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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Factores Estruturantes da Cultura Tradicional Zombo (a descendência e a residência))

Publicado por Muana Damba activado 26 Noviembre 2012, 01:53am

Etiquetas: #Fragmentos históricos do Uíge.

 

 

Por Dr José Carlos de Oliveira

 

 

Jose Carlos de Oliveira l

 

 


A Descendência


Se a sucessão implica liderança, a descendência diz respeito à herança, embora ligada à sucessão. Em África, por razões eminentemente geográficas (referimo-nos ao revestimento florestal), encontramos dois tipos de descendência: a patrilinear, também chamada seminal ou agnática e a matrilinear, também chamada uterina ou cognática, que se refere ao conhecimento absoluto, não há duvida nenhuma que se uma mulher deu à luz estes filhos, eles são do conhecimento absoluto que saíram do ventre dela. E também toda a gente sabe que o seu irmão nasceu do mesmo ventre da irmã, nas veias dele circula o mesmo sangue que a sua irmã e, se a sua irmã deu à luz, todos os filhos têm o mesmo sangue e, por isso, se designam cognáticos.

Assim, qual o objectivo da descendência cognática? Este tipo de descendência pretende garantir a consanguinidade porque, é através dela, que se transmite a herança, legada por via materna, através do útero.

Em relação, ao sistema de descendência patrilinear significa que quando o patriarca morre, os seus herdeiros têm a consanguinidade fundamentada no sémen, portanto via paterna, pressupõe uma certeza, mas apenas a calcula, porque quem gera os filhos é o elemento feminino. Chama-se a isto descendência patrilinear, os herdeiros são os filhos do patriarca. No sistema de descendência matrilinear, a consanguinidade é dada pelo útero e não pelo sémen, então quem são legitimamente os ascendentes? Tendo em conta que o chefe de família é um homem, será o irmão da mãe, tem o mesmo sangue que ela, pois os dois irmãos nasceram do mesmo útero. Neste caso, a descendência faz-se por via uterina, mas como a mulher não pode ser chefe (chefe é sempre um homem) será o seu irmão e, por isso quando morrer, quem herda a sucessão será logicamente o seu sobrinho, porque este lhe garante a consanguinidade.



  A Residência



Na África tradicional, o fenómeno da residência matrimonial reveste-se de importante significado. Além disso, a sua localização permite-nos perceber a interdependência respectivamente da mulher em relação ao marido e vice-versa, sempre condicionados à economia doméstica como também veremos adiante.

Analisemos cada uma das modalidades: a mulher é sempre a geratriz da vida, é a matriz dessa mesma vida e, tanto num modelo como no outro, é a produtora do ser. Portanto, importa ter em conta onde vai residir quando casa.

Quando se trata de povos de descendência patrilinear, a mulher sai da sua povoação e vai viver para a povoação do consorte, o que significa que o seu comportamento é permanentemente vigiado pela família deste, dificultando da parte dela, qualquer comportamento menos próprio, o que quer dizer que ela terá alguma dificuldade em ter relações extraconjugais. Se a fiscalização actua sistematicamente sobre o seu comportamento, isto quer dizer que os filhos que ela produziu, são agnaticamente, quase de certeza do seu marido. Isto verifica-se, primeiro, porque não pode sair da povoação e, segundo, porque na povoação não entram estranhos. Deste modo, indo viver para o local da componente viril, adopta a residência virilocal.

Já no sistema de descendência matrilinear, a mulher quando casa não sai da sua povoação, por alguns motivos, a destacar: na sua povoação de origem, vivem todos os elementos ligados a ela, por consanguinidade, estes elementos são o seu ponto de referência e esta é primeira razão, que podemos apelidar de institucional; não saindo da sua povoação significa que o marido não vive com ela, tem outras responsabilidades pois também no seu local de origem, pode vir a ser ou é o responsável pelos filhos da sua irmã, será então o tutor e pai social dos seus sobrinhos uterinos. É este tipo de residência que efectivamente faz com que a mulher após o matrimónio, permaneça na sua povoação, no lugar do útero, chama-se por isso residência uxorilocal ([uxori] do latim, útero).

Na residência virilocal, os filhos podem ser do marido mas também podem ser de outros encontros fortuitos, por isso, é fundamental garantir a consanguinidade através de certezas e não de pressupostos. Consequentemente, a tutela sobre os filhos é retirada ao pressuposto pai para ser entregue a um outro pai, que passa a assumir a tutela de seus filhos, ou seja, ao tio das crianças, seu irmão.

No caso dos zombo, face ao sistema colonial, existem algumas particularidades, no que concerne a residência. Se, normalmente, será a esposa a dirigir-se e fixar residência junto da comunidade do marido, visto que estão, em tempo de querelas, a localização da família vai depender, sucessivamente, do proveito político que tirarão dessa mesma localização. Assim, por mais paradoxal que pareça, a experiência da colonização serve-lhes à independência.

 

 

 

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