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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Revolta de Mbuta em São Salvador (18)

Publicado por Muana Damba activado 12 Octubre 2012, 03:09am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

 

MBUTA   18


Noqui…” Ao mesmo tempo que ali chegariam os víveres requisitados… “ Dentro de oito ou dez dias a coluna estaria habilitada a partir; e bem necessário era que o fizesse, pois que as apresentações dos de sobas das proximidades de Noqui, especialmente as que ficavam nas imediações do caminho do que a coluna deveria seguir, se repetiam, n’uma manifestação clara de que receavam o castigo que assim pretendiam evitar; o facto de ter o destacamento que batera Quimbubuge, regressado a S. Salvador sem dar um tiro, porque o gentio não apareceu, e ainda atitude dos povos de Solo e Quimuana, tudo levava a crer que os rebeldes se tinham apercebido de que não poderiam lutar connosco e começavam a “beber água” para se apresentarem. Se a acção da força tivesse podido ser imediata, decerto a rebelião de S. Salvador e a de Noqui, e as restantes, pois que todas elas tinham “a cabeça” em S. Salvador, teria sido rapidamente sufocada. Mas a coluna, que conseguira, enfim, ter um efectivo de cerca de 300 homens, foi obrigada a uma formidável inação durante um longo mês; para sair desta inação, teve de fraccionar-se pois que d’esta forma nunca conseguiria sair do campo de Minguengue onde se estiolava por numerosos motivos.


Passara já o prazo máximo de dez dias dentro do qual a coluna deveria estar reabastecida e deveria dispor dos carregadores precisos para a marcha e nada tinha, a não ser alguns carregadores precisos para a marcha e nada tinha, a não ser alguns carregadores que tinham sido recrutados em Maquela. Foram 95 os carregadores que tinham sido recrutados em Maquela que em Minguengue se apresentaram no dia 2 de maio; em 16 obtiveram-se 103 de Ambrizete e era tudo; havia facilidade de recrutar carregadores em Maquela mas apenas para o trajecto entre aquela povoação e S. Salvador, mas não para o trajecto por Noqui. Debalde foram expostos ao quartel-general as circunstâncias dificílimas em que a coluna se encontrava; debalde se instalou pela remessa imediata dos carregadores, cuja demora prejudicava irremediavelmente a acção da coluna; debalde se fez sentir que a honra das nossas armas exigia que a coluna seguisse pelo mesmo trajecto em que tinha seguido na sua marcha de S. Salvador para Noqui e que fazendo-se, como faria, se arriscava, por falta de carregadores, a ser aniquilada por inanição. Não houve forma de conseguir que viessem do Pungo Andongo, ou de qualquer outra das circunscrições do distrito de Luanda, os 150 carregadores que tinham sido requisitados com tanta antecedência que em 17 de abril me tinha sido comunicado pelo Exmº encarregado do Governo-geral que pelo administrador do Pungo Andongo fora informado de já estarem reunidos 100 carregadores dos pedidos, esperando que dentro de dois ou três dias estaria completo o numero de 150; a verdade é que o administrador do Pungo Andongo só pôde angariar 36 carregadores, velhos e esqueléticos, que em 27 de maio, de MAIO, note-se, vieram para o Congo onde deram trabalho que o seu serviço não valia.


Entretanto, em S. Salvador, a situação agrava-se de dia para dia com a fome crescente, a mandioca só por si, ou com pouco mais, não é, decididamente, alimento que sustente um indígena e muito menos um europeu, e mesmo essa mandioca era necessário ir busca-la às lavras dos rebeldes e para isso era preciso ir uma força que o efectivo em S. Salvador não podia dispensar com muita frequência. Tornava-se, pois, indispensável acudir quanto antes a S. Salvador e com esse fim se organizou um comboio que por via Songololo para ali saiu de Minguengue em 13 de maio seguindo para Matadi em 14, chegando a S. Salvador em (data não legível).


  fotos do dr jocm

 

Em 28 de abril, pelos sobas fiéis das proximidades do Noqui foi o Exº Governador informado de que o gentio rebelde que já anteriormente atacara o posto do Mussuco e o incendiara, se estava reunindo nas proximidades do caminho de Mussuco-Congo, perto do povo de Lamba; com o fim de atacar novamente aquele posto que então se achava guarnecido por uma força da 20ª companhia, sob o comando do 2º sargento Virgílio. O ataque e esses rebeldes seria feito por um destacamento de dois pelotões (Teixeira e Lamellas), sob o comando do 1º e a este destacamento juntar-se-ia o que constituía a guarnição do posto que seria abandonado; com estas forças reunidas, o tenente Teixeira deveria abater o gentio concentrado, partindo do Mussuco, onde se dirigiria pela via fluvial, seguindo depois para Lamba, rio Mussabo, Quilango, Quimpangala, Quinsuca,etc, a Conge e Goma (1), que eram os dois principais centros da revolta na área de Noqui. Para ali se dirigiu o destacamento na tarde de 29 de abril, pernoitando no posto do Mussuco.”…

 


Continua

 


MaMais  uma vez alertamos para eventuais erros nos nomes das povoações/rios, devidos a dificuldade na leitura dos documentos)

 


                                                                                        AHM-L.                                         

 

                                                                            Pesquisa de Artur Mendes

 


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