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Portal da Damba e da História do Kongo

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Clima de tensão cresce entre os militantes da FNLA.

Publicado por Nkemo Sabay activado 8 Diciembre 2010, 12:08pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

Por Ireneu Mujoco.

 

O clima de tensão entre os militantes da FNLA, liderados por Ngola Kabangu, continua a crescer, numa altura em que é conhecida hoje, sexta-feira,3, a sentença a ser aplicada pelo Tribunal Provincial do Uíge aos três militantes acusados de envolvimento em actos de pancadaria com outros partidários fiéis a Lucas Ngonda, no dia 25 de Novembro, dos quais resultaram ferimentos ligeiros em Afonso Joaquim, representante de Ngonda, assim como a destruição parcial da sua viatura.

Segundo apurou O PAÍS no local, contra Domingos Fernando, Pedro Coxi e Lufila Nima Maria, esta última secretária para a informação da Associação da Mulher Angolana(AMA), organização feminina da força política, pendem acusações agressão brutal a Afonso Joaquim, secretário provincial da FNLA, (ala de Ngonda). Os arguidos tiveram a primeira audiência nesta terça-feira.

O processo teve origem na quintafeira da pretérita semana, quando um grupo de militantes que se identificam com Ngola Kabangu se insurgiu contra a realização de uma actividade político-partidária, na cidade do Uíge, de militantes que se mostram fiéis à nova direcção saída do Congresso de Julho, em que foi eleito Lucas Ngonda como novo líder desta força política.

A agressão a Joaquim Afonso e a outros militantes foi a consumação de uma outra tentativa falhada na cidade de Negage, onde se teve de interromper a actividade dos partidários de NGonda. A situação só não tomou contornos mais graves graças à pronta intervenção da polícia.

Face à situação, uma delegação ida de Luanda, encabeçada pelo vicepresidente de Ngola Kabangu e deputado à Assembleia Nacional, Nimi-a Simbi, está desde quarta-feira no Uige para se inteirar “ in loco” do que efectivamente se terá passado.


À chegada ao Uíge, Nimi-a Simbi reuniu-se à porta fechada com o elenco do secretariado provincial.

No final deste encontro nada foi dito à imprensa, mas O PAÍS soube que “o encontro visou informar o vice-presidente do que ocorreu no dia 25, tendo-se falado ainda da vida interna do partido, da preparação do congresso ordinário em Novembro de 2011, bem como das eleições de 2012”. Segundo a fonte que nos confindenciou a informação, Nimi-a Simbi ter-se-á mostrado igualmente preocupado com a detenção dos seus militantes.

Durante a sua estada nas terras do “ bago vermelho”, Nimi-a-Simbi tinha encontros previstos ontem, 2, com o governador provincial, Paulo Pombolo, e com outras entidades provinciais, a saber: comandante provincial da Polícia Nacional(PN); Procurador Provincial e responsável do gabinete de apoio aos partidos políticos. Deve ainda deslocar-se à vizinha cidade de Negage, onde vai trabalhar com as estruturas do partido. A visita a esta localidade é o início de um ciclo que a direcção da força política pretende cumprir nos próximos dias, segundo conseguimos apurar.

Militantes contra Ngonda

No meio deste turbilhão, alguns militantes (claramente da ala de Kabangu) abandonaram as suas residências, tendo-se agrupado na sede do partido, ao bairro Dunga, numa espécie de “vigília”. Contaram a este jornal que não querem ouvir falar do político Lucas Ngonda como líder da FNLA.

Segundo eles, “Ngonda é um vendido ao MPLA, em troca de dinheiro e outras benesses”, com o propósito de prejudicar o partido que “foi fundado com muito sacrifício, suor e sangue”, disse um militante já sexagenário.

Os militantes, sobretudo pessoas já anciãs, acrescentam que em momento algum “Lucas Ngonda vai liderar o partido, considerando-o como um traidor sem escrúpulos”.

Eles alegam que o único líder legítimo da FNLA “é Ngola Kabangu, eleito num congresso democrático e transparente realizado em 2007, durante o qual derrotou os outros dois concorrentes, Miguel Damião e Carlinhos Zassala. O irmão Kabangu é o presidente legítimo e fora do qual não há ninguém até que se realize o nosso congresso em Novembro do próximo ano”, dizem.

O que mais está a agastar os ânimos destes “velhos” combatentes, alguns deles debilitados fisicamente, é o facto de, na véspera das eleições legislativas de Setembro de 2008, Lucas Ngonda ter apelado aos militantes da FNLA para votarem contra o próprio partido, “numa entrevista concedida ao Novo Jornal” .

É com base neste novo argumento que alegam estar perante um homem que quer somente “apropriar-se da liderança do partido para gerir dinheiro e mandar para França, onde vive parte da sua família”, denunciam. Acusam ainda o político e professor universitário de estar a banalizar a imagem do partido “ quando afirma ser o nosso líder e eleito num congresso”. “Qual congresso?, interrogou-se um dos militantes, que considera que o sociólogo Lucas Ngonda “é um aventureiro e deve abdicar da falsa liderança da FNLA, porque ninguém lhe reconhece legitimidade alguma”.

A crise de liderança no seio desta tradicional força política começou em Novembro de 1998, altura em que Lucas Ngonda e um grupo de quadros “romperam” com o presidente-fundador Holden Roberto, alegando falta de reformas internas à luz das novas transformações democráticas. Segundo Ngonda, o partido já não se adaptava à nova realidade.

Passaram perto de oito anos até que se tentou uma aproximação, em 2004, com a realização do “Congresso da Reconciliação”, que se veio a revelar um fracasso. Lucas Ngonda optou então pela realização de um Congresso extraordinário em 2006, no Futungo II, de onde saiu eleito por aclamação. Com a morte do “velho” Holden, Kabangu, realizou um outro em 2007, de que também saiu vencedor.

 

                                                                                                                                                     O pais.

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