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Portal da Damba e da História do Kongo

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"Angola é de facto um país equilibrado e de referência"

Publicado por Nkemo Sabay activado 15 Noviembre 2010, 00:55am

Etiquetas: #Notícias do Uíge

Por José Bule 

Bispo emérito do Uíge diz que depois da guerra Angola teve um desenvolvimento notável

 

Fotografia: José Bule


D. Francisco da Mata Mourisca dirigiu, durante 40 anos, a diocese do Uíge. Em declarações ao Jornal de Angola, sobre os 35 anos de Independência Nacional, disse que a Igreja apoiou de forma incessante os sectores da educação e saúde. Segundo o prelado católico, a Igreja dava aos fiéis uma mensagem de confiança e coragem, para além de oferecer refúgio às vítimas da guerra. O bispo emérito do Uíge destaca o papel da Igreja na promoção e defesa da paz e dos direitos humanos.
Jornal de Angola - Que análise faz sobre os 35 anos de independência nacional?
Dom Francisco da Mata Mourisca - Faço uma análise positiva. Não podemos pretender que seja tudo um mar de rosas, mas devemos reconhecer, em honra da verdade, que houve um grande progresso ao longo destes anos de independência e sobretudo ao longo dos anos de paz. Certamente que durante a guerra era difícil edificar as coisas.

JA – Era difícil construir por falta de meios?

FMM
– O problema era mais porque a guerra destruía e praticamente só depois da guerra terminada é que Angola conheceu um progresso notável, sobretudo no campo da saúde e da educação. Por isso o meu ponto de vista é que Angola é realmente um país de referência em África, porque surgiu de uma guerra terrível e soube, de facto, equilibrar-se, soube elevar-se graças aos esforços de todos os cidadãos e do Executivo. Hoje Angola é um país equilibrado, um país de referência.

JA - Qual foi o papel desempenhado pela Igreja durante estes anos?

FMM - O papel da Igreja, sobretudo no Uíge, onde eu vivo, foi de primeira linha, tanto no campo da educação como no campo da saúde. Na educação basta dizer ou recordar que a Igreja tem seis escolas do ensino médio. Temos o IMNE, o Seminário Maior, que também podemos considerar como escola do ensino médio, o colégio do Bungo, de Sanza Pombo e do Negage, portanto, praticamente tudo isso são escolas do ensino secundário onde passaram grandes figuras do governo angolano, que se encontram em cargos de altas responsabilidades no país.

JA - E quais foram os avanços na área da saúde?

FMM - No campo da saúde, a Igreja é pioneira, principalmente quanto à doença do sono, que estava praticamente eliminada no período colonial, e que depois foi esquecida. A mosca regressou do estrangeiro, invadiu o Norte de Angola e tivemos outra vez aqui instalada a doença do sono que começou a fazer muitas vítimas. E foi um padre desta diocese, o padre Siro, que me alertou para as pessoas que morriam de doença de sono no município do Quitexe.

JA - Qual foi a intervenção da Igreja?

FMM
-  Eu recorri à Alemanha, à Mizeriors e à Cáritas, que enviaram para cá um delegado para analisar a situação e imediatamente aprovaram um projecto de apoio para eliminar a doença do sono. O prpjecto é o “Angotrip”, que mais tarde o governo assumiu. Por isso foi a Igreja que, praticamente, começou com este trabalho muitíssimo importante, porque a doença do sono é terrível. Se ela não for tratada a tempo ou neutraliza a pessoa ou tira-lhe a vida. Tudo isso foi um trabalho da Igreja que merece ser considerado e recordado.

JA - Uíge foi das províncias mais fustigadas durante a guerra. Qual era a mensagem transmitida aos fiéis?

FMM - A Igreja sempre deu aos fiéis uma mensagem de confiança e de coragem, além do refúgio. O paço episcopal foi refúgio. Durante a guerra, a FNLA, MPLA, UNITA, tudo se refugiou lá. Eu tenho este orgulho e satisfação de ter salvado a vida de muitas pessoas. Portanto, a Igreja foi sempre defensora da paz e dos direitos humanos. A Igreja, perante a guerra, tinha esta atitude de apoiar as vítimas, defendê-las e salvá-las.

JA - Depois da conquista da paz a mensagem mudou?

FMM -
A mensagem da Igreja tem hoje um outro panorama, naturalmente, é uma mensagem, agora, de colaboração com o Executivo para restaurar o que estava destruído e criar uma Angola nova e próspera, onde todos os angolanos se sintam felizes. Este agora é o papel da Igreja e a sua mensagem.

JA - Os ganhos da Independência Nacional são valiosos?

FMM
- Até certo ponto, acho que sim, não podemos pretender milagres. O país é muito grande. Angola estava muito destruída, havia muitas infra-estruturas destruídas e, portanto, não podemos pretender que num ano se faça tudo. Mas temos de reconhecer que há muita coisa já refeita. Penso nas estradas. No tempo da guerra, ir a Luanda era um milagre, mas hoje vai-se para Luanda a brincar. Portanto, as estradas estão restauradas, também as escolas, a saúde está a viver um novo clima, portanto há motivo de regozijo, dar graças a Deus e felicitar o Executivo.

 

                                                                                                                                              J.A

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