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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Contribuição para o estudo da influência do português na língua quicongo 3.

Publicado por Nkemo Sabay activado 9 Diciembre 2010, 14:24pm

Etiquetas: #Vamos aprender Kikongo.

FRAGMENTOS HISTÓRICOS DE ANGOLA

Por MANUEL ALFREDO DE MORAIS MARTINS – 1958

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ANTROPONÍMIA

Logo nos primeiros anos de contacto, os indígenas do Congo começaram a usar nomes portugueses. O exemplo foi-lhes dado pelos primeiros reis católicos, que, com o baptismo, receberam nomes cristãos, sobretudo os dos reis e fidalgos de Portugal.

 

O costume passou dos reis para os súbditos e foi-se difundindo entre as populações conguesas, independentemente da envagelização, levado pelas caravanas dos pumbeiros e dos bazombo (1). Esses nomes sofreram alterações impostas pela adaptação às características fonéticas da língua e estão absolutamente integrados na cultura local.

 

Todos os nomes tradicionais do Congo têm o seu significado e são postos de harmonia com certas circunstâncias ocorridas antes, durante ou depois do nascimento ou, mais tarde, em face do carácter da criança. Pois alguns nomes portugueses estão já de tal forma enraizados que para eles também existem explicações tipicamente conguesas. È o caso entre outros, dos nomes Domanuele ( D. Manuel.) e Ndonderi ( D.André ) . Domanuele significa “ toma-o, entendo-o; se o entenderes és sábio”

Para Ndonderi a explicação é: “ Ndonderi é como pássaro nzongi-nzádi; a sua força vem de Deus”. Normalmente o nome Domanuele será dado a uma criança tranquila e Ndondei a uma inquieta.

Muitas vezes os nomes portugueses são antecedidos de Ndo ( Dom) quer separado,quer incorporado no próprio nome, como por exemplo em Ndombele ( D.Abel ) Ndombaxe ,( D. Sebastião.), Ndotóni ( D. António ), Ndongala (.D.Garcia ) (…) Como é natural, os nomes masculinos aparecem em maior número do que os femininos. Isso deve-se a várias razões.


Dadas as características da sociedade conguesa, o homem possui maiores condições de receptividade às inovações, funcionando a mulher como elemento conservador ou moderador. Por isso a mulher foi sempre refractária à conversão, e daí a existência de poucos nomes cristãos femininos, introduzidos por via do baptismo. Outra razão
importante, talvez a de maior peso, assenta na circunstância de só há relativamente poucos anos terem começado a viver no Congo mulheres portuguesas. Eis alguns nomes portugueses que o quicongo adoptou e adaptou:

Masculinos

Nzuau João – Mbele……Abel – Zoze e Zuze …… José – Fusu ou Funsu …… Afonso –
Sibatiau Bariau e Baaxe…… Sbastião – Simau…… Simão.

 

Mpételo…… Pedro –Mpaolo …… Paulo – Ngasia ou Ngala ….. Garcia – Manuele….. Manuel
– Daniele ….. Daniel – Mbolozi ….. Ambrósio – Mbelenadu….. Bernardo

Minguiédi….. Miguel – Ngositinu ou Ngosi ….. Agostinho – Ndéri ….. André – Luvualo ….Alváro – Ndualo ….. Eduardo – Ntoni ….. António – Andiki …. Henrique

Nikolai ….. Nicolau – Mateso ….. Mateus – Falusesku ou Fula ….. Francisco --- Lumingu …..Domingos – Davida ….. David.

Femininos

Mádia….. Maria – Glasa ….. Graça – Zabela….. Isabel – Kiditina ou Ditina ….. Cristina – Podina….. Leopoldina – Fineza ….. Ines – Losa ….. Rosa.

Todos os nomes atrás indicados são de uso antiquíssimo no Congo, datando a sua introdução dos primeiros tempos de contacto. Nos últimos anos muitos outros têm sido adoptados, tanto masculinos como femininos, devido ao incremento da colonização e à expansão da acção missionária.

Actualmente raros são os jovens, sobretudo do sexo masculino que, além do seu nome tradicional, não possuem também um nome português e até mesmo um ou dois apelidos(…) As mulheres também usam às vezes o nome Ndona, só antecedendo um dos acima indicados. Dona ou Ndona significa “ senhora” e “mulher venerável”.

(1) Pumbeiros : Comerciantes que faziam viagens à região do Pumbo, actual Stanley Pool; Bazombo: grupo étnico que habita parte dos actuais concelhos do Zombo e Damba, caracterizado pela sua ancestral propensão para o negócio.

Continua

 

 

                                                                           Em colaboração com ARTUR MÉNDES.

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