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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Viagem ao BEMBE e DAMBA(2)

Publicado por Muana Damba activado 3 Julio 2010, 10:11am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

Por José Cardoso - Governador do distrito do Congo portugûes em 1912

 

 

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É empolgante o panorama que se desenrola na direcção do caminho já percorrido, quando chagamos à primeira cumiada, que depois nos impede de olhar na direcção do Bembe, três horas depois de se ter iniciado a ascensão. Goza-se quasi em toda a sua extensão o caminho feito desde o Bembe, e todo o território que fica para o norte das serras da Quivoenga, uma vastíssima superfície bruscamente ondulada em todas as direcções, que através da ligeira neblina da manhã nos dá a impressão de um grande mar encapelado que solidificasse instantaneamente , com os últimos cachões de rebentação a perder-se de vista, muito longe, nas fímbrias do horizonte.

 

Por mais de uma vez nos aparece este imponente espectáculo panorâmico. A paisagem local que então se encontra não desmerece da grandiosidade da paisagem panorâmica. Comprimem-se, em vales profundos, densas matas, que começam a tomar proporções de florestas onde se encontram já madeiras rijas, de árvores grandes, direitas, que, ávidas de sol, se esguiam por entre a vegetação enleante que ameaça roubar-lhes a luz e esganá-las em vigorosos cochados de lianas gigantescas; é frequente o feto arbóreo , alto, com 5 e 6 metros.

 

É frequente a floresta trepar aos cumes com vigor, esfarrapando-se nos troncos das árvores mais desenvolvidas os densos rolos de nuvens que o vento frio da manhã arremessa de encontro aos montes de do Ncuso.


Mesmo nos cumes desses montes, o solo é rico, abundante de húmus e repassado de humidade. Almoçámos ao meio dia em Quimbonde no dia 30, numa latitude de 1.000 metros, fortemente agasalhados, tal era o frio e a humidade.O caminho, embora simples caminho de preto, mantêm-se bem cuidado e limpo até a Damba, e isso devido ao grande movimento de caravanas que ainda hoje percorrem até Nlenvo, onde depois se bifurcam os caminhos para os diferentes pontos de negócio na costa.

 

Não é, porém, grande a importância comercial da região atravessada por esse caminho; embora abundante, não produz nenhum dos produtos procurados pela permuta; há, todavia, um comércio local activo entre o gentio, que se realiza em feiras que se reúnem em quatro dias, havendo todos os dias feiras em qualquer ponto da região.

 

A água é frequente, abundante e de óptima qualidade; encontra-se quasi que de hora a hora de marcha; é cristalina, correndo em leito de rocha ou areia limpa e calhau rolado.As povoações são grandes e densamente povoadas, as cubatas espaçosas e bem construídas . Assim como os caminhos, estão também as povoações muito bem tratadas e limpas, e, sendo estabelecidas de preferência nas eminências, todo o terreno da encosta está bem capinado e plantado de muitas bananeiras, muito bem cuidadas; há nas proximidades das povoações grandes plantações de mandioca, feijão, milho e batata, havendo também hortaliça em todos os povos depois do Bembe para o interior.


Os terrenos para as lavras são bem tratados, as cavas são mais profundas do que é vulgar nas povoações da costa, sendo o terreno defumado e adubado com as cinzas do capim e das raízes, que durante a cava reúnem em montes que são cobertos com camada de terra de forma a fazer arder o capim lentamente. Têm grandes terreiros para secar mandioca antes de a transformar em quicuanga, alimento que muito apetecem e que se encontra em grande quantidade nas feiras.


O indígena distingue-se do que se encontra até o Bembe pela sua vivacidade e esperteza, é activo, laborioso, negociante por excelência; vive vida alegre e desafogada.

 

 

                                                                       Pesquisado por  ARTUR MENDES

 

 


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