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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Viagem ao BEMBE e DAMBA (10).

Publicado por Muana Damba activado 20 Julio 2010, 12:16pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

 

Por José Cardoso - Governador do distrito do Congo, em 1912


 

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Pintura de Manuel Ngombo.

 

 

Os habitantes

 


MUZOMBOS


… A agricultura é exercida por mulheres e por rapazes, as indústrias pelos homens, e o comércio pelos homens e mulheres, em mercados, que tem ligar todos os dias em lugares relativamente próximos, mas diferentes em cada dia, repetindo-se todos quatro dias no mesmo lugar.


E esses mercados chamam “quitandas”, nome que hoje se aplica por toda a parte dos mercados gentílicos. Sendo o comércio a feição principal da vida do muzombo, a contagem do tempo é regulada pela periodicidade das quitandas, tendo que como uma semana de quatro dias, cujos nomes são, respectivamente, mpangala, konso, nkenge e nsona, e em relação aos quais fazem todas as suas referências de tempo, indicando-se este pelo número de quitandas, sempre que um intervalo de tempo a designar excede quatro dias. A própria autoridade regular faz as suas intimações indicando o número de quitandas a decorrer até ao dia da sua execução.


Sendo bastante curioso o espectáculo oferecido por uma quitanda do Zombo, procuraremos dar uma pequena ideia do que é um mercado desses. Estabelecem-se as quitandas em pontos elevados, em geral nos cruzamentos dos caminhos para os povos, em lugar sombreado por árvores desenvolvidas de larga copa e densa ramaria, escolhidas especialmente para serem plantadas nos locais mais apropriados para a quitanda.


O chão da quitanda é liso e sem vegetação, proveniente da frequência do piso e do amontoamento dos despojos e desperdícios do negócio, que, ao formar-se a quitanda, se dispõe em amontoado regular, em fileiras, sobre as quais se faz a étalage dos artigos para venda, de modo que abandonada a quitanda fica-nos á vista uma extensa superfície de lixo em ondulado gracioso. A vinte minutos da quitanda, e às vezes a mais, apercebe o viajante o borborinho confuso do vozear de milhentas vozes de mercadejantes e compradores.


Em Pangala Zombo, a quitanda mais importante cujo funcionamento presenceamos , a três horas da nossa administração de Maquela do Zombo,vi reunidas não menos de 3.000 pessoas, onde todos podem considerar negociantes, pois todos levam ao mercado o que têm ou que produzem, para obterem o que carecem, muitas vezes sem ser para uma aplicação imediata,mas para servir de meio de troca por um produto que só apareça em outra quitanda. A transacção por meio de moeda só se realiza nos casos em que não dá o encontro dos objectos preferidos pelos dois permutadores, sendoentão a moeda principal o cobertor, um pequeno cobertor de algodão, que não serve para tapar, e cujo valor aproximado é de 24 centavos, e a moeda para trocos a missanga de vidro azul, que vale aproximadamente, 5 milavos cada uma e que trazem em enfiadas contendo, cada uma, proximamente, o
valor de meio cobertor.

 

 

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                                                                                       Pesquisado por ARTUR MÉNDES.

 


 

 


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