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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICOS DA DAMBA 16.

Publicado por Muana Damba activado 12 Agosto 2010, 10:24am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

 

Ocupação e administração. VIAGEM AO BEMBE E DAMBA. Setembro a Outubro de 1912

 

A ocupação Militar da Damba e a sua administração.


VIAGEM DO BEMBE E DAMBA – Considerações relacionadas. Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente de marinha, José Cardoso

Modo como actua e suas imperfeições --- sua correcção


Calculando o gentio, pelo pequeno intervalo de tempo que separou as diferentes etapas da ocupação proveniente dos acontecimentos do Zombo, e pelos boatos que ao tempo atravessaram o distrito, da Damba ao Quango, de que a nossa actividade não pararia, que lhe resultaria inútil o adoptar a politica usual entre os indígenas, de se afastarem quando a autoridade chega, resolveu ficar nos seus povos mantendo-se nas melhores relações com os comandantes dos nossos postos, recebendo-se em poucos meses, das povoações estabelecidas a dois dias em torno da sede da capitania da Damba, a importância de 9.238$50, proveniente do imposto de cubata , pago pelos povos duma região que nunca haviam recebido intimações da nossa autoridade e que meses antes apodavam os muzombos de
muleques do Governo!

O compasso de espera que se deu em nosso plano de ocupação foi interpretado pelo gentio como uma manifestação de esgotamento das nossas forças, da qual ele se propunha tirar partido.

Não têm, o indígenas do Bembe, interesses económicos, afinidades de raça ou de família ou quaisquer ligações políticas que prendam aos dambas estritamente.Têm apenas de comum o desejo de repelirem a nossa intervenção na sua vida.Todavia, levados pelas caravanas os boatos acerca da nossa inacção,resolveram repontar, e, em 3 de Julho de 1912 , recebia eu em Loanda a comunicação oficial que os povos da Pemba e Quivoenga , do sul da capitania,tinham tomado a ofensiva, atacando a fortaleza do Bembe, julgando-se por certo capazes de repetir o feito dos seus antepassados, que em 18… trucidaram a guarnição, restos do antigo batalhão que em 1857 ali tinha sido instalado pelo então primeiro tenente de marinha Baptista de Andrade, o primeiro ocupante daquela região.

Auxiliado pelo Governo Geral, enviei logo um reforço, que, sem permitir tomar a ofensiva, nos garantia o estado de defesa a protecção de Mabaia, onde tínhamos que proteger uma missão inglesa.

Enquanto isto se passava no Bembe, não se me preparavam mais agradáveis surpresas que deviam vir-me da Damba. A 21 de Julho, era-me comunicado oficialmente o estado de rebelião na área daquela capitania.Mais astuto e subtil, o indígena desta região dava às suas manifestações de hostilidades um aspecto mais complexo.

Existem na Damba casas comerciais que fazem comércio de permuta com os nativos do Pombo, povos que levam negócio a Maquela. No seu caminho para a Damba atravessam o Sosso , que vive do imposto de transito que lança sobre os pombos, os quais no seu caminho para Maquela são explorados por forma análogo pelos camatambos.

Antes da ocupação da Damba faziam os indígenas dali o mesmo, tendo até chegado a cobrar imposto aos negociantes europeus.

Reconhecendo o gentio que nos demorávamos em prosseguir na ocupação,pensou possível obrigar-nos a abandonar a nossa posição na Damba pela manutenção de um bloqueio comercial – uma espécie de boycott.

Julgava ele que a nossa estada ali era motivada principalmente pela estada do comércio e que, uma vez exilado este, sairíamos nós. Nessa ordem de ideias, o soba principal do Sosso, por nome de Mabiandagungo, fechou os caminhos, convidou o principal soba da Damba, de nome Zauambacala, a passar o rio Nzadi com a sua gente e haveres, para construir um forte centro de resistência, defendido naturalmente pelo rio Nzadi, e convidou o Camatambo a fazer causa comum com os aliados.

Anuíram os dois últimos aos desejos do primeiro, acordando todos num objectivo comum – a nossa retirada da Damba – movido cada um dos aliados por um intuito diferente…”

 

                                                                                     

 

                                                                    TEXTO SELECIONADO POR ARTUR MENDES

 

 


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