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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


A trajectória do TOKOÍSMO (4)

Publicado por Muana Damba activado 7 Agosto 2012, 05:34am

Etiquetas: #Religião

 

 

Por Pastor Muanga Pedro e Pastor Vumambo João David

 


 

No dia 19 de Janeiro de 1987 efectua-se a eleição na Banca do Militante da Secretaria do Estado da Cultura onde participam 24 elementos por parte da Cúpula, 22 elementos por parte dos 12 Mais Velhos. Da parte da Direcção Nacional para os Assuntos Religiosos (DNAR) participaram o Camarada Director Songa, Camarada Teresa Cabral e o Camarada Umba. Os 12 Mais Velhos põem a questão de menos dois (02) elementos do seu lado e o Camarada Director disse que saberia superar a falha. Por amor a unificação da Igreja, os 12 Mais Velhos aceitam a ideia de votação e são votados os quatros Representantes da Igreja, a saber:

 

1º Senhor Luzaissu António;

2º Senhor Muanga Pedro João;

3º Senhor Vumambo David;

4º Senhor Panzo Firmon. 

 

Apesar da Injustiça na contagem de votos, os 12 Mais Velhos aceitaram mesmo assim a ordem acima referida. Feita a eleição e apurados os Representantes, os Mais Velhos da Igreja realizam um encontro no Cine-Ngola com todos os membro da Igreja onde lhes apresentam os Representantes eleitos, recomendando a estes que deveriam acabar a partir daí com todas as antigas Direcções e formassem uma única Direcção da Igreja e isto de acordo também com a orientação do Director Nacional Para os Assuntos Religiosos, o que não se verificou, pois o Senhor Luzaissu António Lutango, eleito como 1º Representante da Igreja não queria a formação da nova Direcção da Igreja e continuou a inclinar-se ao lado da Cúpula, não obstante a insistência e os conselhos dos 12 Mais Velhos de reestruturação da Direcção da Igreja. Foi assim que os 12 Mais Velhos (Igreja mãe) deram por “sem efeito” a representação do Senhor Luzaissu António Lutango e do Panzo Firmon, aliás, o Camarada Secretário do CC do MPLA-Partido do Trabalho para Esfera Ideológica, Roberto de Almeida, numa reunião em que os Representantes dos 12 Mais Velhos e o próprio Director Nacional Para os Assuntos Religiosos que tiveram com aquele alto Dirigente em 9 de Março de 1988, repudiara por ter-se realizado aquela votação na Banca do Militante da Secretaria de Estado da Cultura, pois, é um assunto puramente religioso.

 


Em 15 de Fevereiro de 1987 rebenta as confusões da Terra-Nova e a Igreja é suspensa por ordem do governo da RPA. Suspensa a Igreja, os 12 Mais Velhos dirigem uma exposição ao Camarada Ministro da Justiça e ao BP do MPLA-Partido do Trabalho, manifestando a sua inocência e pedindo a justiça. Apesar da suspensão da Igreja pelo Governo das RPA, a Cúpula continuou a celebrar os seus cultos público e os 12 Mais Velhos cumprem a ordem da suspensão que sobre a Igreja pesava.


Enquanto os 12 Mais Velhos cumpriam esta ordem, o Partido responde as suas cartas que dirigiram ao Ministério da Justiça e ao BP através do ofício nº 1010/GAB/SECULT/87 de 5 de Setembro de 1987, a qual é desviada ao grupo Cúpula. Os 12 Mais Velhos tomaram conhecimento do mesmo em 9 de Março de 1988 por intermédio do Camarada Roberto de Almeida à quando da reunião que os 12 Mais Velhos tiveram com aquele alto Dirigente.


Durante o tempo em que o referido documento se encontrava em poder do grupo Cúpula, estes nem tiveram a amabilidade de dar a conhecer os 12 Mais Velhos e nem tiveram a ideia de se conciliarem com os outros grupos, mas realiza a sua 2ª conferencia unilateral sem anuência de outros grupos como reza o parágrafo 1º e o ponto 16º do documento nº 1010/GAB/SECULT/87 da Secretaria de Estado da Cul-tura.


A Cúpula convocou posteriormente muito tardiamente em 24 de Março de 1988 apenas o Senhor Muanga Pedro e o Senhor Vumambo João David com vista a participação naquela conferência sem lhes apresentar a ordem de trabalho da conferência, e estes rejeitaram por escrito o seu convite, cuja a resposta os 12 Mais Velhos remetem com decalque ao Camarada Director Nacional Para os Assuntos Religiosos.


Dias depois, o Camarada Director Nacional Para os Assuntos Religiosos convocou oficialmente os Senhores Muanga Pedro e Vumambo João David através dos ofícios nº 98 e 99, com vista a irem na 2º conferencia unilateral que a Cúpula ia realizar e estes rejeitam alegando os motivos de não participação mediante a sua carta datada de 27 de Fevereiro de 1988.


Na reunião que tiveram com o Camarada Roberto de Almeida em 9 de Março de 1988 com o objectivo de serem intuito de saberem a respeito das suas cartas que enviaram ao Ministério da Justiça e ao BP, informa-lo da Conferencia unilateral da Cúpula e do convite tardio sem a ordem de trabalho, o Camarada Roberto de Almeida surpreendeu-se o facto dos 12 Mais Velhos não saberem atempadamente da conferência que a Cúpula iria efectuar porque realizar-se-ia com base no documento nº 1010/GAB/SECULT/87 acima referido e, em seguida apresenta-lhes o documento 1010/GAB/SECULT/87, perguntando-lhes se não tinham conhecimento do mesmo, porque era a resposta de todas as cartas que os 12 Mais Velhos dirigiram ao Ministério da Justiça e ao BP e os 12 Mais Velhos respondem que não tinham conhecimento desse documento, porque se tivessem conhecimento disso e o tivesse recebido já não seria necessário insistir na resposta das cartas.  O Camarada Rober-to de Almeida pergunta ao Camarada Director porquê que os 12 Mais Velhos não receberam aquele documento e este responde que foi um erro da sua Secretária Teresa que esquecera facultar o documento aos 12 Mais Velhos. Por fim o Camarada Roberto de Almeida faculta aos 12 Mais Velhos uma fotocópia do ofício 1010/87 e recomenda-lhes a unificação da Igreja, especialmente a reconciliação com o Senhor Ntemo António.


Quando os 12 Mais Velhos receberam o documento em questão, manifestaram a sua alegria. Foi assim que fizeram um comunicado ao DIP para ser divulgado pela Rádio Nacional de Angola. Comunicaram logo ao Camarada Secretário de Estado da Cultura que doravante iriam reiniciar os seus cultos no local habitual, para informar aos fieis sobre o documento e iriam iniciar as negociações com os outros grupos em litígio, especialmente com o Senhor Ntemo António que se encontrava em Makela do Zombo. Ao ver isto, o Cada Secretário de Estado da Cultura concorda com a ideia e recomenda que a medida que fossem tratando disso lhe fosse informado.

        

Isto ocorreu numa reunião que os 12 Mais Velhos tiveram com aquele alto governante em 31 de Março de 1988. Em 5 de Abril de 1988 os 12 Mais Velhos receberam o ofício da Secretária de Estado da Cultura com a Ref.472/GAB/SECULT/88, de 4 de Abril de 1988, cujo o objectivo era a unidade no seio da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo. No decorrer da reunião, o assunto não foi o mesmo, mas o Camarada Secretário leu o documento cuja a fotocópia não lhe foi facultado, que proibia de novo e somente a Igreja - Mãe (os 12 Mais Velhos) a celebrar os cultos em público e obrigando-os a integrar e submeterem-se as autoridades eleitas na dita 2º conferência unilateral realizada pela Cúpula. Esta ordem contraria o disposto no parágrafo 1º e o ponto 16º do documento 1010/GAB/SECULT/87 da própria Secretária de Estado da Cultura.

        

Como era possível, sendo os 12 Mais Velhos cumpridores da ordem da suspensão da Igreja desde ano passado e subscritores do pedido oficial do registo e do reconhecimento da Igreja junto do Governo da RPA não poderia realizar os seus cultos em públicos e só a Cúpula que o não fez devia fazé-lo? Será que a mesma  gozava realmente de um privilégio especial junto do Governo? Porque aquele grupo nunca tivera a ordem da suspensão e desde o ano passado em que a Igreja foi suspensa por ordem do Governo eles celebraram sempre os seus cultos em público.


Como já referimos, após a reunião de 9 de Março de 1988 com o Camarada Roberto de Almeida, os 12 Mais Velhos fizeram um comunicado ao DIP para ser divulgado pela Rádio Nacional de Angola. Mas, dias depois, em 9 de Abril de 1988, estes recebem a nota nº 658/02/88, de 7 de Abril de 1988 do Departamento de Informação e Propaganda cujo teor do despacho nele exarado é o seguinte:

 

“A Igreja não está autorizada a celebrar cultos até ao fim da suspensão que sobre ela pesa. Outras atitudes como estas serão consideradas desafio as ordens dadas pelo Governo”

                                               ASS/ Roberto de Almeida

 

         Verifica-se igualmente que esta ordem contrariava a do Camarada Secretário de Estado da Cultura e assim o nosso comunicado não foi divulgado pela Rádio Nacional de Angola. Como já foi dito, os 12 Mais Velhos da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, fizeram uma exposição ao Bureau Político e ao Ministério da Justiça, mas finalmente foi-lhes ordenado verbalmente pelo Camarada Secretário de Estado da Cultura em 8 de Abril de 1988 que a Igreja-Mãe (os 12 Mais Velhos), iniciadores e pregadores do evangelhos em Angola desde 1950, que suspendessem os seus cultos públicos e integrassem ao grupo Cúpula, obrigando-a a submeter-se as autoridades eleitas na dita 2º conferencia unilateral realizada pela mesma e que qualquer tentativa de celebração de cultos por parte dos 12 Mais Velhos o Governo tomaria medidas necessárias, querendo com isto dizer que o grupo Cúpula estava autorizada pelo Governo a realizar publicamente os seus cultos, o que estava em contradição com o parágrafo 1º e o 16º do documento nº 1010/GAB/SECULT/87 de 5 de Setembro de 1987 da Secretaria de Estado da Cultura e igualmente com o despacho acima referido do Camarada Roberto de Almeida.


Por fim os 12 Mais Velhos escrevem ao Camarada Roberto de Almeida, se poderiam facultar ao grupo Cúpula o seu despacho sobre a suspensão da Igreja.


Os 12 Mais Velhos ou a Igreja-Mãe enquanto cumpriam novamente a ordem da suspensão da Igreja, de acordo com o despacho acima referido do Camarada Roberto de Almeida, Secretário do CC para Esfera Ideológica, esperando um resultado positivo da acordo com o documento 1010/GAB/SECULT/87, foi com alegria que ouviram o comunicado difundido pela Rádio Nacional de Angola pela Secretaria de Estado da Cultura em 11 de Maio de 1988 relativo ao levantamento da suspensão que pesava sobre a Igreja e, com espanto a menção de que foi de consentimento de todos a dita 2º conferencia unilateral realizada pelo grupo Cúpula e a eleição dos Senhores Luzaissu  António Lutango e do Panzo Firmon como Representantes da Igreja. Isto não corresponde verdade, pois tanto a dita conferencia como a eleição naquela conferência como Representantes da Igreja não fora de comum acordo dos outros grupos. Aquele grupo está sim em litígio com a Igreja-Mãe, liderada pelos 12 Mais Velhos, únicos subscritores do pedido oficial do registo e do reconhecimento da Igreja junto do Governo.

 

Depois disto, a Igreja-Mãe ou os 12 Mais Velhos reabrem os seus cultos públicos. Finalmente, os 12 Mais Velhos dirigem uma carta a sua Excelência Presidente do MPLA-Partido do Trabalho e da República Popular de Angola, o Camarada José Eduardo dos Santos, informando-o desta situação.

 

 

                                                   Documento escrito em 22 de Novembro de 1988

 


 

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