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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Viagem ao BEMBE e DAMBA (1)

Publicado por Muana Damba activado 2 Julio 2010, 14:11pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

 

Por José Cardoso - Governador do Congo  português em 1913


 

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                  Uma coluna de exército português no Congo angolano em 1912. (Imagem de J.C.O)

 

Setembro a Outubro de 1912

 

Partimos do Bembe, com destino à Damba, no dia 28 de Setembro, às 5 horase trinta minutos, e chegámos ali em 1 de Outubro, às 10 horas, tendo percorridoa distancia aproximada de 140 quilómetros, que separa as duas povoações indicadas, em 28 horas e 40 minutos durante 4 dias de marcha. Não há entre estes dois pontos nenhuma estação da autoridade, nem estação comercial, e, não obstante ser um caminho relativamente frequentado por brancos de negócios, foi a primeira vez que foi percorrido pela autoridade, que não escondeu a sua qualidade durante sua travessia.

 

Encontram-se, todavia, importantes centros indígenas durante esse percurso, sendo dignos de menção, pelo seu desenvolvimento e população, Bêngua, Quissipe, Nlenvo, Quimbonde, Tenga, etc. Durante os dois primeiros dias de viagem anda-se em altitudes próximas da altitude do Bembe, não se descendo abaixo delas mais de 200 metros, subindo-se raramente acima daquela por forma digna de menção.

 

São bons os caminhos, bem cuidados pelo indígena, e a qualidade do terreno melhora gradualmente à medida que nos afastamos de Bembe, desaparecendo a argila e o gneisse, para dar lugar a ricos terrenos de húmos, especialmente no vale do Lucunga e perto de Nlenvo, no sopé da cordilheira do Ncuso, onde são verdadeira e excepcionalmente ricos, começando a ser exuberante a vegetação.

 

Em muitos sítios, porém, quási sempre nas cumiadas, aflora o gipso. No segundo dia de viagem, a uma hora de Bêngua, onde havíamos acampado, é o caminho interceptado por um rio importante, o Lucunga, cujas águas correm para o Mbrige, despejando ali a mais importante bacia que se encontra entre Bembe e Ncuso. Temo Lucunga, no ponto em que atravessámos, cerca de 50 metros de largura, não menos, correndo nesse ponto , e no fim da estação seca, um considerável volume de água com uma velocidade de 2 milhas à hora. A profundidade do rio no talvegue , no local da travessia, é de proximamente 2 metros, e há perto, para montante daquele local , a uns vinte minutos de caminho por terra, uns rápidos cujo ruído se aprecia distintamente ali.
Atravessa-se O Lucunga numa canoa gentílica, comprida de 15 metros, larga de 1,20, que transporta por cada viagem vinte pessoas respectivos mutetes carregados, tendo sido necessário quatro viagens para pôr a nossa caravana na outra margem o que consumiu 1 hora e 10 minutos.
Sendo rica em chuvas aquela região, deve o Lucunga ser um rio caudaloso na força delas. Até junto dele, alternam as charnecas com as matas, sendo estas cada vez mais densas, mas nem por isso variando muito a vegetação que, em plantas aproveitáveis , continua a apresentar o dendêm , o cajueiro, a bananeira e o ananás, desaparecendo por completo o baobab... È frequente atravessarem-se extensas plantações de mandioca, de belo aspecto e muito bem cuidadas.
Aumenta a humidade atmosférica desde o Bembe até a Damba. No terceiro dia de viagem, depois de termos cortado várias curvas e ramais de linha de água que se forma no sopé da cordilheira do Ncuso, atravessando densa mata e alto capim, começa a ascensão ao platô em uma profunda ravina, estando o caminho traçado pelo indígena, belamente escolhido, por forma a atingir-se, realmente, a mais elevada altitude, pela rampa mais suave, prejudicando o menos possível a distancia a percorrer. Desde então nunca mais se deixa de subir até se chegar à Damba, onde se atinge uma altitude de cerca de 1.200 metros.
                  
 
Extratos “ In- NO CONGO PORTUGUÊS VIAGEM DO BEMBE E DAMBA – Considerações relacionadas. Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente de marinha, José Cardoso. Cabinda, 1913”
                                                             
                                                        
               
                                                                    Pesquizado por  ARTUR MENDES




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