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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 24.

Publicado por Nkemo Sabay activado 12 Septiembre 2010, 03:01am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA - Setembro a Outubro de 1912.


In- NO CONGO PORTUGUÊS - Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso Cabinda ,1913”

 

Rm2485 197

 

CIVILIZAÇÃO DO INDÍGENA ( COLONIZAÇÃO )

(…) “Reconheci, portanto, e muito breve que era necessário intervir, com a instrução facultada pelo Estado em estabelecimentos seus, para promover a educação.(…) “Mostro quanto estou convencido de que mais necessária é a educação propriamente dita, do que a instrução; e, convencido também de que só pela agricultura poderá restituir-se ao distrito a riqueza que tem declinado por forma assustadora, como já em meu relatório de 1910 o dizia, e não vendo outra forma de restabelecer o rendoso comércio, que no Congo se efectuava ainda há poucos anos, senão por ela, tem sido intento meu orientar essa educação por forma a destruir gradualmente o preconceito contra o trabalho dos campos,com o fim de facilitar braços aos agricultores.

Foi assim que em 15 de Julho de 1911 lancei bases desse ensino educador com a minha proposta para a criação da granja do Quifuma, que foi aprovada por portaria provincial nº.1:414, de 30 de Dezembro desse ano.

A minha intenção, com a criação desse estabelecimento, era, e é, a de mostrar pela prática , pelo exemplo, como se tira partido dos recursos da natureza com o trabalho,corrigindo-a nos pontos do distrito onde ela é mais ingrata, levando a abundância aos povos onde agora por vezes sofrem as inclemências da fome e patentear-lhes, pela
evidência , como pela aplicação da acção conjugada e de um pequeno esforço continuado obtêm a sobre produção, incutindo assim o principio do rendimento que torna o trabalho lucrativo e promove a fortuna.

(…)Todo o meu empenho tem consistido em encaminhar os trabalhos da escola por forma a actuar sobre a intuição do gentio, influindo na imaginação dos adultos pela surpresa da transformação dos terrenos, que eles conheceram desde sempre como estéreis e avaros,tornados ridentes pelas aleias sombreadas dos novos palmares e pelo cultivo regular das várzeas a que eles consagraram o menor esforço para originar abundância, que brota com relativa facilidade dos solos africanos. (…) É claro que é indispensável o complemento do ensino literário, sem a qual brancos e pretos não compreendem que possa existir uma escola, e sem a qual não conseguiria por cero atrair a ela o mussorongo, ávido como todos de poder ler a mucanda. (…) Pela organização da escola está a sua manutenção e
organização a cargo da Comissão Municipal de Santo António do Zaire, como se vê pelos artigos 5º e 8º do respectivo regulamento, a qual, soba direcção do Governo do distrito(artigo 3º ), encontrará maneira de completar a sua acção, porquanto é de esperar que desta colaboração recíproca resultará o progresso real da instituição.

Com efeito, entrando na composição da Comissão Municipal elementos do comércio local e a autoridade local, parece que deverá àqueles, por interesse próprio, convir a manutenção e o desenvolvimento da granja, porquanto o comércio melhor de que qualquer entidade deverá ter a noção perfeita da decadência mercantil do Congo tem sofrido, e a perfeita intuição das suas causas, e melhor de que ninguém deverá compreender também que a ruína completa do comércio só poderá evitar-se modificando as condições económicas do meio, pela educação do indígena, criando-se assim uma nova atmosfera comercial que, transformando o indígena num consumidor regular, possa consentir a manutenção dos estabelecimentos que ali existem, os quis já não podem regressar ao negócio remunerador de outros tempos, que se baseava em princípios artificiais impossíveis de fazer persistir.

(..) Outras escolas montei subordinadas a esta orientação.

A escola Afonso Costa, em Noqui, situada sobre o caminho de San-Salvador, espero que será modelar e de grandes efeitos educadores (…) Tenho também grande esperança no resultado das escolas montadas em Lândana, Neuto, Buco Zau e Quelo, onde se procura,quanto possível, copiar os princípios fundamentais da granja do Quifuma. Não sendo estas últimas tão importantes, sob o ponto de vista geral, como as duas primeiras a que venho de aludir, mas é de crer que possam contribuir por qualquer forma útil para o auxilio da agricultura local, já estabelecida na região, e para disseminação do espírito do trabalho entre as populações do Miombe e do Quelo, bastantes avessas a ele…”

 

 

                                                                  Em colaboração com ARTUR MÉNDES.

 

 

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