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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


CONTACTO DE CULTURAS NO CONGO PORTUGUES (4)

Publicado por Muana Damba activado 17 Octubre 2011, 03:43am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

CONTACTO DE CULTURAS

NO CONGO PORTUGUES

ACHEGAS PARA O SEU ESTUDO.


 

Por Dr MANUEL ALFREDO DE MORAIS MARTINS. (Administrador da Damba 1945-1953).


Alfredo de Morais Martins.

 

ALIMENTAÇÃO (1)


    Quando chegámos ao Congo os seus habitantes tinham já uma vida sedentária, característica das sociedades que utilizam a agricultura. No entanto, a actividade agrícola não era suficiente para a obtenção da totalidade dos géneros vegetais indispensáveis à alimentação, havendo necessidade de recorrer à colheita de produtos espontâneos.


 Cultivavam pelo menos três gramíneas, algumas leguminosas, bananeiras e inhames.
 O compilador da “História do Reino do Congo”, conservada na Biblioteca do Vaticano, diz que os Congueses “cultivam doze espécies de plantas alimentícias amadurecendo cada uma dêem mês distinto de maneira que durante todo o ano têm viveres frescos”.Atendendo à época em que foi escrita, pelo menos no final do século XVI ou princípios do século XVII, e ao facto de ser uma compilação de das “Relações” de Pigafetta  (1591) e dos missionários espanhóis     já citados em nota, todos do final do século XVI, nesse número já estão incluídas, certamente, plantas por nós introduzidas. Pigafetta  já se refere ao milho e a outros géneros de introdução recente.


 Como averiguadamente anteriores ao estabelecimento do contacto, devemos considerar as culturas de, pelo menos, três gramíneas de origem africana ou asiática, mas estas de introdução antiquíssima.  Pigafetta fala na produção de “grãos de várias sortes” e dá a primeira ao “luco” e a um “ milho branco denominado Maçã do Congo, isto é grão do Congo”


 O “luco” é descrito por Pigafetta da forma seguinte: “ o qual é feito a modo das sementes de mostarda, algum tanto maior, e se mói com moinhos de mão e dele sai farinha e se faz pão alvo e de bom gosto e saudável”. Na História do Reino do Congo (Bib.Vat) não se cita esta gramínea pelo seu nome, mas a descrição do produto, que considera o principal da agricultura indígena, corresponde precisamente ao “luco”: “Entre os produtos o principal é um grão semelhante à semente do rabanete que reduzem a uma farinha muito branca. Fazem pão como o de trigo de boa qualidade e agradável ao paladar”. Cavazzi também a ele se refere. O luco ainda hoje é cultivado em toda a província, servindo o grão para alimento e sobretudo para fabrico de cerveja (garapa). É a “Eleusinecorocana Gaertn”, que, segundo Jonh Gosswiller, é originária da Índia.


 As outras duas gramíneas citadas são a “massambala” e o “massango”. A Maçã do Congo a que refere Pigafetta deve ser um destes cereais. Cavazzi faz alusão expressa a ambas: “ Sono anche largamente seminate e vengono benissimo, la massa mantirj ( saggina o melega), che in língua ambonda è detta massambella e mambella; la massango, somigilamtissima al nostro miglio, ma dalla spiga assai più grande e dal granello saporito e odoroso;…I Negri la mangiano anche se di péssima qualità e la digeriscono com prolisse danze e abondante sudore”.


 A massambala e o massango, antes da introdução do milho, eram os cereais principais da África Tropical e a base de alimentação das populações e ainda hoje ocupam lugar de relevo, sobretudo nas zonas onde as culturas do milho e da mandioca não possíveis, ou são difíceis, das condições ecológicas, ou naquelas, que ainda as há, onde ainda não foram introduzidas. A massambala, que parece originária da África Central, é um sorgo como o nosso milho miúdo; cultivam-se várias espécies em Angola, mas a principal é o “Sorghum caffeorum Beauv.”. O massongo éo “Peninsetum typhoideum Staf & Hubbaerd” e ainda é muito cultivado no Sul de Angola.


 Quanto às leguminosas, a História do  ReinoCongo (Bibl.Vat) cita as ervilhas e outros grãos. Estas ervilhas devem ser os frutos “Cjanus cajan Druce”, e ainda hoje muito cultivado no Congo com o nome indígena de “uandu” e que os Europeus chamam ervilha do Congo. Cavazzi a ele alude no seguinte passo: “ Appartengono puré alle luguminose l’ouuando, arbusto che dura due o tre anni e produce in ogni stagione; arieggia il nostro pisello”. Outra leguminosa citada por Cavazzi: “ la ucassa, di colore rossiccio e símile al nostro fagiulo, è una leguminosa di largo rendimento, se condita bene, di ottimo gusto”. É provável que seja o feijão macunde (Vigna unguiculata Walp.”, tão cultivado ainda hoje em Angola e que se assemelha ao nosso feijão frade, ou então o feijão cutelinho (Doliches Lablab L.”, que se cultiva no vale do Bengo.

 

 

                                                                  Em colaboração de João Garcia e Artur Méndes.

 

 



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