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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 33.

Publicado por Nkemo Sabay activado 11 Noviembre 2010, 12:01pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

 

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA - Setembro a Outubro de 1912

 

In- NO CONGO PORTUGUÊS-Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente de marinha, José Cardoso. Cabinda,1913”


COMERCIO E AGRICULTURA

É por demais conhecido que, pelo estado de indecisão do regime económico das regiões do interior de África e pela falta de comunicações e seguras de toda a espécie, o comércio está sujeito a um número infinito de contingências que derrotam as previsões mais bem concebidas, por isso que os elementos de dedução participam de um carácter de instabilidade que torna quase impossível o exercício de previdência sobre que deve assentar a permuta que deve regular o movimento das transacções.

Em primeiro lugar, convém notar que em relação ao indígena é caótico o regime monetário. As moedas em circulação variam com as regiões, dificultando muito a equivalência. Num sítio corre o “cobertor”, noutro o “tapete”, aqui o “cortado” além a “missanga”, acolá o “búzio madrepórico”, mais além as “varas de cobre” e até a “tacha de latão” chega a ter curso como moeda entre alguns indígenas.

Depois, as correntes de negócio estão sujeitas aos caprichos dos indígenas mais variados.

..Os “milandos” das povoações cafreais, entre si ou com o Governo ou com próprio comércio, levam facilmente o indígena às usuais práticas de “boycott”, conhecidas vulgarmente pelo encerramento dos caminhos, o que em muitos casos significa a paralisia completa do comércio em uma localidade.

O esgotamento dos géneros de produção natural, espontânea, há muito também que ser considerado, porque, devido á forma rudimentar, e por vezes brutal, como os indígenas obtêm esses produtos, acontece que, na maioria dos casos, destroem as plantas de onde extraem, ficando a desolação e esterilidade como únicos vestígios de exploração intensiva feito pelo o indígena com a intenção de aumentar a permuta.

As oscilações dos mercados europeus trazem também graves perturbações ao negócio,porque o indígena habituou-se facilmente a compreender e a usufruir as vantagens das altas e julga-se sempre enganado pelo branco quando as baixas forçam este remunerar a mesma quantidade de género colonial com menor quantidade de mercadoria europeia.

Quando se dá uma baixa e se realiza uma descida nos preços que o europeu pode pagar,o indígena leva a sua mercadoria a todos os negociantes dum mesmo mercado, depois via com ela a todos os mercados que pode percorrer, e, depois de se convencer de que a baixa de preços é um movimento geral e só depois de acossado pela necessidade absoluta de obter géneros europeus, de que carece, é que se sujeita ao novo preço, tendo causado assim uma considerável e, na maioria dos casos, prejudicial demora nas transacções.

Por último, o próprio feitiço contribui muitas vezes para fazer desviar as correntes comerciais e origina outras tantas causas de empate de capital e de perda de tempo.

Resulta, portanto, deste conjunto de relações de contingência, que a organização das empresas comerciais africanas, que se mantêm à custa dos processos de comerciar baseados nas antigas maneiras de permutar, para conseguir sustentar-se lucrativamente,exigem a concentração de grandes capitais, que permitam às firmas que deles dispõem, dar desenvolvimento tal às suas transacções e uma e expansão tal ao seu estabelecimento que possam fazer face a todas essas contingências.

Com efeito, para evitarem as consequências que veem reflectir-se sobre o agravamento do crédito, pela demora na solvência dos compromissos tomados, motivada pela imobilização prolongada de grandes “stocks” de mercadoria europeia, necessário se torna que essas firmas possam ter abertas simultaneamente, em muitos pontos diferentes, várias casas de permuta, de modo que, pelo alargamento do teatro de operações comerciais, se possam compensar os reveses sofridos em parte das filiais ou sucursais pelos largos benefícios auferidos naquelas onde em um dado momento se pode traficar em plena actividade e com largos benefícios, e socorrer as baixas que se manifestam
em determinados géneros de negócio com a situação mais desafogada de outros ramos de actividade comercial a que podem dedicar-se essas grandes empresas que podem simultaneamente sustentar várias espécies de comércio.

(…)Na maioria dos casos, no Congo, o comercio apresenta-se com o aspecto de um jogo de azar. Com excepção da Casa Holandesa, da Casa Inglesa e da Companhia do Congo Português, que são empresas sólidas, dispondo, de largos capitais, que as habilitam a conduzir os seus negócios em África sob o aspecto delineado nos traços gerais atrás referidos, abrangendo um considerável campo de acção comercial e os variados ramos de negócio que podem ser explorados nas regiões tropicais ,-- quase todas as restantes firmas estão numa dependência angustiosa dos fornecedores alemães e ingleses que exercem sobre elas uma tutela cruel…-“

Curiosidade: - Em 1904 na Damba existiam quatro comerciantes europeus, sendo um inglês…

 

                                                                                                   Texto enviado pelo ARTUR MÉNDES

 

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