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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 32.

Publicado por Nkemo Sabay activado 7 Noviembre 2010, 03:04am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA
Setembro a Outubro de 1912
In- NO CONGO PORTUGUÊS
Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso
Cabinda ,1913”
Rm2485 198
COMERCIO E AGRICULTURA

Transferiu-se, pois, para Maquela o comércio do Congo que, como atrás deixei dito, nos era lícito fazer aproveitando da nossa região do Pombo e aquela que podia escapar-se à fiscalização belga e que deixava de sair por Matadi para sair por Noqui.

Essa transferência do comércio vê-se nas estatísticas de San-Salvador, cujos mapas incluíam até 1911 o movimento comercial de Maquela, de acordo com a divisão administrativa de então (página 46 do meu relatório de 1910).

Foi então que recrudesceu a ideia de melhorar as comunicações entre Noqui e Maquela pela construção duma estrada que se iniciou em 1900 e que se abandonou pouco depois,tendo-se gasto em pura perda algumas dezenas de contos, devido a diversos critérios e opiniões das autoridades que se substituíram.

Era essa a única maneira de substituir o caminho de ferro projectado em 1893 pela característica previdência administrativa de Neves Ferreira (relatório de 2 de Julho de 1912 para a Repartição do Gabinete – “Considerações sobre o problema do tráfego e situação comercial das regiões do Zombo, Damba e Chiloango.

Com efeito, efectuando-se as operações de permuta em Maquela do Zombo,conquistava-se ao comércio do Ambrisete o negócio que ia ali, por ser captado mais perto da sua origem, mas essa conquista era obtida à custa de um considerável encargo que o Ambrisete não sofria, qual era a de ter-se que transportar as mercadorias importadas
e as permutadas naquela localidade à custa do comerciante, desde Maquela até Noqui,ao contrário do que acontecia anteriormente no Ambrisete, para onde eram levados os géneros coloniais e donde eram trazidas as mercadorias europeias por conta e risco do indígena.

Mas não era só esta a dificuldade que assoberbava o comércio efectuado em Maquela.Acrescia também que o indígena do Zombo, comerciante por excelência, não se importava de ser o carregador de si próprio, voluntariamente, mas não estava disposto a ser carregador do branco, em interesse deste, porque, uma vez satisfeitos os seus desígnios e necessidades, tendo obtido em troca da sua borracha os artigos europeus que ia procurar,
não tinha interesse algum em fazer a longa caminhada de ida e volta de Maquela a Noqui,tanto mais que não obtinha como remuneração desse trabalho o suficiente para ter interesse em produzi-lo.

Daí derivaram as maiores dificuldades com o que o comércio de Maquela tem lutado desde o seu estabelecimento ali até hoje, e que o Governo tem procurado resolver com diversas instruções sobre o serviço de carregadores do comércio, que nunca podiam equilibrar estavelmente os interesses, evidentemente antagónicos, de comerciantes eindígenas.

Foram sempre adoptadas medidas paliativas que constam da copiosa documentação enviada à Secretaria Geral, e cujo fim era sempre o de procurar-se uma solução que permitisse sustentar a posição conquistada pelo comércio de Maquela, até que a estrada de San-Salvador saísse da forma nebulosa de um mito para transformar-se numa sólida
realidade.

Aos comerciantes, mais do que a quaisquer outras entidades, convinha ponderar devidamente a situação económica em que deviam colocar-se para poder sustentar a nova posição conquistada, oferecendo algumas vantagens, mas revestindo-se de alguns inconvenientes, que era forçado não agravar,para não sujeitarem a colocar sob a ameaça
da ruína que sufocou Ambrisete.

Não aconteceu, porém, assim, e em pouco e em poucos anos vemos o comércio de Maquela, e por consequência de Noqui , do qual é hoje na maioria filial, colocado em difíceis condições de vida, porque,, forçados pelas circunstâncias, se precipitou no oneroso sistema de concorrência pela elevação do preço dado ao género colonial, que havia promovido a bancarrota do Ambrisete,, degladiando-se os comerciantes de Maquela na subida dos preços que retribuíam a borracha do Ambrisete, e agora com a agravante de terem o género europeu e o género colonial encarecidos com a sobrecarga dos transportes, que atrás mencionei.

E digo que os comerciantes se precipitaram nesse caminho forçados pelas circunstâncias, porque só pela força delas pode admitir-se a repetição dum erro conhecido. Com efeito, tenho a certeza de que todos têm uma nítida impressão de que o sistema é mau, mas podem deixar de recorrer a esse péssimo expediente, devido à forma como os negociantes têm que conduzir o seu negócio originado pelas bases em que assenta o giro das suas firmas, do que resulta que, na maioria dos casos, os lucros que auferem das suas transacções, quando as têm, são mínimos , mal lhes chegando para manter os encargos da sua sustentação, como vou procurar demonstrar”..

( a seguir interessante explicação das várias “ moedas” em curso).

 

                                      Em colaboração com o Soba Honorário da Damba ARTUR MÉNDES

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