aldeia Dala, o governador auscultou as autoridades tradicionais e constatou o funcionamento do posto médico local e da escola do primeiro ciclo. Paulo Pombolo recebeu informações sobre as faltas constantes de professores, facto que está a influenciar o aproveitamento dos alunos.


Ao responder às inquietações colocadas pelos sobas, o governador Paulo Pombolo garantiu o apoio incondicional do Governo Provincial em equipamentos e outros meios que assegurem o exercício da actividade agrícola e a instalação de um sistema de abastecimento de água potável.


Na sede comunal do Dimuca, o governador constatou o funcionamento do centro de saúde, o andamento das obras de instalação do sistema de captação, tratamento e abastecimento de água potável, visitou as futuras instalações da administração comunal e a ponte a sobre o rio Lulovo.
Paulo Pombolo garantiu que, o Governo Provincial, em colaboração com o Ministério da Construção, vai criar as condições necessárias para repor a circulação normal de pessoas e mercadorias naquela travessia, tendo em conta que o Dimuca é uma localidade estratégica do município de Negage, em termos de agricultura e criação de gado. “Vamos encontrar uma solução urgente para a reposição da ponte, uma das alternativas é a colocação de uma ponte metálica para facilitar a circulação de pessoas e viaturas”, referiu. O governador lembrou que para além da ponte sobre o rio Lulovo existem outras na província que necessitam de ser recuperadas para facilitar a circulação da população e contribuir para o desenvolvimento equilibrado e sustentável da província.

Falta de professores

Dimuca necessita de mais de 50 professores para cobrir as vagas existentes nas aldeias e regedorias. O coordenador comunal da educação, Galiano Malembe Kiangani, disse que o sector tem 61 professores, e referiu que o número é insuficiente para responder às necessidades dos 2.844 alunos matriculados.
“Algumas escolas primárias funcionam apenas com dois professores que são obrigados a ensinar os alunos da iniciação até à sexta classe”, disse. Acrescentou que, as ausências constantes dos docentes nos locais de trabalho atrapalham ainda mais o processo de ensino e aprendizagem na comuna.
“Muitos professores admitidos nos concursos públicos apenas dão a cara nos primeiros dias de aulas e depois regressam aos seus locais de origem”, referiu. Galiano Kiangani é de opinião que, a prioridade deve ser dada aos jovens residentes, para evitar ausências constantes nos locais de trabalho.O governador provincial revelou que, todos os anos, o seu governo recruta milhares de professores para serem distribuídos nas escolas da província. Referiu que a maioria concorre para os municípios e alguns são enviados para as comunas e aldeias.


“Mas se não aparecem nos seus locais de trabalho. Se voltam para o Uíge só porque têm os seus salários garantidos no banco, levantando o dinheiro todos os meses sem respeitarem o compromisso assumido com o Estado, seremos obrigados a tomar duras medidas”, advertiu.


Paulo Pombolo afirmou que, fruto do levantamento que está a ser feito, todos os professores que não aparecem nos seus locais de trabalho vão ver os seus nomes desactivados do sistema. Neste dia, prosseguiu o governante, quando eles encontrarem as suas contas bancárias sem nada, vão perceber que têm de cumprir. “Mas estas pessoas também correm o risco de, amanhã, depois de serem expulsas do sector da Educação, não voltarem a ser admitidas em qualquer outro sector do funcionalismo público”, referiu Paulo Pombolo.


O sector da Educação no Dimuca tem 16 escolas, entre primárias e do primeiro ciclo. Mais de 20 salas vão ser construídas este ano para albergar os alunos que estudam debaixo de árvores ou em salas improvisadas e os que se encontram fora do sistema normal do ensino.

Saúde em dificuldades

Faltam médicos, enfermeiros, parteiras e outros especialistas da saúde na comuna do Dimuca. A rede sanitária é composta por um centro de saúde localizado na sede comunal, e quatro postos médicos construídos nas localidades de Zando, Dala, Quisse e Malundo, cujo funcionamento é assegurado por sete enfermeiros básicos e seis auxiliares.


Manuel Bengui, responsável do centro de saúde local, disse que o Dimuca necessita de pelo menos 22 enfermeiros, dois médicos e 14 parteiras. Revelou que a área de maternidade do centro funciona com o auxílio de parteiras tradicionais que participaram nas várias acções de formação promovidas pelo sector, a nível da província.


“Necessitamos de mais enfermeiros porque dentro do Programa de Combate à Pobreza o Executivo está a construir novas unidades sanitárias nas localidades do Piri, Bango, Bula, Vunge e noutras regedorias da comuna”, referiu.


Manuel Bengui disse que o centro de saúde tem banco de urgência, programa de vacinação, consultas pré-natais, salas para internamento, consultório, puericultura e medicina geral.


O governador Paulo Pombolo deu instruções à Administração Municipal e à Repartição de Saúde do Negage, para que, mensalmente ou quinzenalmente, definam um programa em que os médicos que funcionam na sede municipal possam também prestar serviços nas comunas.


“Não é o ideal, mas vai ser um sacrifício necessário para minimizar a situação. O ideal seria termos um ou mais médicos a funcionar, também, nas comunas”, afirmou.


Na sede comunal do Dimuca, município do Negage, Paulo Pombolo distribuiu moinhos, bicicletas, cadeiras e canadianas para os deficientes físicos, bens alimentares, roupa, material didáctico, cobertores, rádios e gravadores, detergentes, utensílios de cozinha, instrumentos agrícolas e outros equipamentos.


A comuna do Dimuca está localizada 40 quilómetros a sul da sede do município de Negage. Possui 33 aldeias e 12 regedorias, e uma população de 14 mil habitantes.

 

 

                                                                                                                     J.A

 

 

 

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