Overblog
Edit post Seguir este blog Administration + Create my blog

Portal da Damba e da História do Kongo

Portal da Damba e da História do Kongo

Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Família sem estabilidade está condenada ao fracasso

Publicado por Nkemo Sabay activado 30 Septiembre 2010, 12:52pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

 


Por Muanamosi Matumona | Uíge 

Bispo Francisco de Mata Mourisca esteve à frente da diocese do Uíge durante 41 anos

Fotografia: Jornal de Angola

 


O bispo resignatário da Diocese do Uíge é um homem que dispensa qualquer apresentação, atendendo ao tempo em que está em Angola (e não só), e em que esteve à frente da igreja local sedeada na província cafeícola. Em 2008, cedeu o seu “cadeirão” a D. Emílio Sumbelelo, do clero de Benguela.
No total, D. Francisco permaneceu à frente dos destinos da já referida diocese durante 41 anos, quando completava 80 de idade, um pouco mais de metade vivida em Angola. Por isso, considera-se “angolano” e, ao mesmo tempo, “português”, sentindo-se, assim, bem dividido.
Depois da sua retirada da pastoral activa, decidiu continuar a viver na cidade do Uíge, transferindo-se do gigantesco Paço Episcopal, que ele próprio construiu, para o modesto convento dos padres capuchinos, ordem religiosa a que pertenceu, antes da sua ascensão a bispo. Todavia, mesmo na reforma, o trabalho não tem faltado. Entre retiros, missas, pregações, destacam-se as suas actividades literárias. Neste preciso momento, conta com dezenas de obras publicadas, focando muitas áreas de saber: catequese, teologia, pastoral, filosofia, etc.
Neste sentido, é de realçar a sua mais recente publicação, intitulada “Surpresas Bíblicas?”, apresentada recentemente na cidade do bago vermelho. No livro, aborda várias questões que tocam a igreja, a sociedade e a província do Uíge. Para um “bate papo” sobre o assunto, o Jornal de Angola foi ao Uíge entrevistar esta figura de referência a nível regional, nacional e, porque não, internacional. Para animar o diálogo, Dom Francisco começou por falar dos capítulos mais importantes que estruturam a obra “Surpresas Bíblicas”. E disse: “Escrevi este último livro com o objectivo principal que norteia a nossa vida de pastores, que é evangelizar. Este é o primeiro motivo que me incentiva a exteriorizar, por escrito, o que penso”.
Sem se deter, continua: “Como bispo de uma igreja, que é a Católica, sinto-me chamado a assumir esta tarefa com muita responsabilidade. E para este livro, não fugi à regra. O tema está bem indicado. É provocativo. Penso que, pela chamada, dá para entender o que significam ‘Surpresas Bíblicas?’, na medida que o livro trata de assuntos muitos importantes que têm a ver com a vida cristã. Por isso, o público-alvo desta obra é o povo cristão em geral. Porém, apreciando bem a obra, conclui-se que tem também interesse para qualquer outro cidadão”.
Nesta perspectiva, naturalmente, pode dizer-se também que “Surpresas Bíblicas?” se destina a toda a sociedade, não tendo, assim, um espaço limitado. O autor justifica o facto: “Reconheço que escrevi para toda a sociedade. Por exemplo, o tema sobre Jesus Cristo que abordo no primeiro capítulo... Realço que Cristo é uma figura universal e essencial para a salvação do homem. Pois, Deus quer que todos os homens se salvem em Jesus Cristo. Noutra parte, falo do matrimónio como sacramento para o sexo! E é assim mesmo: Deus criou o sexo como algo que tem um valor muito grande para o homem e para a mulher. Foi, exactamente, com este valor que Deus instituiu este sacramento, que é o sacramento do matrimónio. Daí, a necessidade de dar a conhecer este sacramento, que é essencial para a formação da família humana, que passa, necessariamente, pela celebração do matrimónio, sacramento que dá a estabilidade à família. Ora, uma família sem estabilidade está condenada ao fracasso”.
Continuando a folhear, atentamente, a obra, no capítulo 7, depara-se com um assunto também não menos importante, na medida em que o autor fala directamente da terra que serviu como bispo, durante décadas. Significa isto que a diocese do Uíge consta também das reflexões de D. Francisco. A palavra, mais uma vez, para o prelado: “No capítulo [o sétimo] intitulado ‘O Evangelho no Uíge’, falo da evangelização nesta diocese, nossa terra. Reflicto sobre a religiosidade do povo desta província, que tem uma crença muito simples, mas eficaz e, ao mesmo tempo, especial. Trata-se de uma religiosidade baseada também na fé dos antepassados. Para o povo uigense, como para outros povos africanos, os antepassados são credores do máximo respeito e consideração. Acredita que é preciso cultivar boas relações com eles, porque eles continuam a existir e têm poder para ajudar na vida ou para punir”.
Sempre com a humildade e a frontalidade que lhe são características, no mesmo capítulo, o bispo aponta para outras igrejas radicadas nesta região, nestes termos: “São igrejas que não reconhecem a autoridade do Papa o qual, desde S. Pedro, lhe sucede na Cátedra visível da Cristandade, sedeada em Roma desde o tempo do mesmo Apóstolo. Faço referência, por exemplo, à Igreja Metodista, que se estabeleceu no Uíge, em 1975, começando o seu culto na igreja católica de São Francisco, emprestada por mim, na altura bispo local. Saliento também o facto de muitas novas igrejas e seitas terem como fundadores profetas naturais do Uíge. Há dados estatísticos oficiais que confirmam esta leitura.

Archivos

Ultimos Posts