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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 34.

Publicado por Nkemo Sabay activado 17 Noviembre 2010, 12:58pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA

Setembro a Outubro de 1912
In- NO CONGO PORTUGUÊS
Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso
Cabinda ,1913”

 

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 COMERCIO E AGRICULTURA


(…) BEMBE- História das minas


“ Até 1855 eram exploradas pelo indígena, que pelos processos mais rudimentares, que pode supor-se, levava ao Ambrisete uma média anual de 250 toneladas de malaquite (1) .

A história dessas minas é resumidamente, a seguinte:


Por decreto de 7 de Novembro de 1885, foi concedida a sua exploração ao súbito brasileiro, negociante em Angola, Francisco António Flores, sendo por decreto da mesma data autorizada a organização de uma expedição, que fosse realizar a ocupação da região e a montagem da administração local, cujos encargos eram quase que tomados de parceria entre o Estado e esse comerciante.


 Por portaria de 31 de Março de 1857, era aprovado um empréstimo de 10.000$, contraído pela Junta de Fazenda a Arca dos Orfãos de Loanda , para pagar as despesas feitas com essa expedição.


 Entre os encargos, que Francisco Flores tomava, figura o de por ele ser construída uma estrada carreteira entre o Bembe e o Ambris, a qual devia  ser guarnecida de fortes, o que bem revela quanto era reconhecida, e quanto foi devidamente considerada, a importância capital de garantia de transportes, para a viabilidade da exploração mineira.


 Figura também, entre as obrigações impostas a Flores, a de “importar para o Bembe 50 casais de colonos portugueses do continente ou das ilhas,” obrigação que lhe era cuidadosamente recordada pela portaria de 20 de Outubro de 1857, o que demonstra bem quão pouco se conhecia das condições climatéricas do Bembe, onde nem os próprios camelos conseguiram vingar, como em outro capítulo referi.


 Por decreto de 31 de Janeiro de 1859, foi Flores autorizado a transferir para a companhia que organizou em Londres, com o titulo de “Western African Malachite Copper Mines Company, Limited”, os encargos e benefícios de exploração, sendo por decreto de 30 de Maio de 1862 concedido à companhia que procedesse a plantações no território ocupado pelas minas, exploração esta sobre que me escasseiam os documentos para reconhecer se chegou a iniciar-se e a ter quaisquer resultados.


 A produção de cobre das minas do Bembe, durante o tempo que se efectuou a exploração por Flores ou pela companhia, foi, segundo mapas publicados em harmonia com o determinado na portaria provincial, de 24 de Julho de 1858 /-de 1858 a 1867 foi de 74.581 arrobas (2).


 Posteriormente a 1876 não encontro elementos pelos quais possa estimar a produção das minas; é porém de crer que, por via de obstáculos de toda a espécie com que a exploração lutou, essa produção declinasse a partir deste ano, todavia sem ser por falta de cobre, como pode deduzir-se do livro de Joaquim John Monteiro, já citado. Angola and de River Congo, cujo autor esteve à testa dessa exploração em 1873, ano em que retirou para o Ambris, abandonando-se o Bembe por completo. Outro tanto pode-se concluir-se da conferência efectuada por Freire de Andrade, em sessão de 7 de Maio de 1906, na Associação de Engenheiros Civis de Portugueses.

 

 Pelo o oficio da Direcção Geral do Ultramar nº364, de 16 de Junho de 1903, foi ordenado ao Governo da Província que reservasse um milhão de hetcares de terreno na região do Bembe para Francisco Montero proceder a pesquisas mineiras.


 Por despacho de 13 de Maio de 1903, os direitos de pesquisas eram transferidos para a Companhia Portuguesa de ouro de Manica, a qual foram concedidas sucessivas prorrogações de prazo para realizá-las.


 Em 1905 esteve no Bembe, comissionado pelo Governo, Freire de Andrade, e o que disse sobre as minas é de molde a animar o empreendimento da sua exploração, dada a superior competência que reside na pessoa desse funcionário em assuntos da especialidade.


(…) “ Pode verificar-se, todavia, pelos vestígios existentes, que, tanto os trabalhos antigos efectuados pelos indígenas, como nos efectuados pela companhia inglesa, a exploração não foi conduzida em larga escala (…) Pode concluir-se que está ali abandonada uma riqueza que representa uma oportunidade para uma vantajosa aplicação de capitais.


Não presumo, porém que se apresentem os pretendentes, sem que à empresa, que se proponha realizar a extracção do cobre do Bembe, se consinta a exploração das minas, simultaneamente com a exploração do sistema de tráfico que sirva a região do Quango, Encoje e Bembe pelo Ambris, cercado das maiores facilidades possíveis de conceder a empresas desta natureza”.

         (1) Carbonato de cobre natural    

                    (2)   1 arroba = 15 Kgs --- 1.118, 715 Ton.

                       

                                                   Texto selecionado pelo ARTUR MÉNDES.

 


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