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Portal da Damba e da História do Kongo

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Entrevista com o Bispo do Uíge, Emílio Sumbelelo

Publicado por Muana Damba activado 7 Enero 2012, 00:00am

Etiquetas: #Entrevistas

Por David Filipe

 

Há cerca de 65 missionários para 600 mil fiéis.

 

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Como avalia a situação da Igreja católica na provincia do Uíge?


A igreja Católica no Uíje vai como o bom Deus vai permitindo. Como é do seu conhecimento, em cada
ano pastoral nós temos uma certa projecção, uma marca que traçamos e procuramos cumprir. Durante o ano passado, tivemos como ponto culminante da pastoral o acompanhamento das famílias. Estamos na linha daquilo que é o triénio que a Conferência Episcopal dedicou à Família. No ano passado,
o tema foi a «Família e o Matrimónio», este ano será «Família e Reconciliação» e, em 2013, «A Família e a Cultura».

 

A família no centro das preocupações.

 

Todo o movimento pastoral das nossas dioceses em Angola vai girando à volta desses grandes eixos. Toda a nossa pastoral, todos os nossos esforços foram, em 2011, à volta de ajudar as nossas famílias a serem verdadeiras famílias. Explicamos aos jovens o valor do sacramento e do matrimónio. Temos um diocese bastante extensa e com comunidades distantes umas das outras.

 

 

O facto de ser uma diocesse extensa dificulta o vosso trabalho?

 

Temos uma diocese que vai caminhando, uma diocesse formada por paróquiasde 20. À frente de cada paróquia está um padre, que é pároco superior, com o seu vigário paroquial. Os dois vão fazendo as suas actividades. E há aquelas comunidades que, para além de padre, têm também irmãs e, todos juntos na mesma paróquia, vão criando a vida espiritual das comunidades. Contamos também com o trabalho dos nossos valorosos catequistas que vão levando mensagens às aldeias e lugares mais distantes, sempre em comunhão com o pároco. Esta é nossa vida e a nossa dinâmica.

 

A diocesse do Uíge teve êxitos à volta deste eixi "Família e Matrimónio"


Tivemos sucesso em muitos aspectos. Tive a sorte de reunir com todos os párocos para ouvir de cada
paróquia o que é que eles apontaram como linha de acção, dentro desse grande tema de «Matrimónio
e Família». Passou um certo tempo, fizemos uma avaliação conjunta geral. Tudo se encaminhou bem.
Naturalmente, não faltam dificuldades. Sabemos as dificuldades que as nossas famílias vão vivendo. Quer famílias alicerçadas sobre o sacramento do matrimónio, quer famílias que se uniram com o ma-
trimónio tradicional. As nossas famílias vivem com grandes problemas. Um dos maiores, talvez seja vai levar o seu tempo a ser debelado, a ser corrigido - o do acompanhamento da educação cuidadosa dos filhos.

 

Porque isto acontece?

 

Sabemos que a família é o viveiro onde está o filho e onde ele cresce. É neste viveiro que o filho vai ten-
do os bons costumes que nós chamamos valores morais e cristãos. Mas, talvez por causa de muitas si-
tuações que vivemos no passado e que agora vamos vivendo também, às vezes, os filhos não dão ouvidos aos pais e, naturalmente, isto nunca deixa de bom grado uma família. Este é o primeiro aspecto. O segundo aspecto, de que tantas famílias se foram queixando, é que são poucos os matrimónios que se verificam nas nossas paróquias, quer do interior, quer também nas duas grandes cidades Uíje e Negage. 

 

Porque é que houve poucos matrimónios?

 

As razões são várias. Precisamos contornar essas situações que, muitas vezes, justificam porque não se
casam. Como todos sabemos, a alegria de um pai e de uma mãe é ver o seu filho, a sua filha, a realizar o casamento. Essa tem sido a grande dificuldade que temos encontrado na nossa pastoral. Por aquilo que me vou apercebendo, esta não é só uma dificuldade da diocese do Uíje. Uma boa parte das dioceses de Angola está a enfrentar esse grande desafio. Uns alegam problemas de condições de vida, outros alegam que querem realizar o casamento quando tiverem tudo pronto para a vida. Mas o que vemos, na prática, é que muitos vão amigando. Estes são os desafios neste primeiro grande eixo de «Família e Matrimónio». 

 

Quais são os outros problemas?

 

Outro grande problema esse vai levar tempo, porque o caminho de formação quer para a vida religiosa,
quer para o sacerdócio, leva tempo é o da ordenação sacerdotal. Eu fechei o ano de 2011 com uma ordenação sacerdotal, como um caminho que se faz de pastoral de oração. 

 

Quantos diáconos foram ordenados no ano passado?

 

Durante o ano passado, tivemos a ordenação de dois diáconos. Um que é diocesano, que foi ordenado
no dia 31 de Dezembro, e outro diácono é da congregação dos padres passionistas. É um português que veio cá e trabalha cá. Preferiu ordenar-se aqui no meio do povo que está a servir. 

 

Como encara esse gesto de um padre português ser ordenado em Angola e não ao lado da sua famí-
lia?

 

Foi um jesto muito lindo. Ele não preferiu ser ordenado na terra dele, onde tem parentes, amigos. Preferiu ser ordenado nessa nova família que encontrou. Tivemos também a ordenação presbiteral de um padre da congregação Divina Providência, que é filho do município de Negage. A ordenação foi lá.

 

O património da Igreja Católica no Uíje confiscado pelo Governo já foi devolvido?

 

Já. Em 1992, tivemos a graça de ter de volta todas as infra-estruturas que no passado tinham sido con-
fiscadas ou então que serviram o governo nas outras esferas. Agora existe o desafio para a reabilitação
das mesmas para poderem continuar com o objectivo pelo qual foram concebidos. Este é um trabalho que temos vindo a fazer, quer com o executivo local, como com o Governo central. Apraz- nos dizer que, no mês de Julho do ano passado, alguém mandatado pela Casa Civil da Presidência da República veio fazer esse levantamento. No mês de Dezembro ainda trocámos diálogo para ver se tínhamos tudo sob controlo. Agora está em curso o diálogo de reabilitação.

 

O corpo de missionários é suficiente tendo em vista a extensão da província do Uíje?

 

Não. Neste momento, para uma extensão vasta da diocese do Uíje, que são quase 64 mil km2, e com um certo número de cristãos católicos, quase 600 mil, conto com 65 padres, que não são quase nada. O ideal seria ter em cada missão, em cada lugar, ao menos três padres para poderem atender à demanda espiritual dos fiéis. Mas estamos a contentarnos com aqueles que temos. Fazemos omeletas com os ovos que temos. Nós temos um seminário, que é um viveiro, é o futuro de qualquer diocese. É neste viveiro que concentramos todas as nossas esperanças Não. e esforços para que, depois do fim
da caminhada, muitos sigam o sacerdócio para poderem atender às demandas. Nós, para além de padres diocesanos, contamos também com a presença bastante valiosa dos padres capuchinhos. Aliás, foram os primeiros missionários aqui nas terras do Uíje e no norte de Angola. Contamos também com os padres passionistas e um padre da Divina Providência. É um número diminuto, mas vamos fazer tudo com a ajuda dos próprios catequistas que são os braços longos dos padres e dos missionários, que vão chegando às aldeias e às pequenas comunidades.

 

Correspondem à verdade os relatos, segundo os quais há muita expulsão de freiras na província do Uíje?

 

A situação não se coloca assim. Os institutos religiosos, sobretudo femininos, têm um outro estilo, têm uma outra organização, têm uma superiora própria e têm uma disciplina própria. Quando a própria superiora vê que o estilo de vida de uma determinada irmã é incompatível com a vida religiosa, ela propõe a expulsão à sua superiora maior, e estas tomam a decisão. Muitas vezes, o bispo apercebe-se no fim que a fulana já foi mandada embora.

 

Porque é que o bispo se apercebe tarde destas situações?

 


Nós temos, a nível da igreja, uma disciplina própria. Os padres têm critérios próprios, como também as
irmãs têm uma disciplina própria. O bispo não se pode intrometer na vida das freiras porque elas têm uma organização e uma disciplina e, depois, uma hierarquia própria. São elas que tomam as decisões e comunicam ao bispo. Em abono da verdade, no ano passado, aqui no Uíje, não saiu ninguém. Houve foi transferência de irmãs.

 

Continua...

 

                                                                                               O Novo Jornal

 


 

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