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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


A trajectória do TOKOÍSMO (2)

Publicado por Muana Damba activado 4 Agosto 2012, 05:02am

Etiquetas: #Religião

 

Por Pastor Muanga Pedro e Pastor Vumambo João David

 

  Após a sua expulsão à Angola, as autoridades coloniais Portuguesas procurando extinguir a Igreja, utilizaram astuciosamente a prática de divisão dos Tocoístas em grupos, enviando-os a diversas localidades de Angola, tais como Colonato do Vale do Loge, Luanda e Benguela (locais principais), Caconda, Cabinda, Porto Alexandre, Mocâmedes, Malange, Ndalatando, Cela, Baia dos Tigres, Caála, Cunene, etc e ao território da República de São Tomé e Príncipe. Nesses lugares, os Tocoístas apesar do castigo imposto, pregaram o Evangelho de Cristo.


Por motivo de precaução, o Dirigente é retirado em 11 de Novembro de 1950 do Colonato Vale do Loge pelas autoridades Coloniais Portuguesas, acompanhado da sua esposa, filhos, sobrinhas e cunhado para Luanda e posteriormente para campos de trabalhos no Sul de Angola, primeiramente, em Caconda, onde converte muita gente ao Tocoísmo.


Tendo as autoridades coloniais Portuguesas notado esse mo-vimento, transferiram-no com a sua família sucessivamente aos campos de trabalho de Chibia, em Janeiro de 1952, Cassinga em 1954 e Farol da Ponta Albina em 1955. Este último fica a 17 quilómetros do Porto Alexandre.


Foi nessa altura, em 13 de Dezembro de 1950, que os Mais Velhos Mavembo Sebastião, Makuikuila Manuel, Kula David, Kanga Pedro, membros do grupo de 12 Mais Velhos, Ti Afonso Botage, etc e sua família foram transferidos a Benguela onde fundaram a Igreja de Benguela que actualmente conta com milhares e milhares de Tocoístas. Fizeram apenas 6 messes em Luanda e foram logo transferidos à Benguela.


 

REGRESSO DO DIRIGENTE À LUANDA COM A SUA FÁMILIA

 


 Em 4 de Julho de 1962, o Dirigente Simão Gonçalves Toco regressa à Luanda juntamente com a sua família, vindo das terras do Sul de Angola onde cumpriu 12 anos de duros castigos. Durante a sua estadia na capital de Angola até 18 de Julho de 1963, data em que foi desterrado juntamente com a sua família à Ilha de S. Miguel, no arquipélago dos Açores, Portugal, convertem à Igreja milhares e milhares de membros.


Embora trabalhando livremente e com suas residências fixas nos bairros, sempre como prisioneiros e perigosos, os Tocoístas eram considerados pelo Governo Colonial como um movimento profético mágico ligado à libertação de Angola e eram considerados também como comunistas, tanto mais que nos anos de 1949 e 50 usavam emblemas vermelhas e uma estrela branca de oito cantos no peito, no lado esquerdo da camisa e que, depois de 1961, mandavam regularmente uma ajuda monetária ao MPLA em Brazaville.


Assim, o Governo colonial ignorava que era o Espírito Santo de Deus descido ao 25 de Julho de 1949 e que era a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, Relembrada em 25 de Julho de 1949 na cidade de Leopoldville, actual Kinshasa, R. do Zaire. E só veio a reconhecer depois da queda do colonialismo em Angola.

 

Por esta razão, a partir do ano de 1953 a Igreja de Luanda ou a maior parte dos Tocoístas que já tinham fixado residência em Luanda desde a sua chegada em 1950, foram espalhados pelas autoridades coloniais Portuguesas à diversas localidades de Angola, onde eram sujeitos a muitas formas de opressão, bem como aqueles que pos-teriormente eram detidos e expulsos do Congo ex-Belga.   Assim, o Mais Velho Dom Afonso Fernandes Manzambi logo que chega à Luanda, expulso do ex-Leopoldville, é encarcerado na casa de reclusão durante 12 dias e transferido depois para o Porto Alexandre onde cumpriu a pena até 1956, ano em que regressou a Luanda com a família e nomeado como Secretário-Geral da Igreja de Luanda pelo Dirigente que nessa altura se encontrava em Ponta Albina a cumprir a pena.


Em 1971 o Escrevente Geral, Dom Afonso Fernando Manzambi é detido novamente pela PIDE juntamente com os outros Velhos da Igreja e transferido para S. Nicolau onde cumpriram a pena até 1974.


Os Mais Velhos nomeiam no seu lugar o irmão Kama Afonso como Secretário-Geral da Igreja de Luanda. Mas devido a incapacidade deste, os Mais Velhos nomearam o irmão Dombaxe Malungo como Secretário-Geral. Quando o Mais Velho Dom Afonso Fernando Manzambi regressa de São Nicolau em 1974, deixa trabalhar a vontade o irmão Dombaxe Malungo, pois verificara que o seu trabalho estava até aí bem.


Com a queda do colonialismo Português em Angola, graças a luta armada e espiritual do povo Angolano contra a ocupação de Angola pelos Portugueses durante cinco séculos, o Dirigente senhor Simão Gonçalves Toco regressa triunfal e definitivamente em 31 de Agosto de 1974 à sua querida Pátria, vindo do arquipélago dos Açores, Portugal aonde fora desterrado, depois de lá ter cumprido a pena que durou 11 anos.


Devido a perseguição do Governo colonial os cultos público andaram muito tempo suspensos e os membros reuniam e faziam os seus cultos nas suas casas. Com a chegada do Dirigente a Luanda vindo dos Açores, os cultos públicos foram reabertos.


Por causa do mal entendido que houve entre a Igreja e o Governo da RPA, os trabalhos da Igreja são novamente encerrados e o Dirigente reduz todos os grupos ao menor número de 3 à 4 pessoas para resolverem certos problemas e em seguida dar a conhecer as suas soluções aos demais.


Mais tarde, o Dirigente nomeia um grupo de 6 à 28 pessoas para oração e para estarem em contacto com as outras Classes, Tribos e os 12 Mais Velhos. Este grupo ultimamente veio a auto-intitular-se “Cúpula de Anciãos e Conselheiros da Direcção Central”.

 

Em 1982 a Igreja contribuiu dinheiro para efeitos de viagem que o Dirigente iria efectuar a Igreja de Ntaia-Makela do Zombo. Este dinheiro calcula-se a volta de seis milhões (6.000.000.00 Kz). Mas a viagem não se efectuou porque o Dirigente queria viajar com um número de mais de 400 pessoas, incluindo Pastores, Mestres de Coro, Coristas e alguns Anciãos Conselheiros e o Governo ter autorizado apenas 20 pessoas. Daí, o Dirigente suspende a viagem. O dinheiro contribuído para a viagem esteve em poder do grupo auto-intitulado “Cúpula” e até hoje nunca apresentou o referido dinheiro.


Mais tarde, a Igreja contribuiu novamente cerca de quatro milhões e meio (4.500.000.00 Kz) para a compra de instrumentos musicais e o referido dinheiro esteve igualmente em poder da Cúpula e os instrumentos não foram comprados.


Quando a Igreja pediu contas do dinheiro, visto que os instrumentos não foram comprados, a Cúpula apresentou apenas quatrocentos e cinquenta Kuanzas (450.00 Kz), como saldo dos quatro milhões e meio destinados a compra de instrumentos musicais. Foi daí que surge a confusão entre os responsáveis da Igreja e o grupo Cúpula. Finalmente a Igreja concluiu que a administração da Igreja não funcionava devidamente e o aparelho administrativo da Igreja tinha que ser reorganizado, reestruturado sem punir porém os infractores.


Feito o organigrama (da reestruturação) e apresentado à todos, o mesmo foi aceite. Por fim, decidiu-se que este novo organigrama devia ser apresentado ao Dirigente aos 8 de Janeiro de 1984, visto estarmos no período das festas de natal e do ano novo. Estes foram as conclusões da reunião do dia 21 de Dezembro de 1983, sobre o problema do dinheiro dos instrumentos musicais. Antes de tudo, o Dirigente tinha também recomendado a Cúpula que entregasse o dinheiro que estivesse em seu poder mesmo em menor quantidade.


O organigrama e a conclusão do assunto do dinheiro não chegaram de ser apresentados ao Dirigente porque este, infelizmente morre no dia 01 de Janeiro de 1984. A partir daí, a Igreja empenhou-se na preparação do seu funeral.

 


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