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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Factores Estruturantes da Cultura Tradicional Zombo (o modelo económico)

Publicado por Muana Damba activado 28 Noviembre 2012, 01:56am

Etiquetas: #Fragmentos históricos do Uíge.

 

 

Por Dr José Carlos de Oliveira

 

 

Jose Carlos de Oliveira l

 

 

 

O Modelo Económico



O continente africano é uma massa continental com cerca de oito mil quilómetros de comprimento e sete mil quilómetros, na sua largura máxima. Todo o continente está sujeito a temperaturas, relativamente elevadas, em relação aos outros continentes e nenhuma das suas áreas sofre a influência das massas de ar frias continentais. Nas proximidades dos trópicos, as terras apresentam-se secas e no deserto do Saram as temperaturas diurnas são elevadíssimas.



Em direcção ao sul, essa tipologia climática vai-se modificando, mudança essa expressa na frequência e intensidade das chuvas, havendo grandes diferenças entre o clima sudanês, com precipitações dos 750 a 1000 mm3, o que explica o revestimento vegetal de folha caduca e o clima saheliano, com as suas características áridas, onde predominam os tufos espinhosos. Na zona equatorial, a convergência dos ventos alísios explica as chuvas torrenciais e frequentes durante todo ano. Quando a floresta passa a floresta de galeria, aparecem as clareiras seguidas de intermitentes savanas, para finalmente dar lugar às grandes savanas africanas.A economia, na África tradicional, envolve ainda hoje aproximadamente oitenta por cento da sua população e este é, acima de tudo, um problema de ordem geográfica, tal como atrás ficou expresso. Todas estas culturas estão pendentes dum clima de excessos – ou chove muito ou não chove quase nada – por isso, a distribuição pluvial é de importância fundamental. Muitos estudiosos vêem na distribuição das chuvas, a razão do acantonamento das populações africanas. Nas savanas, há muitas zonas em que não chove o suficiente e para agravar a situação são as zonas da mosca do sono, o que por si só, proíbe a pastorícia. Por outro lado, grande parte do continente, cerca de quarenta por cento é ocupado por desertos, que no caso do Saara não tem fronteira certa, mas a tendência infelizmente, segundo os estudiosos, é para alargar oito quilómetros por ano, o que coloca às populações que nele vagueiam, problemas de dificílima solução. O rio Niger tem um negro futuro, estando a tornar a vida das comunidades muito difícil, donde resultam grandes migrações de populações para o sul. Em suma, o que está em jogo é a quantidade da precipitação de água das chuvas, de modo a permitir a agricultura.



mazandum


Como sabemos, o Equador divide a África em dois, implicando a quase simetria dos climas. À medida que nos afastamos dele as chuvas começam a diminuir e quando se chega ao deserto praticamente não há chuva. Estas condições tornam a agricultura profundamente condicionada à itinerância e ao modelo de subsistência volante, semi-nomadizado e sem circulação de produtos, feita portanto em terras itinerantes devido ao esgotamento dos terrenos, significando que o agricultor trabalha a cultura durante três a quatro anos. Por esta breve descrição de modelo económico, compreende-se a nomadização das aldeias, onde os terrenos são comunais. Hoje existem as fronteiras, já não é tão fácil a migração, mas mesmo assim, o processo desta agricultura ainda se pode encontrar no interior, com menos contactos culturais, em que a prática de cultivo é simples e modesta, tendo como objectivo a produção indispensável à manutenção do grupo familiar e à guarda de pequenos excedentes, para sobreviver a anos desfavoráveis. Hoje, só subsiste, em casos excepcionais, na sua pureza inicial. O homem africano conhece o terreno, é um homem prático. Os que forem de fora da comunidade têm que aprender com ele. Em cada zona, o homem tem a sua maneira de trabalhar a terra e quem alterar o sistema terá de rodear-se de sérias precauções sob pena de redundantes fracassos.



Contrapomos assim, que o território próprio dos zombo, é favorecido pela benesse única inerente ao seu planalto. A queda pluvial regular permite colheitas muito abundantes, especialmente de oleaginosas. As suas condições estão ainda marcadamente subestimadas pelos recentes períodos de guerra, tanto a colonial como as que se prenderam com a disputa pelo poder político que permitiria a estabilidade obtida através da independência.

 

 

 

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