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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Faleceu NSIMBA DIANA SPRAY.

Publicado por Muana Damba activado 1 Septiembre 2011, 13:49pm

Etiquetas: #Música


                              Luto


 

 

Segundo muitas fontes concordantes, o autor-compositor Nsimba, mais conhecido pelos melómanos como DIANA SPRAY, faleceu ontém em Luanda.

 

DIANA nasceu em Makela do Zombo no dia 3 de julho de 1946. Em 1961 seguiu os seus pais como refugiados no Ex Congo Belga, onde permaneceu até 1976, ano que ele regressou em Angola. Já no Congo, mais tarde Zaire, era famoso como cantor e autor compositor de talento. Descoberto nos meados dos anos 60, pelo outro músico angolano, também refugiado no Congo, Sam-Mangwana, este o presenta ao senhor Rochereau aliás Tabu-Ley, que, ao ser convecido pelo seu imenso valor artístico, incorpora-lhe no famoso conjunto AFRICAN-FIESTA NATIONAL.

 

Nos princípios dos anos setenta, seguindo a experiência com os maquisards (guerrilheiros) angolanos na luta contra o colonialismo português, Sam Mangwana funda o agrupamento Musical FESTIVAL DE MAQUISARDS, Simba DIANA será um dos pilares deste efémero conjunto. Meses depois, Diana vai separar-se do Sam Mangwana para fundar, com os outros dissidentes, o inesquecível GRAND MAQUISARDS, sucesso continental! Em 1974, o GRAND MAQUISARDS não sobrevive às intrigas fomentadas pelos outros cantores invejosos, Diana será recuperado pelo Tabu-ley onde reencontrará por um breve momento Sam- Mangwana, no agrupamento AFRIZA. As canções de antologia como, "libala ya huit heures du temps, Santa wa ngai, Diamante" da sua autoria, animaram bares do Nairobi, Freetowm, Dakar, Lagos, Brazzaville, Leopoldville (Kinshasa).

 

Em 1976, Diana regressa definitivamente em Angola. Em Luanda é acolhido pelo Eliás Diakimuezo, do qual obtém um apoio artístico para a sua inserção no meio cultural angolano. Na ocasião das comemorações do 1° aniversário da proclamação da independência, os cantores angolanos regressados do ex Zaire improvisam um conjunto musical convista a participar nas celebrações, no pavilhão da cidadela, assim  nasce a orquestra INTERNACIONAL (INTER) PALANCA, dirigido pelo cantor MÁRIO MATADIDI MABELE. Diana é recrutado e acompanhará Matadidi no estúdio, na gravação das canções de índolo revolucionário como: "Obrigado camarada Agostinho Neto, Angola nossa terra, Café, Bakokosa yo bakokosa, o camarada presidente disse".

 

Uma parte de músicos integrantes da orquestra Inter -Palanca, entre os quais Otis Mbembay, Diana, etc, entram em conflito com Matadidi, vão fundar um conjunto designado "Os Malucos", mais tarde Diana vai baptizã-lo em OLIMPIA. Na ocasião, compõe uma canção em memória do lendário comandante do MPLA, Valódia, apesar se ser composta em lingala, a canção vai conhecer un sucesso sem precedente em Angola e obtém por parte da então Secretaria de Estado da Cultura o apoio necessário, que lhe permitiu arrancar a sua carreira musical em angola. Vai compor mais tarde canções que vão atravessar a fronteira de Angola. Kanducha, Sim senhora (moni dode), Marguerida, Cherie Mena simba munu, Diana mama, etc, conhecerão sucesso a nível de África Central.

 

Há muito tempo sofria de doença mental, que afastava-lhe por muito tempo nos palcos.

 

O site da Damba, apresenta a família enlutada, as sinceras condolências.

 

 

                                                                                                        Muana Damba.

 

    Recordar a figura do Diana.

    Por Jomo fortunato

Diana Simão Nsimba (à esquerda) começou a cantar aos 16 anos quando foi descoberto por Sam Mangwana no Congo Democrático onde integrou a Orquestra África Fiesta Nacional

 

Fotografia: DR

Com a proclamação da independência de Angola, muitos patriotas emigrados no Congo Democrático retornaram à pátria, dando corpo ao "período do retorno", movimento de suma importância na história da Música Popular Angolana, assim designado por serem apelidados "retornados", muitas vezes com sentido pejorativo, os angolanos oriundos do então Zaire.
Nessa época, que vai de 1976 a 1979, destacaram-se os cantores e compositores Matadidi Mário Bwana Kitoko, o duo constituído por Pepé Pepito e Nonó Manuela, Tabonta e Diana Simão Nsimba, figuras de forte intervenção musical, no domínio da canção política.
Tabonta, por exemplo, é o autor de "Welele Neto" (Neto desapareceu), uma das mais belas canções, cantada em Kikongo, que homenageia a figura de Agostinho Neto, em que o cantor lamenta, de forma profundamente poética, o trágico desaparecimento do primeiro Presidente de Angola.
Diana Simão Nsimba nasceu no dia 3 de Julho de 1946, em Maquela do Zombo, e, aos 8 anos, partiu para a República Democrática do Congo com os pais, onde prosseguiu os estudos primários na Escola Católica S. Paulo, no Quartier Barumbú, em Kinshasa. Descoberto por Sam Mangwana, que o apresenta a Tabuley Rochereau, Diana Simão Nsimba demonstrou os dotes de compositor, primeiro, é só mais tarde veio a revelar os atributos enquanto intérprete, aos 16 anos.
Oriundo de uma família camponesa, recebeu uma educação de forte pendor religioso, absorvendo o misticismo da cultura rural, com os seus cantos de celebração ritualística, enquanto a mãe cantava nos momentos de labor agrícola.
De Tabuley Rochereau, que o aconselhou a interpretar as suas próprias composições - recorde-se o tema "Libala a huit heures de temps" (Casamento de oito horas) - Diana Simão Nsimba recebeu o nome artístico, homónimo a uma canção de amor, da sua autoria, que frequentemente interpretava.


A época das orquestras

Com o surgimento das academias de música e a evolução das tecnologias de gravação, criadas e desenvolvidas na época da colonização belga, em 1950, Kinshasa e Brazzaville tornaram-se dois pólos culturalmente associados, propiciando a aparição de importantes orquestras. É assim que surgem, no então Zaire, a Orquestra OK Jazz, fundada por Nino Malapet, African Jazz, African Fiesta Internacional e a Orchestre Afrisa Internacional, de Tabuley Rochereau e Dr. Nico, que vieram a influenciar, de igual modo, importantes guitarristas angolanos.
Muitos dos músicos mais influentes da história do Congo Democrático surgiram das grandes bandas, incluindo o cantor e compositor Samangwana, fundador da African All Stars, Ndombe Opetum, Vicky Longomba, Dizzy Madjeku, Kiamanguana Verckys. Foi a época do desenvolvimento da rumba e da generalidade do ritmo soukous, designação que tem um significado muito mais amplo e se refere também à generalidade da música congolesa.
Diana Simão Nsimba passou então a integrar a Orquestra África Fiesta Nacional, liderada por Tabuley Rochereau, onde permaneceu de 1968 a 1970, contra a vontade do pai, que o queria mais devotado aos estudos. Decidido a ser cantor, integrou em 1972, ainda como vocal, a Orquestra Les Grands Maquisards do célebre Ntesa Dalienst, de que faziam parte Lokombé e André Kiesse Diambu (vocal), Jeannot Mboko, Maubert e Jean Marie Kabongo (trompetes), Dizzy Mandjeku e Augustin Nsingi Mageda (guitarrista solo), Basile Loulou (vocal música pop), Kalambayi (guitarrista), Michel Sax (saxofone), Dave Makondelé (guitarra), Domsis (tumba), Franck Nkodia (guitarra baixo) e Tambu (bateria) onde permaneceu durante dois anos e retomou ao Afrisa – a nova designação do grupo de Tabuley Rochereau.
Convidado pelo cantor El Belo, do agrupamento Kissanguela, Diana Simão Nsimba participa, em 1976, no grande espectáculo comemorativo do primeiro aniversário da Independência de Angola, na Cidadela Desportiva, com o agrupamento Inter-Palanca.
Naquela época eclodiram os grandes sucessos de Matadidi Mário Bwana Kitoko: “Café”, “Obrigado Agostinho Neto”, “Valódia”, “Ba Kokossa” e “Muana Angola”. Decidido a formar a sua própria banda, abandona o Inter-Palanca e funda o agrupamento Olímpia com o Gingle (viola baixo), Kinaló (viola ritmo), Mengue (guitarra solo), Kokoló (bateria), Fifi e Murra (vozes).

Declínio do Olímpia

Os primeiros sinais de declínio da orquestra Olímpia começaram a surgir em 1986, por uma natural desintegração interna, mas é justo recordar as canções “Canducha”, “Bolingó Passi”, “Marguerida” e “Sim Sinhola”, temas que Diana imortalizou com o inapagável tenor da sua belíssima voz.
De notar que a fusão entre a experiência dos músicos oriundos do Congo Democrático e a sua inclusão na generalidade dos géneros angolanos revolucionaram a estética de muitos grupos paradigmáticos da Música Angolana: Kiezos, Jovens do Prenda e Instrumental 1º de Maio, este último formado maioritariamente por compatriotas oriundos do ex-Zaire, sobretudo na secção dos metais, e onde o Diana teve uma passagem efémera.
A reconstituição histórica da Música Popular Angolana passa, necessariamente, pela alusão ao “Período do Retorno”, entendido como importante fase de prolífica criação artística, da qual Diana Simão Nsimba foi uma figura de relevo e de inquestionável importância, em que o sentimento nostálgico e a emoção da liberdade e independência constituíram os motivos inspiradores de um virtuoso movimento artístico, de grande impacto na história social da Música Popular Angolana.

Doença e morte

Desmotivado e sem capacidade financeira para gravar, embora tenha sido a sua intenção nos derradeiros momentos da vida, Diana Nsimba Simão sofria, há cerca de cinco anos, de visão monocular e denotava sinais de desequilíbrio do foro psicológico, tendo falecido no dia 29 de Agosto, às 16h:00, provavelmente por suicídio, na sequência de uma queda do quarto andar do edifício onde morava.
Diana estava afastado dos palcos e tencionava participar no Muzongué da Tradição do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, que era realizado em homenagem à banda “Olímpia”.
A comissão directiva da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) emitiu uma nota a lamentar o incidente, realçando a importância do artista e valorizando o conjunto da sua obra, considerando-o "um dos mais exímios intérpretes e compositores nacionais e ilustre figura que dedicou boa parte da vida à promoção e valorização da música angolana".
Diana Simão Nsimba foi um dos convidados no primeiro aniversário do “Muzongué da tradição”, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, realizado em 11 de Fevereiro de 2007.
Na ocasião interpretou os sucessos “Margarida”, “Pakita”, “Bongolola”, “Ana”, “Beto na Beto”, “Canducha”, “Valódia”, “Pongolola”, “Laurete”, “Bolingó Passi”, “Homenagem a Franco”, “Mena” e “Sim Senhora”, tendo recordado os tempos da rumba congolesa acompanhado pela Banda Olímpia. Participaram no concerto, o agrupamento “Jovens do Prenda”, Calabeto e Samangwana, seu velho companheiro.



                                                                                                        J.A


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