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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Clã de Omukw’ango(m)be

Publicado por Muana Damba activado 17 Junio 2013, 00:44am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

 

Por Patrício Cipriano Mampuya Batsikama

 

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Vamos agora percorrer sumariamente a história de algumas famílias Kwanyâma que apresentam parentesco com as linhagens Kôngo, tal como se acham nas narrações “genealógicas” que são exclusivamente designadas por "Ndumbululu" – nome de sua origem histórica.

 

Comecemos por anotar a seguinte citação do padre C. Estermann, feita por Inâcia de  Oliveira: “Omukw’angobe u’ekondo / Lakolonga ondyo…” (O do clã do boi é o do casco / Os dois são o sustentáculo da casa). Por sua vez, acerca dos Kôngo, o padre Jean  Cuvelier



Traduzindo, “Na  Ngômbe za Kôngo construiu papagaio (“nkuzu”). escreveu:  “Na  Ngômbe za Kôngo, watûnga nkuzu”. Mas nkuzu poderia também designar, em paralelo com a oração linhagética Kwanyama, uma casa. Mas nesta citação representaria a estrutura política. Para sustentá-lo podemos mencionar
primeiro os autores antigos que afirmavam que alguns altos funcionários da Corte Kôngo não usavam roupas da cintura ao peito, e usavam chapéus de penas de “nkuzu” ou de outro animal relacionado com a nobreda real.

Por outro lado  Mertens classifica “nkuzu” como “bibulu bya mpu”num trabalho ainda inédito,  refere que “nkuzu” seria expressão referente à Majestade. indicar que a função dessa linhagem consistia em “organizar (construir/watûnga) a estrutura política e administrativa”.

Razão pela qual a expressão “za Kôngo” indica muitos Kôngo, isto é, todo o território e povo Kôngo.
Poder-se-ia contra-argumentar que o termo “Nkôndo” em kwanyama não é morfologicamente o “Kôngo” da citação de Jean Cuvelier. Ou, será “Nkôndo” dos Kwânyama o “Kôngo” dos Kôngo?

Na primeira locução Inácia de  Oliveira cita C.  Estermann, a quem traduz: “O do clã de boi é o do casco”, o que parece sugerir que temos aqui dois clãs: (1) Ngombe e (2) Nkôndo. Entre o Kwanyâma nkôndo designa irmandade, união, a camaradagem entre gémeos. Quando alguém se diz “pânge” de outro (pângi, em Kikongo), essa relação chamar-se-ia “ekondo”. É por isso que nos Kôngo kôndo é sinónimo de kôngo. quando Inácia de Oliveira traduz “kondo” por “casco”, parece estar a referir-se ao “esqueleto da construção”, razão, isto é, “animais do poder”. Já Raphaël batsîkama logo, “Na  Ngômbe za Kôngo” quer pela qual ela prossegue dizendo que “lakolonga ondyo”, isto é, “(os de bois são) o sustentáculo da casa”. Mas os actuais Kwanyama preferem outra tradução: “Os clãs de Ngômbe são os perspicazes do país”.

 

De toda a forma as duas versões indicam que o “kondo” Kwanyama aqui empregue significa o  sustentáculo ou esqueleto da construção/casa. Neste sentido não só “nkuzu”, mas também o uso do plural “za Kôngo”, indicaria que se trata de uma fusão de duas versões (Kwanyama/Kôngo) que se referem a mesma coisa: estrutura política e administrativa. Salientamos que o “nkôndo” Kwanyâma é !kund dos !Kung, muitas vezes utilizado para designar “Ondjiva” (u-Ndiva, Wundiba, Ndiba, Ji/’ha),
assim como Ombala Voltamos aqui a recordar que na Namíbia, entre os Ju/Huansi, a região de !Kaudum (Kawûndu: fonte, fontanário) é considerada da mesma forma que “Ñkumb’a Wungudi” entre os Kôngo.

Em  Kwanyâma “ondyo” pode significar “casa” numa linguagem ordinária, mas não na linguagem sagrada (retórica). Nesta “casa” diz-se “ewûmbu”, “epata" “onkandyo”.  literalmente, “ondyo” ou “ondwo” significa “aposento da casa”, ou o “solo onde se ergue uma casa”, mas não a própria casa. Aliás, a expressão “lakolonga ondyo” significa literalmente “lugar onde se constrói as fundações da casa”, isto é, da ondyo. Oci-longo, que é da mesma raiz que  lako-longa e significa “país”, no sentido de “estrutura” ou de “conjunto das instituições públicas e privadas”, razão pela qual se refere aqui ao ondyo/ondwo. Neste sentido reconhece-se a “densidade” !Kung na gestão dos assuntos sociais: a casa é o núcleo principal e compõe-se de pouca gente; já entre os Kwanyâma e os umbûndu dir-se-ia “ondyo” tem o sentido de grande casa (o que é muito diferente de simples casa).


Ngômbe e Nkôndo são clãs da mesma pertença, em termos de consanguinidade, dentro da estrutura geral de parentesco kôngo.  Nkôndo, conforme empregue na oralitura Kwanyama, seria uma variante de “Kôngo”, sobretudo quando Inácia de  Oliveira quer nos apresentar na sua escrita uma “bela” prótase
oracional impessoal apoia a nossa hipótese: “ukondo… lako-longa ondyo” seria hipoteticamente “ukondo… lako-konda ondyo”, o que não altera o conteúdo fundamental.

Tal como acabamos de ver, “u-Kôndo” tem uma trama semântica muito próxima de “Kôngo”, quer entre os Kwanyâma, como entre os Kôngo e os umbûndu em geral: Hânda, Nyaneka, Côkwe, etc Omukw’angômbe wu’ekôndo seria, neste caso, uma hipotética equivalência de Ngômbe za Kôngo como linhagem.

Aliás, é o verbo “lakolonga” que sucede directamente a “wu’ekôndo” (em Kwnyama), que se reduziria em Kôngo não só entre eles; os Kwanyâma, também, preferem dizer “Hôngo”, um sinónimo de “Hôndo”, tanto que o próprio relato especifica que “…wu’ekôndo lakolonga”. “lyako-lônga” ou ainda “lyako-kônga” em Kwanyâma, Nyaneka e  umbûndu é o sinónimo de “kôngo” nas respectivas línguas e, também, em kikôngo significando hospedar reunir, juntar, acolher, etc. E como o verbo lyako-longa sucede ao wu’ekondo no relato kwanyama, tratar-se-ia de Ngômbe zi Kôngo, com base na teoria paremiológica.



Extratos do livro: A ORIGEM MERIDIONAL DO REINO DO KONGO
 





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