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Portal da Damba e da História do Kongo

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As origens do Reino do Kongo, segundo a tradição oral ( 3 )

Publicado por Muana Damba activado 11 Octubre 2012, 07:42am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

Por Patrício Cipriano Mampuya Batsikama


 

Batsikama

 

O Primeiro Rei

 

 a) Côkwe

 

“Kònde amaldiçoou seus filhos, assim como as suas descendências; deserdou-os e proclama que doravante a sua filha suceder-lhe-á. Quando sentiu a morte bateu à sua porta, confiou ao seu irmão a bracelete, símbolo do poder, recomendando-o de transmitir a lueji. Kònde foi enterrado debaixo do rio. SAKAlENDE, seu irmão, convoca os Nobres (tubùngu) que vão ratificar a decisão do defunto”.

Insistimos no termo SAKAlENDE. uma primeira hipótese é que este antropónimo significa PAI DE KAlENDE. SA, partícula que significa pai, e KA-lENDE, alguém que é lento e preguiçoso, derivando do verbo lendelela.

De acordo com as versões a respeito deste evento, eis o que a nossa humildade pensa ser uma verdade histórica: Saka deriva de saka, isto é, agitar (um líquido no vaso, ou objectos no cesto), adivinhar, oscilar e vacilar o cesto130. Podemos verificar no dicionário de Adriano Barbosa que sâkula, derivado de sâka, significa escolher,seleccionar, tirar de lado, excluir e eliminar e sâkalwila (de sâka) designa tratar medicinalmente. Sem sombra de dúvida, verifica-se aqui a questão de NGÂNGA, Padre ou alguém desta classe dos Sacerdotes. Lende deriva de lende, ou seja, nuvem, confusão, turvo. Adriano Barbosa escreve, no seu dicionário, que lende significa ser preguiçoso, sem actividade e lento. O autor assinala, também, que é uma velha forma e pouco usada. Este sentido é largamente confirmado pelos verbos: 1) lendila: ser ou ficar muito tempo sem obra ou cobrir-se de nuvens; 2) lendelela: sujeitar ou submeter.

Este termo referia-se a Rueji, uma vez que foi muito antes proclamada como sucessora. Portanto, estava ainda lenta, isto é, sem trabalho, sem actividades. E isto diz-se em termo bantu da sacralogia: ela estava coberta de nuvens. Ora, para sair deste estado, foi necessário a intervenção de SAKA LENDE (ou melhor, Nsaka ja lende), como o sentido literal do nome o refere (quem trata da medicina tradicional, quem agita os preguiçosos, etc.). Assim, de acordo com as versões acerca desta história, sem o sacramento e/ou a intervenção de Nsaka ja lende, nunca Rueji sucederia a seu pai.

 

 b) Kôngo

 

“Houve uma grande confusão na Corte e Nsâku Ne Vûnda resolveu a situação do seguinte modo: quem pretender suceder ao trono, deve doravante ser baptizado pelo Sacerdote Nsâku Ne Vûnda, sem o gesto, através do qual, nenhuma legitimidade será reconhecida”, assim traduzimos o extracto de uma tradição recolhida pelo Monsenhor Jean Cuvelier. “Na localidade de Mbânza-Kôngo, a tradição assinala a existência de uma autoridade de carácter religioso, possuindo os poderes mágicos e qualquer candidato para dirigir deve necessariamente adquirir o seuapoio, sem o qual nenhum poder será reconhecido. Sem o seu consentimento, nenhum rei pode reinar”, assim diz Dos Santos.

Passamos às similitudes. SÂKA significa, tal como Nsâku, aquele que consagra, que administra um sacramento a alguém, a pessoa que abençoa. Este Nsâku dos Kôngo, lemos acima, possuía os poderes mágicos de carácter religioso, acrescenta. Isto relaciona-se bastante com SÂKA Côkwe que trata de forma medicinal ou que agita os preguiçosos. Ninguém se esquece que a terapia no mundo bantu requer os poderes sobrenaturais na pessoa do praticante.

Quanto a lENDE, Rueji estava lenta, sem actividade e sem trabalho. O que significa que ainda estava coberta das nuvens. Eis a razão pela qual foi necessário a submissão (lendelela). Observamos que nos Kôngo, este LÊNDE deve, na lógica, corresponder a VÛNDA, cujas raízes derivam de: 1) repousar, descansar ou tomar um tempo para descansar; 2) estar desempregado ou tomar o seu tempo sem nada para fazer. Como nome de uma pessoa, escreve laman no seu famoso Dictionaire Kikôngo-Français, “diz-se também de uma pessoa gravemente doente”. Ora, o sentido de Côkwe de SAKAlWIlA completa esta ideia Kôngo exposta pelo laman. Rueji significa, em Côkwe, “quem se quer inabordável, impagável, que não quer”. Ora, luezi, em Kikôngo, lemos nas lexicografias, é uma“pessoa que não quer trabalhar”134, sinónimo de lukenyi “que quer ser inabordável, alguém que ninguém pode tocar ”.

 

      Extrato do livro: " As origens do Reino do Kongo " editado por:



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