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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 35.

Publicado por Nkemo Sabay activado 24 Noviembre 2010, 13:48pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA

Setembro a Outubro de 1912
In- NO CONGO PORTUGUÊS
Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso
Cabinda ,1913”

 



Rm2485 204

COMERCIO E AGRICULTURA

(…) “A razão das lavras”

Em primeiro lugar, os terrenos do Congo por sua natureza e disposição geográfica não se apresentam de maneira a permitir as culturas indígenas com carácter intensivo que têm na Guiné. Depois, acontece também, que uma acção exercida pelo comércio,e prolongada por muitos anos sobre os nativos deste distrito, enraizou nos diferentes grupos étnicos do Congo Português hábitos que não são possíveis de facilmente transformar, pelo menos para a forma que era para desejar que assumissem em face das necessidades do comércio.

Não pode restar a menor dúvida de que, com a compressão do negócio da borracha,moldado nos antigos processos, uma vez desaparecidos, e uma vez desaparecidas as aglomerações europeias que dão lugar a uma utilização de braços nativos em vários ramos de serviços, deve resultar uma revolução na economia cafreal, que há-de precipitar os indígenas em outros sistemas e agenciar ávida, por isso uma regressão ao estado de barbaria completo é impossível hoje, porque quase perderam o hábito de prover as suas necessidades rudimentares com os seus próprios meios de subsistência e processos de vida, cultivando, fiando, e tecendo os seus artigos de vestuário, apropriando a matéria prima para confeccionar as suas próprias redes de pesca, as suas armas de caça e de defesa, etc.

Evidentemente, a acção do desaparecimento do comércio, prolongada além e todo o limite, precipitá-los-ia nos seus processos rudimentares e regressariam por certo aos hábitos primitivos, passando a ser o instinto o principal, senão o único, fio condutor da sua vida; mas, como o comércio não desaparecerá por completo, e o como o nativo já não pode obter as utilidades, de que carece, com a borracha, realiza-se com o desaparecimento desta uma profunda perturbação económica, que há-de forçá-lo a procurar outra forma de obtê-las.

O sistema de efectuar a agricultura pela cultura indígena, é, não resta dúvida, uma forma admissível para a solução do problema económico sob o ponto de vista cafreal, mas não convém que seja adoptado desde já, sob o ponto de vista do comércio europeu.

Com efeito o agricultor indígena, pelo menos no debute da sua nova manifestação de actividade, não satisfaria as necessidades imperiosas impostas pelo volume considerável da exportação capaz de manter o comércio.

Se aquela transformação do meio se efectuasse, aconteceria, quando muito, que a sociedade cafreal se transformaria numa população de cultivadores mais ou menos densa, cultivando cada um deles o seu próprio torrão, no qual poderiam fazer crescer

tudo quanto necessário para as exigências do comércio. Isto é, uma agricultura reduzida à sua extrema simplicidade, cujo corolário fatal seria o estacionamento das necessidades cafreais, por si extremamente simples, senão o regresso do indígena ao estado primitivo,do qual apenas emergiu pelo contacto com o comércio civilizado que por todas as razões convêm tornar-lho indispensável.

Não podemos, por enquanto, esperar do indígena agricultor, trabalhando por agência própria, mais do que até aqui tem feito – produzir o estritamente indispensável para a sua sustentação e de sua família, para o pagamento do seu imposto ao Estado e para a satisfação dos seus vícios, que as nossas leis vão restringindo cada vez mais.(…)

(…) Mas há mais argumentos que é forçoso ponderar. Considerando agricultura cafreal sob o ponto vista técnica da especialidade, encarando-a pelo que respeita às causas que influem sobre o quantitativo das produções, modos de proceder no amanho das terras,processos de cultura mais convenientes, espécies de cultura a que dar preferência, etc.,devemos confessar que essa agricultura deixa muito a desejar, necessitando de muito aperfeiçoamento para que possa ter um valor apreciável e aproveitável pelo comércio.

(…) Para sustentar o comércio de exportação há, pois, que recorrer à “plantação”,conduzida em larga escala, orientada pelos princípios científicos modernos de produção intensiva e no distrito do Congo pode essa classe de empresas encontrar terrenos de qualidade suficiente, e das melhores qualidades, para proceder a todas as culturas próprias das zonas tropicais, havendo muitos lugares com água em abundância à disposição facilitando não só explorar a agricultura em larga escala, mas ainda as diversas espécies de industrias que aproveitem os géneros de de produção ou de cultura tropical…”

Fim da Viagem…

Adenda:

CONSELHO DA DAMBA ( Cronologia Colonial)

… Foi primitivamente, criado como Posto militar, por portaria nº. 1416 de 30 de Dezembro
de 1911 ( B.O. nº. 52)

Passou a Capitania mor, por portaria nº.730 de 27 de Junho de 1913 ( B.O. 26), sendo ali
colocada a 1ªCompanhia em 1 de Julho de 1913.

Por decreto nº31 de 25 de Julho de 1921 (B.= 30) passou a circunscrição e, poucos meses
depois, por decreto nº80, de 14 de Dezembro 1921 (b.O. 50) ao regime civil.

A Capitania – Mor da Damba, a circunscrição Civil e o Concelho em que sucessivamente se
transformaram, engloba os Postos da Sede, Bungo, 31 de Janeiro e Camatambo.

Os Postos da Sede e Bungo foram criados pela Portaria Provincial nº. 1416 de 30 de
Dezembro 1911 e o Camatambo pela Portaria nº 386 de 25 de Março 1915.

O Posto do Camatambo foi extinto para novamente tornar a ser criado em 1962.

 

 

Os nossos agradecimentos ao grande Soba Honorário da Damba e colaborador ARTUR MÉNDES.

 

 

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