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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 29.

Publicado por Nkemo Sabay activado 13 Octubre 2010, 12:11pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA
Setembro a Outubro de 1912
In- NO CONGO PORTUGUÊS
Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso
Cabinda ,1913”  

 

FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA

 

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REGIME COMERCIAL E AGRICULTURA

 

As relações dos portugueses com o Congo foram quase sempre feitas pelo mar do Zaire, como via mais rápida e mais natural de ser seguida.

 

Por terra várias vezes foram tentadas, conseguidas e abandonadas, mercê de recursos de ocasião e das circunstâncias eventuais de toda a espécie, que tantas vezes nos forçaram a abandonar lugares obtidos à custa de tanto esforço, necessário de repetir quando uma nova oportunidade nos vinha facultar a reconquista de vantagens perdidas.

 

Esta instabilidade foi devida à falta de método e ausência de persistência, que temos manifestado através dos tempos, na desorientação de algumas das nossas empresas,embora fossem sempre caracterizadas pela mais galharda liberdade, pelos mais generosos intuitos e pela mais audaciosa das iniciativa.

 

Tivemos a província de Angola ligada com San-Salvador do Congo pelo Ambris, pelo caminho de Quimcole, em 1791, havendo então uma fortaleza neste lugar. Sorte vária levou-nos a perder essa comunicação, que foi restabelecida por Baptista de Andrade em 1856, quando ocupou o Bembe, fazendo-se então o caminho pela Quibala, sendo fortificados o Ambris, Quibala e Bembe. Foi uma das mais importantes expedições – esse que Baptista Andrade conduziu ao Bembe. Além do importante efectivo que comandava,teve à sua disposição, entre outros recursos, mulas, burros e camelos de Cabo Verde e das Canárias, para transporte de artilharia e munições. Não foi possível aclimatar esse gado ao Bembe, devido à qualidade do capim, que foi a causa da morte de todo ele.

 

Depois de 1873 deixámos o Bembe por ter sido abandonada a exploração das minas (ver portarias do Governo Geral nºs 109 e 110, de 11 Junho de 1873 ). Abandonou-se, pois,o caminho do Ambris, Quibala, Bembe, San-Salvador e quase que as relações com este último ponto.

 

O nosso domínio sobre o Congo ficou portanto perdido, pelo menos praticamente,sendo restaurado em 1885, depois da Conferência de Berlim. Todavia, só restabelecemos as nossas comunicações com San-Salvador por Quimbubuje em meados de 1911,prolongando as do Bembe para a Damba no mesmo ano, estendendo-se a nossa ocupação até Quivoenga em 1912, como já tive ocasião de referir minuciosamente em outro capítulo.

 

A ocupação comercial do Congo nada tem nem teve de comum com os antigos movimentos de ocupação militar, os quis visavam atingir a região interior do distrito,enquanto que desde os tempos remotos a ocupação comercial limitou-se ao litoral,disseminando-se pelo interior apenas muito recentemente.

 

A ocupação comercial que vou relatar neste capítulo refere-se apenas a territórios que ficam a sul do Zaire… “ Para o norte do Zaire, desde muito longe houve ocupação comercial, na costa, desde a ponta Banana para o norte, e desde a ponta Banana para o leste, ao longo da margem direita do Zaire.

 

Tivemos também uma fortaleza em Cabinda que foi arrasada em 1784, antes de concluída, pelos navios da Divisão Francesa, comandada pelo capitão de mar e guerra Marigny, sob pretexto de que a pretendíamos manter para proteger o embarque de escravos para o Brasil.

 

Para sul do Zaire, a ocupação comercial do litoral é de mais recente data, todavia muito anterior à nossa ocupação do distrito e mesmo à sua criação.

 

Ocupou-se militarmente o Ambris, em 1885. Neste lugar, onde já se achava estabelecido o comércio português e estrangeiro, afluía desde tempo, e em grande quantidade, o café do Encoje e da Quivoenga, o marfim daquém e dalém Quango, a borracha de quase todo o Congo e a malaquite das minas do Bembe, que era comprada aos muxicongos pelos indígenas do Ambris, que a traziam em quantidade de 200 a 300 toneladas durante cada cacimbo, percorrendo o antigo caminho da Quibala. Como nota curiosa acrescentaremos que os indígenas do Bembe não deixavam passar os do Ambris alem do rio Luqueia, para não descobrir o sítio onde estavam as minas…”

 

 

 

                                                                     Em colaboração com ARTUR MENDES

 

 

 

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