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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Análise de topónimos e organização territorial do Reino do Kongo

Publicado por Muana Damba activado 3 Junio 2013, 03:03am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

Por Patrício Cipriano Mampuya Batsikama

 

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Tal como estudados pelo Padre Carlos Estermann, os !Kung repartem-se em  quipungu,  quiteve, Mulemba, (Mulili), Mupa e Ngongolo. Tendo em linha de conta as correntes (nascentes), quipungu (Kimpûngu),  quiteve (Kiteve) estão posicionados ao norte; Mulemba e Mulili ao centro e finalmente Mupa (Mpamba). Há
ainda o topónimo Nkala, não mencionado pelo padre. Esta (Nkala) seria a região que terá dado a origem ao termo Ova-Kwankala (os de Nkâla) e é considerado como a “região do começo”. Desta forma, a estrutura da descrição é a seguinte:

1) Kimpûngu e Kinteve estão ao “Norte”, em relação as nascentes;

2) Mulemba e Mulili estão no “Centro”, em relação ao bloco inteiro;

3) Mpamba e Nkala estão no “Sul”, na própria região do “nascente” ou na beira de algum rio. Nessa posição geográfica encontram-se algumas “cacimbas” (poços de água:  oci-dyiva = Ji/’hala), nomeadamente “Hitu”, “luhangulu”, etc. que enchem curiosamente entre os meses de Agosto-Setembro.

Mas será que estes topónimos têm algum significado como “palavra” e alguma importância como designação? De acordo com Russell, “a linguagem é naturalmente uma imagem do real: os nomes
só são nomes porque eles denotam objectos, e consequentemente, as frases que lhes dão sentido apenas podem relacionar-se ao real sendo verdadeira”. Termos se tomarmos como base esta afirmação?  Vejamos:

a) Kimpûngu é constituido por Ki, prefixo locativo, e pûngu, que deriva de hûnga, significando “manifestar o seu poder, a sua força”. Assim, Kimpûngu é geralmente considerado como “lugar
de tropeço” significado pode ser “manusear a mina”. Supõe-se que os seus habitantes terão sido fabricantes de utensílios de caça, ou ainda especialistas na matéria de ferro e artes da guerra, de tal modo que Carlos Estermann assinala, aliás, um “gancho de ferro” e outros objectos de ferros e de caça provenientes desse local, embora, de acordo com o mesmo autor, seja objectos obtidos por meio de troca com os Ambos e Kwanyama. variante de Nsûndi, Mpûmbu, Mpângu, etc.

b) Kinteve: Kinteyo ou !Kung/’hevo designa, em princípio, um lugar fortificado, lugar de protecção e defesa, não só nas línguas dos !Kung (Khoe Khoe e San), mas também em Kwanyâma e umbûndu.
os guardiães das fronteiras contra as invasões, remetendo “as pessoas guerreiras que tratam da defesa nas extremidades dos acampamentos e demarcam as linhas das vizinhanças entre eles”.

O equivalente kôngo de Mpûmbu, isto é, o lugar de defesa onde os prisioneiros de guerra são mantidos.  Kimpûngu e Kinteve dos !Kung constituem um mesmo bloco dos clãs cuja função é
equivalente a dos besi-Kimpânzu dos Kôngo.

c) Mulêmba: do prefixo Mu, que indica possessão e lêmba que significa (a) consolar, tranquilizar e (b) acalmar. Mas neste caso lêmba designa uma “árvore leitosa, frequentemente nas capitais indígenas [umbûndu] e mais nos cercados dos sobas, com alto porte e muita sombra”.

 Nos Kôngo, Kimpûngu é !Kung do-heyo designa, por extensão,  Lêmba significa ainda “tio materno”, “responsável de aldeia” e, também, “cordão umbilical” entre os Ambas. O topónimo de Mulêmba é uma plataforma de diplomacia e justiça, um local onde se resolvem vários problemas da comunidade.

Significa, por esta razão, “lugar de Paz”, “lugar de Reencontro”.

Nos Kôngo, a capital situava-se no Mulêmba, isto é, no Mpêmba, cujos variantes são Nsaku, Kakôngo, Mulêmba, Nlaza. De facto, o termo significa “lugar em busca da Paz”. Na língua kimbûndu, o termo “lêmba” designa o “tio materno” como autoridade de várias linhagens uterinas. Na mesma língua, o verbo “ku-lêmba” identifica o acto pelo qual se adquire o direito de casar uma noiva, depois de várias tentativas e acordos. Hoje, “ku-lêmba” se limita a singificar “encontrar uma solução diplomática durante as negociações (entre as famílias envolvidas) de noivado”.

d) Mulili ou Mu-hili. Mu designa possessão, e  Hili é derivado de  hila e significa (a) acumular terras, entrançar o cabelo, juntar as partes, e (b) juntar pessoas num jantar colectivo (aldeia), ou ainda convocar “reunião a volta da fogueira”. Por isto Mulili designa o lugar de reunião “durante o jantar”. Do mesmo modo, hili significa “sossego”, enquanto Muhili passou a designar “lugar de sossego”. A forma umbûndu é Muwili, Muwele, Muwela, Muwila, etc. Sempre confundido com Mulêmba, esse termo designa
– especificamente – as funções sociais e culturais do “tio materno” em relação as sobrinhas e sobrinhos. Nos acampamentos designa o “casarão” do “mais velho”, equivalente de yîla entre os Kôngo, que
significa “aquele que precede”, o mais velho. Como se pode notar, a sua equivalente na realidade kôngo seria Nsaku.

 

e) Mupa: Mu, idem, e  pa que entre os Ngôngolo de Angola/Namíbia significa “ficar”, e ainda “fixar”, “colar”, “instalarse” entre os seus vizinhos Kwanyâma hâm(b)a. Entre os Khoisan Mupa significa genericamente “superfície terrestre, terra”. Já entre e Kwanyâma, povo daquele vizinho e coabitante, encontramos –pameka que significa colar e –papela que é variante de - os Nyaneka pamela (hamela) e significa o instalar-se de uma família. Mupa é variante de Mupamela ou Mupambala ou ainda Mupamba, todos remetendo aos primeiros acampamentos aldeãos, com o significado de “aquele lugar se fixaram os antepassados, os primeiros habitantes” da aldeia, aí onde se encontrou uma fonte de água e favoreceu a instalação de pessoas. Por outro lado, e de forma especializada, designa o lugar habitado pelos rapazes, particularmente os mais másculos, enérgicos e fortes. Variantes kôngo:  Mbâmba,  Kôngolo, Nkânga, Kinkala, etc. Curiosamente, em várias localidades nas províncias da Huila e Cunene (tanto na parte angolana, quanto na namibiana), Mupa é considerado como “país dos Ovankwâkala”.


f) Nkala: provém de – kala (!ka/’ha) e significa “ficar”, “começar a ficar” e “residir”, ao mesmo tempo. É um termo genérico que designa “o começo da aldeia”, confundindo-se mais tarde com o sentido de
“toda a aldeia já formada”, dado que kala é, enquanto (a) verbo, estar, morar; e ainda b) savana, prado, planície, lugar pedregoso (kalakala) enquanto substantivo. O mesmo lugar leva também o nome  de Ngôngolo (!Kung), no dizer do Padre Carlos Estermann. Variantes kôngo: Kinkâla, Kôngo, Mbâmba, etc.


Como se pode notar, podemos dizer, emprestando os termos !Kung/Kwanyama, que “Kimpûngu tufila ntu, Kinkâla tulambudila malu”, isto é, “Em Kimpûngu orientamos as nossas cabeças, a Kinkâla estendemos os nossos pés”. Se, de acordo com Estermann, todos eles consideram a si mesmos Ova-Ngongolo, portanto !Kung, então podemos ilustrar tal compreensão levi-straussianamente
concluindo que “o evento provoca os reajustamentos da estrutura . Isto é, este modelo já estereotipado entre os !Kung também verificar-se-á entre as populações inicial, sobre o mesmo modelo…”. kôngo, pelo menos como modelo organizador (apud).


Observe-se que “!Kung significa também pessoa. De acordo com Estermann, diz-se “!Kung do” para dizer «homens» (masculino),  e “!Kung da” no feminino.  querendo exprimir-se a noção de rapaz ou rapariga dir-se-ia !Kung do-ma, masculino, e !Kung de-ma, feminino. Da se transforma em de por eufonia.

 

Nos actuais Kôngo encontra-se uma construção semelhante, como se pode depreender dos seguintes casos: “Musi-Kôngo’a yakala” (homem), “Mukôngo’a ndûmba” (rapariga), “Ñkôngo’a fyoti”
(criança, mas também jovem reservado para algumas expressões específicas, tais como “pessoa de
génio destruidor” quando se diz “Ñkôngo-mpatakasa”, e “pessoa de espírito pacificador” quando se diz “Ñkôngo-ñlêmba" e o grande leitor leitor” é “Ñkôngo-ñtângi”, o grande escritor *`nkôngo-Nsonikietc. O uso de Ñkôngo nesses termos denota a importância específica dos designados (ñkwa), como um exemplo a imitar, tal como no-lo confirma o cântico de iniciação: “ngyêle ngyêle mu nzîla Kôngo…”.

 

Mas entre os Kôngo o uso de Ñkôngo inicial entrou en desuso depois de hipoteticamente ser assimilado na expressão ñkwa, mas cujo emprego também tornou-se desnecessário pelo facto de todo “Kôngo” ser considerado nobre, entretanto necessário sempre que se pretende destacar a eminência de uma determinada pessoa.

Ortodoxamente é Ñkôngo aquele que conquistou a condição de dignidade no processo de socialização.
A mesma organização territorial dos !Kung é encontrada entre os umbûndu, tal como Samuel Chiwale no-lo explicou, que por sua vez assemelha-se à organização territorial kôngo. No seu depoimento Samuel Chiwale assim descreve os umbûndu:

 

“Os  Ovimbûndu dividem-se em distintos subgrupos que, em tempos idos, prestavam vassalagem aos soberanos do Bailundu; a oeste temos os MBI, os Pinda, os Sele, os Sanji, os Ndombe e os Handa; a sul, os Kakonda, os Kaluquembe, os Nganda e os Ngalangui; no centro, os Mbalundu, os Wambu, os Ndulu e os Viye”.

 

Comecemos por apreciar a lógica com que Chiwale apresenta essas populações: Tal como se pode notar Oeste, Sul e Centro são logicamente desconfortantes. Se, em princípio, podemos encontrar um centro entre leste e Oeste, ou ainda entre Norte e Sul, qual seria, neste caso, a eventual relação a existir entre Oeste e Norte em relação ao Centro? Com efeito, se partimos da sua localização e no contexto que apresenta Samuel Chiwale, pode-se observar que o seu Oeste – Centro – Sul constitui (a) uniformidade de paisagens isto é, uma unidade civilizacional, dentro do mesmo espaço geográfico, como aliás outros especialistas notaram antes de nós.


Somente nesse contexto poder-se compreender o Oeste (Norte) – Centro – Sul, e essa disposição geográfica justificar-se-ia tendo em conta a localização de Mbayi lûndu, aqui concebido como Axi mundi. E, como veremos mais adiante, a subdivisão de três pontos que referimos sobre os Kwanyama, Ngongolo (!Kung) se verifica também aqui, da seguinte forma: 

 

1) PINDA: deriva do verbo  pinda ou  yinda, que significa arrumar as tranças do cabelo. Já entre os Nkûmbi  pinda quer dizer a beira do mar ou ainda à bordo. De acordo com um informante autóctone, José Samuel Ndalambela, yinda (que é variante de  pînda) significa “vencer uma batalha e domar os vencidos”.

Esta informação coincide exactamente com depoimentos de outros informantes que abordamos na região de Funda/luanda e em benguela, respectivamente o senhor Moisés Sawônga e o soba Kayove. Os dois concordam que Pînda era o topónimo dum território ocupado pelos defensores das fronteiras e das invasões que (possivelmente) tenham vindo do Norte. Este Norte é, soubemos depois, as montanhas de lombînda (lu-Pînda) e o rio Katumbela.

Nos dicionários, o termo pinda, ou yinda, ou ainda vinda têm os seguintes significados: (1) vencer estar a bordo de, limitar.

Em relação ao reino do Kôngo, realçamos que Mpînda se encontra justamente na beira do rio Mwânza, chamado Zaire, equivalendose as famílias de Mpânzu.

2) SANJI: de acordo com Moisés  Sawônga  sanja significa geralmente “manifestar o seu poder físico, a força física”, que prossegue: “é aqui que saiu o Jaga Kasandj para apoiar Ndzinga Mbandi”. Embora esta versão não difira muito daquilo que apresenta António Cadornega simplista a nosso ver. Hambly e McCulloch apresentam-nos os Sanji como fazendo parte dos Ndômbe na distribuição que faz dos parentescos, chegando a sublinhar que os Sanji ou os Ovimbundu estariam entre os Côkwe e lûnda.

Aliás encontramos os Ndômbe entre os  lûnda, quer no norte de  lumbâla (província da  lunda-Sul), quer nos municípios de balombo e bokôyo (província de benguela). Esta mesma posição é igualmente assumida e defendida por Struyf.

3) NDOMBE: deriva de pômba, yômba que quer dizer domar, vencer, conquistar. “habitantes de cima”. Carvalho apresenta estas populações como  em todas partes que ele os localizou entre“habitantes de cima” os umbûndu, em blocos unitários. Entre os Kôngo, encontramos justamente uma equivalência anotada por  Cuvelier: “Ndombe:  Nkânga ikwênda betele ye Nzînga Ñkânga”. Ora, como se sabe, entre os Kôngo Ñkânga denota sempre locais acima do rio, em vizinhança com os Ngôyo.

 

4) HANDA: apresentadas por H.  baumann: “O grupo Ambo, assim como os, é no entanto hipótese muito
Hambly vai mesmo longe Ngonga, os Ndonga, os  Houmbé, os  Handa e os  Ndômbe… marcam a transição entre os Hereros e os Mbûndu tanto linguisticamente como do ponto de vista da civilização”.
apenas das populações que habitam os territórios fronteiriços.

De acordo com essa lógica, no centro temos:

1) MBALUNDU: Embora seja a forma moderna de Mbayi Ñlûndu, a expressão não altera nada semanticamente. Mbayi é o local administrativo ligado à justiça, de modo que significa genericamente “Corte”, isto é, Ombala. Ñlûndu, como já vimos, é o país das origens entre os Kôngo e, especificamente entre os umbûndu, o termo significa a extensão da terra em que habitam, país onde são respeitadas as leis dos ancestrais, ou ilundu. quer então dizer que Mbayi Ñlûndu, traduzido em kikôngo, é o mesmo
que Mbazi’a Ñlûndu (Ñzûndu), Mbazi’a Ñkanu, ou melhor ainda Mbazi’a Kôngo, que se situava também no centro. De acordo com tradições ainda familiares aos nativos da província do Huambo conforme observou Samuel Chiwale, Mbayi Ñlûndu era o local em que se encontrava instalado o órgão administrativo central  dos umbûndu. Este local de governo em que residia o poder do Rei soberano, ao cujo poder submetiam-se os “reis dependentes”(por meio do pagamento de impostos), apenas (ou fazia parte de) um território chamado luvêmba. De facto, a actual cidade de luvêmba está em linha paralela em relação a Mbâyi Ñlûndu.

Mas dado que o “Rei soberano” residia em Mbâyi Ñlûndu, este local acabaria por destacar-se mais em relação a luvêmba. Em comparação, no  reino do Kôngo encontramos que MbânzaKôngo como equivalente de Mbayi Ñlûndu, que se encontrava no território chamado Mpêmba, equivalente de luvêmba.

2) WAMbA (Huamba, Huambo) significa fixar-se, e designa o epicentro dos ancestrais. Por si só o termo designa algumas vezes os ancestrais (mortos) e seu pacto com os habitantes da terra (vivos). Wâmba era o local de reunificação das populações oriundas de outros cantos do território umbûndu. Em lyumbûndu a expressão kohale quer dizer antigamente.utiliza-se ainda, embora raramente, kohama ou  kowâmba. Este último termo é sempre evocado no tribunal como forma de prestar juramento de fidelidade às normas e costumes dos ancestrais.


3) NDulu:  quase todos os informantes que contactamos nas regiões do Sul acreditam que  Andulu, que hoje designa apenas uma cidade de um município, constituía a base das “forças armadas”  umbûndu responsáveis pela protecção da integridade de Mbayi Ñlûndu. Este exército dividia-se em: (1) guardas da realeza, os grupos de soldados ou funcionários ligados a segurança de Ombala tarefa “conduzir o prisioneiro” isto é, o ekôngo, ao tribunal. Nesse aspecto (i) o ekôngo é aprisionado e julgado para a formação da culpa e sentença pelo  hôngo/tribunal Nyaneka como senhor dos nkûmbi (prisão) é tardia, já que tudo indica que no princípio esta tarefa competia apenas aos Nkûmbi, uma vez que  umukumbi significa “antigo cepo para os presos”.

Mas estamos diante de uma situação que ainda exige estudos ; (2) polícias prisionais, que tinham como
(ii) a interferência de profundos para determinar, e por isso a compreensão de ndulu ainda não é conclusiva. Contudo, entre os Kôngo o termo ndolo deriva de lola e significa “punir, dar culpa à, aplicar sanções à”. Quer dizer, o termo é portador da ideia de alguém sancionado, declarado culpado pelo tribunal (ekôngo do umkûmbi).


No Sul temos:

1) KAKONDA: de acordo com luís belchior Pintal informante autóctone, significa local da primeira unificação das populações caçadoras graças a uma sentença emitida no Ombala. Seu relato estabeleceu paralelismo entre as mulembeiras que lá encontramos e o país dos ñkôndo, isto é, das mulembeiras, além de recordar que “rei” dos Kakônda residia em Kaluñkêmbe. Esta versão dos relatos é relativamente sustentada no trabalho de Alfred Hauenstein. Se pois consideramos Kakônda como designação genérica, veremos que foi em Kaluñkêmbe que se localizava o grande Ombala (capital).
Que seria aí o Axi Mundi dos Kakônda. O prefixo Kalu significa lugar de, terra de; e  Kêmbe,  de acordo com Albino Alves, significa paz, tranquilidade. Com este significado a versão kôngo seria ñkâlu ñLêmba, ou ñkâlu yêmbe, cujo sentido é “terra da paz” ou “lugar de tranquilidade”. A  mulêmbeira aí é chamada
de  olêmba, sinónimo de  ukêmbe.  Samuel Chiwale também nos lembrou que na tradição antiga a mulembeira era ligada ao poder político/secularrei Katyavala é ligado à nkôndo, árvore que apazigua os homens de Kalulêmbe (Kaluñkêmbe). Katyavala Mbwîla chamava-se Nkônde para os umbûndu, Côkwe e lûnda. Nos Kôngo, Kakôndo pertence a linhagem dos Nzînga, logo ocupa a parte do Sul na organização
territorial, tal como já abordamos.



2) KAlUQUEMBE: As informações fornecidas por Alfred Hauenstein são suficientes para indicar a diferença entre Ombala, especificamente em Kalulembe, da mesma forma que os localiza no panorama umbûndu das populações chamadas Kakônda. Hoje são duas cidades diferentes nas províncias da Huila. Ora, ao situá-las em relação a Mbayi Ñlûndu, Ndulu (Andulu), etc. notaremos nitidamente a sua posição meridional.

3) NGANDA: embora não haja diferença semântica entre hânda e  ngânda, convém salientar que como topónimos os termos designam dois espaços distantes um de outro. Enquanto encontramos Nganda na Huila, Hânda encontram-se no norte da província do Huambo e ainda em benguela.

Com base na informação fornecida de forma solta por Samuel Chiwale, ficou para nós evidente a semelhança entre a organização territorial das antigas populações umbûndu e aquela dos Khoi-San. A mesma organização territorial é totalmente coincidente a dos Kôngo. Não obstante o efeito semântico
perturbador forjado pela terminologia antropológica colonial, através dos termos  tribos, a disposição geográfica indica que todos esses povos constituíram populações habitando um só país, cuja complexa administração não foi bem compreendida pelos primeiros estudiosos que se interessaram pelo assunto.

Aproveitamos aqui para salientar dois pontos observados por Olderogge, isto é, (i) que os San estariam na zona anteriormente habitada pelos Khoi Khoi, e (ii) que os San dispõe-se de “três géneros”. Sobre este último, os Kwâdi três géneros de forma semelhante aos Kôngo, isto é: (i) singular para denotar a origem materna de todos os que pertencem a família dos Ova-Kankwala ou os Kwadi/Kwahala, que não
podem ser misturados; são localmente chamados de singularespara lembrá-los a sua tarefa de unir as populações para denotar as duas outras famílias, os Nsaku e os Mpânzu, que podem unir-se e formar um bloco eleitor dos singulares/unificadores, os Ñzînga; e (iii) plural para denotar a totalidade, isto é,
do singular e do dual.


Extratos do livro: A ORIGEM MERIDIONAL DO REINO DO KONGO

 

 


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