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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


FRAGMENTOS HISTÓRICO DA DAMBA 31.

Publicado por Nkemo Sabay activado 1 Noviembre 2010, 02:42am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

[Introduzir o Título do Artigo Aqui]

VIAGEM AO BEMBE E DAMBA
Setembro a Outubro de 1912
In- NO CONGO PORTUGUÊS
Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso
Cabinda ,1913”

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COMERCIO E AGRICULTURA

Em todos os casos, essas correntes de negócio eram alimentadas principalmente de borracha e marfim de proveniência belga, que conseguia esgueira-se por entre as apertadas malhas da vigilância da colónia vizinha, e que afluía nãos nossos mercados,porque neles obtinha uma paga tão elevada quanto o indígena desejava, comparada
com a fraca retribuição dadas pelos agentes do Estado Independente, a qual renumerava o indígena de maneira a compensá-lo das demoras e contratempos da longa viagem que tinha que fazer, bem como os graves riscos que se sujeitava para conseguir iludir a vigilância dos mesmos agentes.

A montagem dos nossos postos militares de Maquela e Cuilo e Qungo, realizada em 1896 e 1900, respectivamente, deu o golpe de misericórdia no nosso comercio da costa,desviando estas antigas correntes de negócio na direcção de Noqui, por passar esta a ser a e menor a linha de menor resistência para o comércio de saída e por a costa não poder continuar a manter os elevados preços, que provocaram o escoamento de mercadoria por aquelas linhas de drainagem mercantil durante tantos anos.

Em 1896, quando se montou o nosso posto de Maquela, já se fazia ali pequeno negócio.Bastavam então duas ou três casas para dar vazão ao pequeno mercado local, o qual se conservava restrito bastante, porque a grande feira de Quimbubuje, que era como que um ponto de concentração do comércio cafreal, continuava preferindo abastecer os
mercados da costa.

O movimento de tropas ocasionado pela montagem dos postos de Cuilo e Quango conseguiu estreitar as nossas relações com o gentio do Zombo, e fez desaparecer a desconfiança que impedia os povos de leste de transaccionarem com a gente do planalto,e que se opunha a que o negócio se realizasse em larga escala por Maquela e por San-Salvador, lugares estes que, pela sua posição geográfica, pareciam indicar a direcção mais
natural de ser tomada pela corrente de negócio, por isso que a linha Maquela a Noqui,ainda mesmo inflectida para San-Salvador, representa uma distância consideravelmente menor que a distância de qualquer das correntes seguidas para a costa.

Logo que o péssimo sistema de concorrência mercantil adoptado no Ambrisete impediu que o comércio da costa se degladiasse na manutenção dos preços ruinosos por que pagava o género cafreal, por ter excedido a permuta com o gentio um limite razoável, tornando-se absolutamente impossível deixar uma margem para compensar as
contingências das oscilações dos mercados europeus e para retirar algum lucro, depois de pagas as despesas da manutenção dos estabelecimentos , era fatal a ruína da costa.

Aconteceu, portanto, que desde 1894 a 1900 o movimento do comércio geral dos portos do litoral, pertencentes à circunscrição do Ambrisete, decresceu gradualmente, por uma forma normal, todavia sendo bem acentuada a tendência e bem fácil de explicar-se pelas razões anteriormente apontadas, e pela circunstância de não haver, pode dizer-se, no Ambrisete nenhum género de produção própria , regional, capaz de manter o comércio
local.

Santo António do Zaire, que nunca teve um comércio tão florescente como o do Ambrisete, mantêm-se sensivelmente estacionário durante o período de tempo referido,porque vive e mantêm-se com exploração de géneros de produção local, os quais, sem darem largas ao desenvolvimento de rápida fortuna, dão todavia margem para um lucro
remunerador do trabalho que ali emprega, e que está certo, enquanto esses géneros tiverem cotação nos mercados da Europa.

A Casa Holandesa e alguns comerciantes portugueses, mais previdentes e ponderados,já se haviam fixado em Maquela.

Em 1900 manifestou-se uma alta da borracha nos mercados europeus, que deu ainda ao Ambrisete uma aura efémera de florescência comercial, a qual mal interpretada por alguns comerciantes menos avisados, que aproveitaram a ocasião para abrir ali novas casas, pensando que reproduziriam os antigos tempos de prosperidade.

Todavia, a Casa Holandesa, mais conhecedora das causas remotas destas oscilações do negócio e portanto melhor habilitada para devidamente interpretar a significação desse desafogo passageiro, fechava, fechava a sua sucursal no Ambrisete, justamente em 1900, e também havia ponderado e pressentido essas causas remotas da decadência
do Ambrisete, e a impossibilidade da restauração do seu passado esplendor, baseado no género do negócio a que a especialidade do comércio do Congo se consagra, que o encerramento da filial, longe de ter um carácter provisório, tornou-se definitivo desde logo, pela venda de todas de todas as suas instalações, existentes ali, a uma firma
portuguesa.

Rápidamente, em 1901, cessaram os efeitos da alta que permitiu ao Ambrisete manter temporariamente os elevados preços com fez concorrer ali a borracha que se exportou em 1900, e manifestou-se então um brusco abaixamento nas transacções, obrigando muitas casas a fechar, reduzindo-se o comércio da circunscrição às circunstancias em
que se encontra, ficando convertidas em amontoados de ruínas as risonhas povoações comerciaias do litoral que divisavam do mar ao longo da costa, desde Quissembo até a Cabeça da Cobra….

( A seguir a transferência do comércio para Maquela )

 

                                                                                                    Texto enviado por  ARTUR MENDES

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